A migração dos povos existe desde sempre na vida da humanidade. Resultado de guerras, perseguições religiosas, regimes autoritários de governo, minorias étnicas, mudanças climáticas e da pobreza que assola boa parte da humanidade; penso que, conforme aumenta a população do planeta, a condição de sobrevivência dos povos ficará cada vez mais difícil e as migrações de populações inteiras, passarão a fazer parte do cotidiano.
Isto acontece de país para país ou mesmo dentro do próprio país. Santa Catarina viveu e vive a migração desde sempre. Estado construído por migrantes europeus que aqui chegaram com a coragem e vontade de sobreviver; foram os alemães, italianos, poloneses, açorianos, entre tantos, os “escravos” que povoaram o território catarinense e, inteligentemente e sem o saber, fizeram a reforma agrária de forma intuitiva. A distribuição de terras aos filhos dos migrantes tornou o Estado o paraíso das pequenas e médias propriedades com algumas exceções.
Santa Catarina possui 1,12% do território brasileiro (95.730km² de extensão) e, de acordo com dados oficiais, é a sexta economia do país com um PIB per capita 23,4% acima do PIB brasileiro. O Estado tem a menor taxa de desemprego do país (3% enquanto a média nacional é de 5,8%) e, é o Estado que menos faz uso do programa Bolsa Família.
Todos estes dados fazem de Santa Catarina o destino de, segundo o último censo, entre 2017 e 2022, 503 mil novos moradores que vieram em busca de trabalho e qualidade de vida. Recentemente vi alguns vídeos que reportavam a pessoas, recentemente chegadas e, que se mostravam surpresas com a rapidez com que encontraram empregos e com o zelo com que os jardins das casas se apresentavam. Óbvio que tudo isto é fruto de culturas diversas que se fundiram para criar a cultura do Estado.
Este colunista já morou em várias cidades nos três Estados do Sul e em São Paulo capital; sou natural de Curitiba, portanto um migrante em Santa Catarina. Aqui já morei em Joinville, Blumenau, Brusque, Indaial e Florianópolis; No Rio Grande do Sul em Lageado, Santa Cruz do Sul e Porto Alegre e em São Paulo e aprendi que, a cultura de cada lugar tem que ser respeitada e não é quem chega que vai provocar mudanças agredindo a cultura local. Lars Lokke Rasmussen, quando primeiro ministro da Dinamarca, criou a lei que prevê “Dinamarca sem culturas paralelas” para evitar que o país de 6 milhões de habitantes perdesse sua identidade.
A cultura de Santa Catarina é de receber bem as pessoas que aqui chegam. Logo recebi com perplexidade depoimentos, na rede social, de pessoas que aqui chegaram, vindos de outros Estados, sobre os catarinenses; detratar os donos da terra não é sinal de boa convivência e, mostra o verdadeiro caráter dos detratores. Santa Catarina exige e espera respeito!
Foto de Renato Trentin na Unsplash
Entre em contato com o AcontecendoAqui se tiver interesse em divulgar seus trabalhos para a Comunidade AcontecendoAqui. Envie um e-mail para [email protected]
