
1. No início da sua trajetória na TELTEC Solutions, você atuou por mais de uma década na área comercial até se tornar CEO. Qual decisão no começo de sua carreira você acredita ter sido a mais estratégica para pavimentar o caminho até a liderança da empresa?
A decisão mais importante dessa minha jornada até aqui foi me tornar empreendedor. Sou formado em engenharia elétrica pela UFSC. Me formei ali por volta do ano 2000, 2001, numa época em que não existia a cultura empreendedora que se tem hoje na nossa cidade, no nosso estado e, diria, até no nosso país. Então, tive que quebrar uma barreira de cultura dentro da própria universidade, porque era perceptível, inclusive nos professores — é uma faculdade bastante tradicional, engenharia —, a ideia de que, se o aluno fez engenharia, ele deveria seguir a carreira docente, de pesquisa dentro da universidade, ou estar empregado em alguma grande empresa. E eu fui pela opção menos óbvia. Para mim, pelo menos, Jonny, essa opção menos óbvia fez toda a diferença. Claro que tive um apoio fundamental da minha família, especialmente do meu pai, que é uma grande inspiração para mim.
Meu pai também é formado no mesmo curso que eu. Na verdade, eu o segui. Ele também é formado em engenharia elétrica, obviamente em uma década, em um período bem anterior ao meu. Ele se formou também em engenharia elétrica na UFSC e seguiu o “script”, vamos dizer assim, da época. Naquele tempo, era muito raro alguém empreender. Tínhamos alguns desbravadores, como o próprio José Fernando Faraco, da Dígitro, mas era muito mais raro. Então, ele seguiu o caminho mais aceitável, foi trabalhar na TELESC — uma grande empresa estatal —, com especialização na área de telecomunicações. Depois, foi trabalhar na Eletrosul, também na área de telecomunicações, até que resolveu empreender aos 40 e poucos anos. E ainda bem, graças a Deus, deu tudo certo com o empreendimento dele, o que possibilitou que eu me inspirasse e, com o apoio dele, me tornasse empreendedor.
Então, não tenho dúvida alguma de que essa foi a principal decisão inicial da minha carreira, que possibilitou que eu estivesse aqui hoje como sócio e tendo ajudado em algumas reinvenções da empresa durante esse período. Hoje, a Teltec é uma empresa que é referência não só aqui no estado, mas no Brasil. Temos mais de 1.000 clientes, 260 colaboradores, filiais em Brasília e em São Paulo. Somos parceiros de grandes players mundiais de tecnologia, como Cisco e Microsoft.
Ajudamos bastante a comunidade, a cidade, o estado — especialmente no meu papel atual, Jonny — que é um papel voluntário. Dedico boa parte do meu tempo, de forma voluntária, para ajudar a impulsionar o setor de tecnologia e inovação em Santa Catarina, nessa posição em que me encontro atualmente como presidente da ACATE.
2.Em meio à sua jornada, você decidiu cursar um MBA em Private Equity, Venture Capital e Investimentos em Startups na FGV. O que lhe norteou a buscar essa formação naquele momento da carreira e como isso impactou sua visão estratégica?
Vou tentar lembrar uma frase, mas é algo como: “Nada melhor que a prática para validar uma teoria.”. Esse curso de MBA veio de uma falta que eu sentia de buscar um conhecimento mais teórico. Acho que uma das grandes qualidades hoje, uma das grandes habilidades das pessoas, deve ser a curiosidade, esse apetite para buscar constantemente novos conhecimentos, aprendizado contínuo. Fazemos isso no nosso dia a dia. Eu sou uma pessoa que gosta de ler, estudar, viajar. E, quando viajo, gosto de estudar a cultura. Acabei de voltar da China. Antes, durante e depois da viagem, eu fico estudando. Essa curiosidade contínua é muito importante. Acredito que os curiosos vão liderar o mundo, e os que não são curiosos vão ser massa de manobra cada vez mais. Mesmo assim, eu sentia falta da teoria. Só que, na correria do dia a dia, fazer um MBA não é fácil. E eu queria fazer um MBA nessa área, que conectasse tanto com a empresa quanto com a ACATE, esse mundo das empresas digitais, nativas digitais, e também sobre investimentos: como funciona, na teoria, toda essa engrenagem por trás da nova economia. Essa engrenagem tem uma peça fundamental, que é o dinheiro, os fundos de investimento, principalmente os de venture capital, que financiam esses empreendimentos digitais.
A pandemia veio, e o curso que eu queria fazer só existia no Rio e em São Paulo. Isso dificultava ainda mais, pois tenho dois filhos pequenos, além das viagens e da correria com a empresa e com a associação. Com a pandemia, o curso se tornou digital. E, como passamos a ter mais tempo, porque nossas atividades sociais praticamente desapareceram, usei esse tempo, sentado na cadeira da minha casa, para fazer esse MBA. Exigiu bastante, mas foi no momento certo. Fiz para buscar mais teoria, porque o conhecimento é contínuo. Lendo um livro, assistindo uma palestra no YouTube, em uma conversa, estou sempre aprendendo. A motivação principal foi essa: buscar a teoria.
Fiz um MBA in company antes deste da FGV, lá na FIA de São Paulo, vinculada à USP. Fiz aqui através de um grupo de empresários. Era presencial, então, a cada duas semanas, eu ia para São Paulo. Esse curso, porém, não era considerado lato sensu. Era um programa avançado de tendências de mercado e negócios, entre 2013 e 2014. Foram dois anos em São Paulo, foi bem interessante, mas não tinha prova. Esse MBA agora, sim, tinha prova, entrega de trabalho. Era uma pós-graduação mesmo. Ao longo desse período, naturalmente, fiz outras formações. E o mais importante, Jonny, já que você está falando de formação: algo que mudou muito minha vida foi quando, aos 16 anos, tive a oportunidade de fazer intercâmbio fora. Meus pais me deram essa oportunidade. Minha primeira viagem ao exterior foi esse intercâmbio, e fui parar no interior dos Estados Unidos. Isso teve um impacto absurdo na minha vida, porque, com essa idade, tive a chance de conhecer uma cultura diferente, viver em outro país, morar com uma família americana e me virar sozinho. Lá me despertou muita coisa. E, claro, os Estados Unidos têm uma cultura que trago até hoje: a cultura de pensar grande. Na ACATE, estou puxando bastante isso. Podemos falar mais sobre isso depois. Quando voltei e fiz engenharia elétrica, quis o destino que a empresa que tivemos que reinventar, posso entrar em mais detalhes depois, estivesse naquela transição do mundo analógico para o digital, com o avanço da internet.
Nossos parceiros, como citei antes Cisco, Microsoft, sempre foram americanos. Durante os últimos 20 anos, devo ter ido cerca de 40 vezes aos Estados Unidos para grandes eventos. Aprendi muito com os gigantes.
Tive muitas oportunidades de viajar, assistir a conferências, beber da fonte. Falamos do Vale do Silício, até então o grande epicentro da inovação no mundo. Muitas dessas empresas nasceram lá. Sempre tive a oportunidade de beber dessa fonte. Cada viagem dessas é um MBA. Podemos dizer que cada uma delas é um MBA. O aprendizado é contínuo. Só parei mesmo agora para fazer algo mais teórico.
3. Além de executivo, você é um entusiasta do associativismo e tem uma longa trajetória dentro da ACATE, culminando na presidência da entidade, há mais de um ano. O que motivou essa dedicação ao ecossistema e como essa atuação influenciou suas decisões como líder empresarial?
Tive uma abordagem que muitos acabam não tendo: poder empreender na própria cidade e conseguir prosperar no lugar onde nasci. Chega um momento em que, depois de já ter construído algo, sentimos uma pressão de dar uma contribuição diferente para a sociedade. Tenho uma convicção muito grande, Jonny: o governo não vai conseguir fazer tudo sozinho. Esquece, ele não dá conta. E as empresas, nas últimas décadas têm ganhado uma relevância cada vez maior. Basta ver, por exemplo, a Nvidia, que recentemente atingiu um valor de mercado de 4 trilhões de dólares, maior que o PIB do Reino Unido. Se fosse um país, seria o sexto PIB do mundo. Sem contar empresas como a Meta, com as redes sociais conectando bilhões de pessoas. Mas vamos falar do nosso mundo aqui. Nós conseguimos devolver muito para a sociedade, contribuir bastante. E, embora já façamos muitas ações dentro da nossa empresa, quando vamos para uma entidade, o impacto é muito maior.
Tenho uma visão muito clara de que a tecnologia, hoje, é a grande direcionadora do progresso mundial. As empresas mais valiosas do mundo são todas de tecnologia, algo que não era assim 20 ou 30 anos atrás. Tendo esse entendimento, vemos que conseguimos fazer um trabalho com potencial de impacto gigantesco na cidade e no estado onde nasci, onde espero que meus filhos também fiquem e vivam. Foi uma oportunidade única. Quando me convidaram, naturalmente, foi um grande desafio. Tenho minha empresa, como você viu, de médio porte e isso traz uma grande responsabilidade. Pensei: “Como vou lidar com tudo isso?”
Aprendi que acordar mais cedo ajuda. O ex-presidente da ACATE me deu 30 dias para pensar e respondi no 30º dia com um “sim”. Nesse período de reflexão, me deparei com uma frase: “Se você for convidado para algo importante, vá e aceite.” Não tinha dúvida de que o convite era para algo importante e relevante. Era preciso coragem para encarar o desafio. E eu sou motivado por isso, desafios me dão energia. A gente aprende demais. Ao representar uma associação, você representa 100 empresas. Passa a interagir com pessoas com quem não estava acostumado no dia a dia.
Hoje, temos agenda com senador, governador, ministro, deputado, líderes de outras entidades. Isso também é um grande aprendizado para mim. São oportunidades que aparecem na vida. Quando dou palestras, principalmente para jovens universitários, digo que precisamos ter coragem. Um dos grandes problemas do mundo é a falta de coragem e de vontade das pessoas.
Vejo muita acomodação. Estamos prestes a viver, ou já vivendo, a maior revolução da história, com inteligência artificial, robótica e muito mais. E vejo muitas pessoas acomodadas, não tomando iniciativa ou relutando contra. Mas a história da humanidade mostra que, sempre que as pessoas relutaram contra uma transformação tecnológica, perderam. A transformação aconteceu, e quem não abraçou ficou para trás. Quem abraçou, foi para a frente. Então, precisamos ter coragem. Eu queria também dar esse exemplo para os meus colaboradores, para os meus filhos, de que precisamos ter coragem para assumir certos desafios.
4. A experiência como Diretor de Verticais da ACATE, especialmente nas áreas de Smart Cities e Cloud, ampliou sua atuação além da Teltec. Quais aprendizados dessas funções colaborativas você considera mais valiosos para quem busca gerar impacto em rede?
Acho que é esse conceito de ecossistema, onde vários atores buscam se conectar para um bem maior, essa questão da colaboração. Isso eu trago para a minha empresa, aquela ideia de que não se trata apenas de competição, de ficar naquele mundo pequeno da concorrência. Podemos ganhar muito mais quando cooperamos.
A ACATE tem uma cultura que é única no Brasil. Tanto que vários líderes de ecossistemas vêm visitar a ACATE e ficam bastante entusiasmados em levar esse modelo para suas cidades. Como você sabe muito bem, não dá para copiar e colar o Vale do Silício. Cada um tem seu contexto, sua cultura. Aqui temos muito forte essa cultura da colaboração. Como dizemos: quando a maré sobe, sobe para todo mundo. Se você tem essa mente aberta… Eu estou há 25 anos no mercado e, lá no início, íamos para São Paulo com nosso cartão de visita e tínhamos vergonha de entregar um cartão de Florianópolis. Lá, o pessoal conhecia a cidade apenas como o lugar das festas, das praias. Hoje, recebo pessoas de São Paulo aqui em Florianópolis o tempo todo. Elas querem se conectar, querem conhecer. E sempre digo: elas não vêm por causa da Teltec, da minha empresa, ou apenas por causa da Softplan, da Nexera, seja quem for. Elas vêm por causa do ecossistema.
É como no Napa Valley, que você deve conhecer, ninguém vai lá por causa de uma vinícola específica; as pessoas vão por causa da região. Esse ecossistema em rede, quando você entende isso, amplia seus horizontes, seus conhecimentos, sua rede de relacionamentos e parcerias. Você aprende todos os dias. E eu desenvolvi algo em que acredito muito, que também está muito presente na ACATE, que é a cultura do give first. Outra coisa que aprendi ou aperfeiçoei aqui na ACATE foi isso: a cultura do give first. Acredito muito que, se você quiser receber, aprenda primeiro a dar. O problema é que muitas pessoas querem receber antes de ajudar e isso, na minha concepção, não funciona. Com quase 10 anos de atuação na ACATE, já consegui experimentar bastante isso. Eu me entreguei de corpo e alma, por gostar do associativismo, de tudo isso que já te falei. E dei muito mais até hoje do que recebi. Mas as coisas voltam. Pelo menos comigo, aconteceu assim. Acredito que empresas que se conectam a ecossistemas como esse prosperam mais. Coincidência ou não, desde que passei a participar de forma mais efetiva na ACATE, minha empresa não parou de crescer.
5.Você assumiu a presidência da Teltec Solutions em 2013 e desde então lidera a empresa em um setor marcado por mudanças aceleradas. Quais foram os dilemas mais relevantes ao tomar decisões que mantivessem a empresa competitiva em um cenário tão dinâmico? A empresa tem como valores os pilares Colaborativo, Sustentável e Humano. Quais práticas as demais empresas podem implementar para disseminar tais princípios internamente?
Vamos lá. São duas perguntas complexas. Vou tentar construir aqui. Quais são os desafios? Bom, empreender no Brasil já é, por si só, um grande desafio. Então, acho que você tem duas formas, duas posturas. Pode ser alguém mais conservador ou alguém mais agressivo. No caso da Teltec, nós sempre tivemos uma postura mais conservadora, entendendo que não se trata de uma corrida de 100 metros, mas sim de uma maratona. Essa é a nossa cultura: sempre buscar ter visão de longo prazo. Nós sempre seguimos os princípios básicos de gerar retorno no negócio, manter lucratividade, cuidar da dívida, gerar caixa. E boa parte do lucro gerado permanece na empresa. Nós reinvestimos na empresa. Por quê? Porque acreditamos no nosso negócio.
Outro ponto importante é aquela frase que Peter Drucker já dizia: “A cultura come a estratégia no café da manhã.” Sempre buscamos construir uma cultura muito forte. Durante a pandemia, ficamos com muito receio, como todas as empresas, de perder essa cultura. Contratávamos pessoas que nunca tínhamos visto presencialmente. Elas entravam e saíam sem que sequer as conhecêssemos. Foi também um período de bastante expansão, com muitas contratações. Pensávamos: “Como vamos manter essa cultura?”
Um exemplo prático: durante a pandemia, criamos um programa chamado Experience the Culture, que é um encontro mensal com todos os colaboradores. Ele é online, começou na pandemia e permanece até hoje. Estamos na 47ª edição. Tratamos de todos os assuntos que se possa imaginar: temas de ajuda pessoal, profissional, tendências. Trouxemos grandes líderes em tecnologia, grandes pensadores como Pondé, trouxemos o presidente da Microsoft, entre outros. A questão da cultura, para nós, é muito forte. Também temos uma cultura de colaboração muito presente e uma cultura de giving back. Isso já existia muito antes de se falar em ESG. Estimulamos nossos colaboradores a serem ativos na comunidade. Na empresa, é claro que o lucro é extremamente importante, mas não é só o lucro. Queremos trazer cada vez mais impacto para a comunidade, para que os colaboradores se orgulhem da empresa.
Chamo a atenção para outro ponto, que também está ligado à cultura, é o growth mindset, ou mentalidade de crescimento. É um conceito abordado por uma professora de Stanford: existem dois tipos de pessoas no mundo: as de mentalidade fixa e as de mentalidade de crescimento. As de mentalidade fixa acreditam que já sabem tudo e não têm mais nada a aprender. As de mentalidade de crescimento se colocam como aprendizes, sempre em busca de aprendizado.
Queremos pessoas assim dentro da empresa. O mundo está mudando em uma velocidade cada vez maior, e, se não houver essa curiosidade, essa vontade de aprendizado contínuo, a empresa não evolui. Isso nos permitiu, ao longo dos últimos anos, realizar transformações importantes na empresa, inclusive de mercado. Um dos principais exemplos é o movimento para a cloud, a empresa atuava no mercado de on-premise. Em 2013, quando assumi a direção, começamos a investir em uma nova unidade voltada para cloud. No início, ela até tirava negócios da unidade principal da empresa. Tivemos que colocá-las em prédios separados, devido a conflitos. Mas foi fundamental fazer essa transformação.
Hoje, essa unidade é a que mais cresce dentro da empresa. E isso não para. É preciso sempre se antecipar. Outro aspecto importante para nós é a velocidade. Velocidade importa. Se você demora para agir, seus concorrentes ou outras empresas agirão antes, e você ficará para trás. Então, são elementos fundamentais de cultura e de estratégia que fizeram a diferença na história da Teltec.
Atualmente, somos uma das empresas referência. No ano passado, faturamos R$ 300 milhões. Praticamente quadruplicamos o tamanho da empresa nos últimos cinco anos e estamos, graças a Deus, muito bem posicionados. Estamos falando aqui não só de produto, mas de cultura, de valores. O Experience the Culture acontece uma vez por mês. Como disse, estamos na 47ª edição. Por exemplo, na do mês de julho, tratamos de um programa da empresa chamado My Solutions, que é voltado à capacitação dos nossos colaboradores em inteligência artificial, para que adquiram cada vez mais essa competência, algo tão importante nos dias de hoje. Aproveitamos esses momentos para apresentar resultados. Somos muito transparentes com as pessoas. Sempre reforçamos nossa estratégia.
Temos um evento anual chamado Kickoff, em que reunimos todos os colaboradores para falar sobre planejamento e estratégia. Investimos muito nas nossas lideranças. Realizamos ao menos duas vezes por ano um offsite com o time de líderes. Investimos muito nas pessoas, não apenas no conhecimento técnico, mas nas habilidades que hoje são cada vez mais necessárias.
6. Atuando hoje também no conselho da Confederação ASSESPRO, você está em um espaço de influência nacional no setor de tecnologia. Quais critérios você usa para aceitar novas responsabilidades e como decide onde focar sua energia profissional?
Olha, isso é uma dificuldade que eu tenho, que eu preciso, na verdade, aprender mais. No caso específico, eu tenho buscado aprender, porque realmente está complicado dar conta de tanta coisa. A ACATE hoje demanda muito, até pelo protagonismo que tem no estado. Segunda-feira, eu estava em um almoço com o movimento Floripa Sustentável, que é uma sociedade civil organizada aqui de Florianópolis para debater os problemas da cidade. Ontem, eu estava na ACATE, recebendo o prefeito de Rio do Sul, que é um dos polos da ACATE. Então, somos bastante demandados.
No caso específico da confederação, é porque o presidente da ACATE, assim como os presidentes das associações — as entidades estaduais — faz parte do conselho da confederação. Isso é super importante, porque muitos dos temas que impactam o setor e as empresas de tecnologia são decididos nacionalmente.
A ACATE participou de forma muito efetiva das discussões da reforma tributária. Recentemente, também passou a integrar o movimento contra o crime cibernético. Estivemos presentes na Frente Parlamentar no Congresso Nacional, presidida por senador aqui do estado. Fazemos parte da mesa e debatemos esse importante tema. Então, temos que estar conectados. Há muitos assuntos relevantes sendo discutidos no Congresso: regulação da inteligência artificial, questões de cibersegurança, soberania nacional, data centers, que enxergamos como uma grande oportunidade para o Brasil. Com o avanço da inteligência artificial, o país pode se posicionar como um player importante nessa área.
Estamos falando de assuntos que impactam a sociedade brasileira como um todo. E, embora seja uma entidade regional, a ACATE é muito respeitada, uma das entidades de tecnologia mais reconhecidas do país. Então, esse tipo de convite é importante, e precisamos assumir essa responsabilidade.
7-Diante de sua experiência na área de Tecnologia, qual seria sua mensagem final para esta entrevista, visando contribuir com alguém em início ou fase de transição de carreira considerando esta área como atuação?
Olha, vou ser bem prático e pragmático: temos que abraçar essas novas tecnologias. Outro dia, um amigo advogado me perguntou: “Diego, você que é da área de tecnologia, acha que a inteligência artificial vai acabar com a profissão de advogado?” Eu respondi: “Olha, eu acho que vai acabar com o trabalho do advogado que não usar a tecnologia, que não usar a IA. Porque, no fundo, ele será substituído por um advogado que souber usar IA.”
Então, é uma decisão que cada um tem que tomar. Precisamos de letramento tecnológico. E quando falamos em inteligência artificial, ainda estamos apenas nos primórdios. A gente se encanta hoje com o que um chatbot pode fazer, mas, para quem viveu o início da internet — na época do mIRC e da internet discada —, estamos só no começo.
As pessoas precisam estar abertas a esse novo, experimentar, e não resistir. Porque, daqui pra frente, tanto pessoas quanto empresas vão ser desafiadas. Você mesmo esteve na NASA, e é lá que fica a Singularity University, dentro do Ames Research Park. Eu acompanho o trabalho deles, e eles falam do mundo exponencial. Acredito que, cada vez mais, vamos viver essa divisão entre pessoas normais e pessoas exponenciais. Ou empresas normais e empresas exponenciais. Está aí a Nvidia, entre tantas outras, como exemplo de quem está à frente dessa nova revolução tecnológica. Então, reforço de forma pragmática: é preciso abraçar as novas tecnologias, isso vale para qualquer tipo de profissional, e para as empresas também.
Lições de carreira
Ao longo da entrevista, Diego Ramos destaca que o sucesso no setor tecnológico exige visão de longo prazo, cultura forte e espírito colaborativo. Ele acredita que Santa Catarina tem destaque nacionalmente e que o papel da ACATE é fundamental nesse processo. Em sua visão, investir em inovação e estar aberto às mudanças são caminhos indispensáveis para o crescimento sustentável, tanto para indivíduos como para organizações.
Grato pela leitura. Nos encontramos no próximo artigo!
Abraço, Jonny
