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Crachás e contracheques: o novo jogo da atração e retenção de talentos
14 de Julho de 2025

Crachás e contracheques: o novo jogo da atração e retenção de talentos

Profissionais buscam empresas das quais possam se orgulhar, que reforcem sua imagem pública, que tenham líderes inspiradores e práticas transparentes.

Por Giuliano Thaddeu 14 de Julho de 2025 | Atualizado 05 de Agosto de 2025

Imagem gerada pelo colunista com apoio de IA

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Se você é empresário ou convive com um, certamente já falou ou ouviu a seguinte frase: “ninguém mais quer trabalhar.” Do churrasco com os amigos à reunião de diretoria, sempre há alguém reclamando da dificuldade em encontrar (e manter) bons profissionais. O problema é real e preocupante — e vai muito além de uma simples falta de disposição para o trabalho.

A escassez de mão de obra não escolhe mais setores: vai dos estratégicos para o desenvolvimento do país aos serviços. A construção civil, por exemplo, relata dificuldade recorde para formar equipes completas. De acordo com levantamento da Fundação Getulio Vargas, 82% das empresas do setor enfrentam dificuldades para contratar novos trabalhadores. O resultado disso são obras atrasadas e mais caras.

Em uma viagem recente a Joinville, um escritório de advocacia me revelou que poderia dobrar de tamanho se houvesse profissionais disponíveis. Da mesma forma, no Sul do Estado, uma indústria de embalagens opera com o freio de mão puxado, por pura falta de profissionais para postos mais qualificados. Exemplos não faltam por onde quer que se olhe.

Por que chegamos a esse ponto? A resposta passa por um combo que envolve alta rotatividade, programas de transferência de renda, baixa qualificação e, fundamentalmente, a mudança na expectativa dos trabalhadores em relação aos empregos. O fato é que o jogo da atração e retenção mudou completamente. Antes, bastava um contracheque gordo para garantir lealdade. Hoje, o crachá pesa — e muito. A marca que estampamos no peito vale tanto quanto o salário. O profissional se pergunta:

“Que valores essa empresa defende?”
“Como a liderança se posiciona em crises?”
“Posso me orgulhar de dizer onde trabalho?”
“Essa cultura tem a ver com o que acredito?”

Essas perguntas ecoam em todas as gerações, mas ganham força entre os mais jovens. Segundo o 2025 Gen Z and Millennial Survey, da Deloitte, 89% dos Gen Zs e 92% dos millennials afirmam que ter propósito é essencial para satisfação e bem-estar no trabalho.

Mais da metade já rejeitou propostas por desalinhamento de valores, e 44% deixaram empregos que não ofereciam sentido.

O estudo também mostra que 70% da Geração Z desenvolve novas habilidades semanalmente — um sinal claro de que não querem apenas estabilidade, mas evolução constante. Para muitos, sucesso não é subir a escada corporativa: é trabalhar em um lugar alinhado com seus princípios, que ofereça equilíbrio e aprendizado real.

Nesse novo tabuleiro, surge o fator que pode decidir tudo: a reputação. Sim, aquela que muitos tratam como “detalhe de marketing” faz toda a diferença. Profissionais buscam empresas das quais possam se orgulhar, que reforcem sua imagem pública, que tenham líderes inspiradores e práticas transparentes.

Algumas perguntas são inevitáveis:

● Sua empresa tem um propósito claro?
● Esse propósito está traduzido em uma narrativa de conexão racional e
emocional?
● Essa narrativa permeia a instituição? Tem repetição entre as lideranças?
● Sua empresa faz bem ao contexto social em que está inserida?
● Qual foi a última vez que reuniu o time para alinhamento e para compartilhar
conquistas?
● Sua empresa tem presença consistente e positiva junto à opinião pública?
● Quanto você tem investido na reputação do seu negócio?

A reputação impacta diretamente o caixa, o ambiente interno, a resistência a crises e, cada vez mais, o RH. Porque, no fim das contas, o crachá não é mais só um pedaço de plástico que se pendura no pescoço — é um símbolo público de quem somos e do que acreditamos.

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