A frase imortalizada por Fernando Pessoa e, que era de uso frequente entre os marinheiros portugueses, nos faz refletir sobre o que estamos fazendo com nossas vidas.
A vida moderna transformou-nos em pessoas trepidantes que buscam viver intensamente cada segundo. No trabalho e no lazer viramos máquinas de ações descontroladas. Não temos mais tempo para a observação despretensiosa, para o viver simples, para a apreciação das coisas mais pueris.
Sim, temos que ter o carro do ano, a roupa de grife, o smartphone mais atual, frequentar os lugares da moda e, esquecemo-nos de viver! A angústia do modo de vida que temos hoje se transfere para o próprio lazer, que se não for competitivo, nada acrescenta. Pessoas estão morrendo em nome de “selfies” em locais perigosos. Se, é nossa intenção termos uma vida cada vez mais longeva, teremos que aprender a viver de forma cada vez mais simples. Como já dizia Leonardo da Vinci “A simplicidade carrega o mais alto grau da sofisticação!”
Viver é simples! Observar as benesses que a natureza nos oferece gratuitamente parece não despertar nenhum prazer nas pessoas. Tudo tem que ter um custo, de preferência alto, para poder publicar nas mídias sociais e receber as curtidas que me transformam em personalidade. Aí estão os influenciadores para provar. Eis o que a humanidade está fazendo com o brinquedo chamado natureza.
Há quanto tempo você não olha para o céu noturno e aprecia as estrelas? O custo é zero e o prazer produzido é incomensurável. Lembro que, quando moleque, ficávamos buscando as estrelas cadentes para fazer os pedidos que nos ansiavam. Pois é, os jovens do amanhã talvez não tenham estas oportunidades.
Se os astrônomos estiverem corretos até o final deste século não será mais possível visualizar as estrelas no firmamento. Uma criança, hoje, com 5 anos, dependendo de onde vive, pode ver 250 estrelas; quando tiver 18 anos este número cairá para 100 e se chegar aos 80 anos somente visualizará 5 estrelas. O motivo para isto: a iluminação artificial cada vez mais forte no planetinha. Imaginem o efeito desta iluminação nos animais e na natureza de forma geral?
Para compensar o que desejamos e não conseguimos, transformamos nossos corpos em outdoors de tatuagens, colorimos nossos cabelos com as mais esdrúxulas cores e nossos rostos em aparato de ferragens. Está e a forma que os jovens encontraram para agredir a sociedade que, no fundo, não os respeita.
A impressão que fica é a de que, conforme aumenta a população do mundo, os problemas vão se acumulando e os governantes, omissos em sua maioria, deixam os acontecimentos determinarem as consequências. Se der para consertar, ótimo; caso contrário, que se culpe o destino.
Sim, navegar é preciso e a vida, em tempo de mudanças profundas, não tem nenhuma precisão!
Foto de Akhil Lincoln na Unsplash
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