As eras geológicas, que identificam as várias fases pelas quais o planeta passou, recebem nomes específicos. O período Holoceno, uma destas eras, demorou milhares de ano para ser formado e criou as condições de habitabilidade que permitiram o surgimento da vida no planeta.
As calotas polares atuando como refrigeradores do planeta, as florestas e os oceanos como absorvedores do gás carbônico, os rios como as veias que alimentam o sistema e, por aí afora. Este período, segundo alguns cientistas, esteve em equilíbrio até os anos 50 do século passado.
Duas intercorrências então se fizeram sentir, o crescimento desmedido da população humana e os efeitos da revolução industrial. Há cientistas que afirmam que estamos vivendo, atualmente, o período Antropoceno (antro = homem) com as suas consequências que geram desequilíbrios gigantescos colocando a espécie humana em risco.
Johan Rockström e Will Steffen, junto a uma equipe de cientistas, afirmam que os limites de saúde do planeta estão próximos e elencam quais são estes limites.
Mudanças climáticas: o limite confortável em termos de dióxido de carbono na atmosfera é de 350 partes por milhão, hoje estamos em 400 partes por milhão e aumentando;
Perda da biodiversidade: a Terra deveria manter 90% da biodiversidade existente no período da revolução industrial, hoje estamos com 84%. O mundo perde até 100 espécies por ano em cada milhão existente, sendo que estes números estão em crescimento constante;
Desflorestamento: para manter o sistema equilibrado deveríamos ter 75% da cobertura existente na origem da terra, hoje, estamos com 62% e as florestas mostram sinais de exaustão;
Fluxos biogeoquímicos: uso intensivo de fertilizantes está comprometendo a saúde do planeta;
Acidificação dos oceanos: com a destruição das florestas, os oceanos transformam-se nos grandes absorvedores de gás carbônico fazendo com que suas águas fiquem ácidas pela mistura de produtos químicos e a grande vítima é a vida marinha;
Destruição dos mananciais de água doce: vítimas que são da poluição, pela pobreza nos países de poucos recursos e, pela industrialização nos países ricos;
Carga de aerossóis atmosféricos: sim, a nossa prosaica fumaça bloqueando a entrada dos raios solares e por último,
Introdução de novas substâncias químicas na atmosfera: ainda não sabemos quais os efeitos que terão sobre a vida na Terra. O estilo de vida que levamos será responsável pelas dificuldades que enfrentaremos.
A história do cidadão do Níger, Mati Almaniq, mostra, com clareza, a situação enfrentada pela maior parte da população mundial. Sem emprego, com 3 esposas e 17 filhos, Matic saiu de sua terra (Sudão) e foi até a Líbia para tentar a travessia para países europeus. Na Líbia, enganado por atravessadores desonestos, perdeu todo o dinheiro que levava e passou a “status” de refugiado, sem ter para onde ir, nem ter como voltar para sua casa.
O crescimento populacional que ocorre em, praticamente, todos os países africanos e Índia, é brutal. São em média 7 filhos por casal e há previsão da ONU que, até 2050, 40 países em todo o mundo deverão dobrar suas populações; a maioria em países pobres.
Some-se a isso o fenômeno da urbanização e analise os reflexos sobre o consumo de alimentos, água, espaço para habitações, saúde e Educação. Enquanto os países desenvolvidos vêm suas populações encolherem, os países pobres as multiplicam. Problemas no horizonte!
Fonte das informações contidas na coluna: livro “Obrigado por atrasar” de Thomas Friedmann.
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