12/08/08
“Nós temos muito mais riquezas a oferecer e a criatividade é uma das nossas virtudes”.
- “Está havendo um certo acovardamento na publicidade brasileira”. A afirmação foi feita por Thomas Roth, diretor geral da Lua Nova Produções Sonoras, ao proferir palestra semana passada, na Escola Superior de Propaganda e Marketing, sob o tema “A criatividade brasileira”.
“Por conta dessa ‘cultura da globalização’, parte do comando de nossa publicidade está sendo feito de fora para dentro, restando pouca área de manobra em boa parte das empresas. Com isso, somos obrigados a consumir uma propaganda que não tem nossa cara. Estamos sendo colocados lado a lado com paraguaios, bolivianos, venezuelanos, como se fossemos todos iguais. Não somos. Não fomos colonizados por espanhóis, somos um povo diferente, cuja formação étnica, cultural, etc. é totalmente distinta dos outros povos da América do Sul. Não podemos perder nossa identidade e dizer amém a tudo”, adverte Roth.
Segundo o diretor da Lua Nova, o acovardamento se dá porque alguns executivos de anunciantes não ousam. Ou porque pertencem a multinacionais e não têm autonomia, ou por medo de perderem seus cargos. Para Roth, há pouco espaço para intuição. “Hoje, tudo é pré-testado, e ferramentas como a pesquisa possibilitam isso, o que acaba inibindo a intuição. ?? lógico que o cliente, cada vez mais, não quer correr riscos e só investe naquilo que vai ter retorno e o caminho acaba sendo mais óbvio. A criatividade, ousadia e irreverência somente acontece em nichos específicos, em comunicações para targets específicos e isto acaba empobrecendo a nossa propaganda”.
De acordo com Roth, o povo brasileiro é reconhecido como criativo e o Brasil está dando mostras disso ao mundo. “Temos exemplos de sucesso, de gente respeitada no mundo inteiro, sejam cientistas, designers, empresários, ou gente da música e da moda e não podemos viver apenas de ser o País do futebol e das mulatas. ?? hora do Brasil mostrar sua capacidade”. Para exemplificar citou o etanol, a InBev, a Companhia Vale do Rio Doce e a Petrobrás. “Nós temos muito mais riquezas a oferecer e a criatividade é uma das nossas virtudes”, destacou. Aproveitando, incitou os alunos para que ousassem, arriscassem mais, buscassem caminhos alternativos em suas vidas, soluções inusitadas. “Quem mudou o destino do mundo não foram às pessoas que disseram amém a fórmulas prontas, mas, sim, aquelas que buscaram caminhos diferentes”, finalizou Roth.
Nota: A palestra do diretor da Lua Nova aconteceu diante de um auditório lotado (auditório Philip Kotler, com capacidade para 280 pessoas), e fez parte da Semana da Integração (1ª semana de aula), que tem por objetivo integrar os alunos da faculdade através de eventos internos.
