26 JUN –
???Nós sairemos muito beneficiados com a reentrada da Microsoft neste mercado???
Quando o presidente de uma empresa é perguntado sobre as mais importantes questões da atualidade (a crise econômica, as revoltas no Irã, a censura na China???) ao invés de seu próprio negócio, é porque esta empresa está tão envolvida em nosso dia-a-dia que possui algo relevante a dizer a respeito. E foi isso que vivenciou Eric Schmidt, CEO do Google, ao se encontrar com Maurice Lévy, CEO da Publicis Groupe, para uma entrevista no Palais des Festivals.
O Google entrará para a história por ter liderado um momento em que novas ferramentas de comunicação alteraram até mesmo a essência do sistema. A informação deixou de ser centralizada para sempre e o poder passou às mãos dos usuários.
?? possível observar o exemplo do Irã. Por mais que o governo se empenhe em censurar os massacres contra os cidadãos que protestam contra a suposta fraude eleitoral no país, mais e mais imagens, opiniões e vídeos são disseminados por meio de centenas de ferramentas virtuais (entre elas o YouTube, como lembra Schmidt, propriedade do Google). ???A internet é a maior ferramenta de expressão pessoal que já foi criada. Os ditadores sempre tentaram limitar as comunicações, mas as pessoas contam com uma forma de disseminar a informação???, afirma.
Neste mesmo sentido, o Google tem sido notícia nos últimos dias por voltar a ter problemas em suas operações na China. Desta vez, o governo censurou o serviço com a desculpa de que há distribuição de pornografia. Schmidt adota um tom irônico para fazer frente a essa questão. Alguns links se tornarão invisíveis e os usuários serão informados do que for proibido veicular por ordem do governo. ???Pelo que tenho visto, os chineses são muito, muito espertos, e tomarão isso como um convite para continuar a procurar essas informações por algum outro meio???.
Schmidt também não perde o humor com assuntos estritamente empresariais. Algum membro da plateia fez referência às palavras de Steve Ballmer (CEO da Microsoft) alguns dias atrás no mesmo auditório, referindo-se à concentração do mercado das ferramentas de busca nas mãos do Google e sobre como a Microsoft entrará em jogo com sua nova ferramenta, o Bing. Schmidt continua com tom irônico: ???Nós sairemos muito beneficiados com a reentrada da Microsoft neste mercado???, disse, fazendo alusão a todos os fracassos passados da empresa de Ballmer no mundo das ferramentas de busca.
Naturalmente, há também o interesse na perspectiva do Google sobre a crise econômica. Para melhor ou pior, o Google é um imenso monitor para qualquer mercado que tenha presença na internet e seus serviços de publicidade contextual são utilizados por milhões de webmasters. Não lhes faltam dados para opinar com fundamento e seus registros demonstram a venda de produtos mais caros está em queda, porém os mais baratos continuando sendo vendidos, o que é uma postura inteligente por parte dos usuários. O consumo não vive seus melhores dias, porém este não é momento para desespero: ???Ficaria espantado em ver que os americanos pouparam nos últimos seis meses. Nós amamos nosso cartão de crédito???. E, inevitavelmente, ele aplica outra dose de ironia sobre este assunto: ???As pessoas deixaram de comprar casas para comprar advogados para evitar a falência???.
Por fim, um olhar para o futuro. O próximo alvo é o mercado dos celulares: ???Este ano marca a explosão de alguns modelos muito poderosos. Eles serão convertidos no melhor recurso publicitário, pois permitem uma segmentação muito grande???. Entretanto, Schmidt adverte que o Google não é perfeito. Sua empresa também comete erros. Por exemplo, deveriam ter entrado mais cedo na China e em algum outro mercado, segundo reconhece.
Fonte: Portal Terra, com texto de Juanjo Montanary
