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Foco no curto prazo ainda vai demitir muitos e condenar o futuro das empresas.
13 de Fevereiro de 2023

Foco no curto prazo ainda vai demitir muitos e condenar o futuro das empresas.

As revoluções tecnológicas não são fruto do foco no curto prazo.

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por Fabiano Goldoni*

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Esta semana terminou com a notícia de mais demissões por parte da Microsoft que vai abortar o projeto de metaverso. A empresa alega estar focada no curto prazo e está eliminando projetos que não gerem receita nos próximos meses.

Momentos de difícil obtenção de crédito e investimentos costumam forçar empresas a focar no curto prazo. Normal. É uma questão de sobrevivência. Mas isso tende a fazer a empresa a parar de inovar e condenar o futuro do negócio.

Na verdade, a MS está focada em apostar no que está ganhando o mercado neste momento: o chatGPT.

A popularização do ChatGTP apresentou ao mundo a inteligência artificial em uma versão ainda inédita. O formato de chat é uma experiência incrivelmente fácil de usar e obter resultados impressionantes para tarefas corriqueiras.

A meta de popularizar o acesso à inteligência artificial, que já faz parte da nossa vida há tempos, é unânime entre as empresas de tecnologia. O Google, que também já fez muitos desligamentos de pessoas, está investindo pesado e até já fez um anúncio (não muito feliz) de lançamento do BARD.

As revoluções tecnológicas não são fruto do foco no curto prazo.

ChatGPT é um produto da Open AI que está há 7 anos pesquisando modelos de inteligência artificial como organização sem fins lucrativos apoiada por vários investidores, entre estes Elon Musk, Amazon AWS, Infosys, Peter Thiel e outros. Nenhum destes investiu pensando no curto prazo.

É o famoso “Dilema da Inovação”, muito bem explicado no livro de mesmo nome. Apesar da inovação ser vista como uma chave para o sucesso empresarial a longo prazo, muitas empresas encontram dificuldades em inovar de forma eficaz. O dilema da inovação, é a tensão entre a necessidade de uma empresa manter suas operações existentes e a necessidade de inovar para garantir o sucesso a longo prazo.

Todo mundo precisa bater metas para sobreviver. É mais fácil inovar com dinheiro no caixa do que em um negócio financeiramente falido. Então, como manter um olho no resultado do curto prazo e outro no futuro da empresa?

 

 

Existem alguns fatores que, combinados, determinam o sucesso dessa dupla missão:

Criação de estruturas dedicadas à inovação: As empresas podem criar equipes ou unidades separadas para se concentrar em projetos inovadores, garantindo assim que a inovação receba a atenção e os recursos necessários. Outra possibilidade é ter um time misto com objetivos de curto prazo, mas também metas de projetos de inovação (este modelo é arriscado, pois o curto prazo sempre vira prioridade no aperto).

Identificação de oportunidades de mercado: As empresas devem estar atentas às tendências do mercado e às mudanças na tecnologia para identificar novas oportunidades de negócios. Uma atitude prática é contratar consultorias de mercado que identifiquem rapidamente tendências e oportunidades.

Colaboração com parceiros externos: O futuro do seu negócio, muito provavelmente, passa por tecnologias novas como 5G, blockchain, inteligência artificial ou visão computacional. Porém não tem ninguém com conhecimento necessário na equipe e muito menos recursos para contratar (aliás, o momento é de enxugar custos). Então o negócio é conectar-se ao ecossistema de inovação para trazer esse conhecimento para dentro da empresa.

Foco no cliente: As empresas devem se concentrar nas necessidades e desejos dos clientes para identificar novas oportunidades de inovação. Para muitas empresas, a simples coleta de dados de satisfação e comportamento dos clientes já é um grande passo ainda não iniciado.

Liderança comprometida: Nada acontece de fato numa organização sem o comprometimento dos andares superiores. A liderança da empresa deve ser comprometida com a inovação e deve fornecer a direção e os recursos necessários para apoiar projetos inovadores. Uma liderança que espera a inovação com os pés sobre a mesa é o próprio capitão do Titanic que acredita ser impossível de naufragar nessa tempestade.

Superar o dilema da inovação requer uma abordagem sistêmica que começa no comprometimento da liderança, passa por fazer as coisas diferentes (principalmente com novos parceiros) e se espalha por toda empresa de diferentes formas.

O foco unicamente no curto prazo é a receita ideal para atravessar uma crise com o cinto apertado e sair dela passando fome, vendendo o almoço para pagar o jantar. Inovação não é opcional para a perpetuidade de um negócio.

Fabiano Goldoni – Inovação, tecnologia, empreendedorismo e gestão no ecossistema de startups.

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