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ENTREVISTA | Carlos Wolowski Mussi, ex-presidente da ADVB/SC e presidente do Prêmio ESG ADVB/SC
20 de Outubro de 2022

ENTREVISTA | Carlos Wolowski Mussi, ex-presidente da ADVB/SC e presidente do Prêmio ESG ADVB/SC

A relação entre competitividade no mercado e as práticas dos pilares ambientais, sociais e de governança.

 

São 23 anos de história do Prêmio Empresa Cidadã, da ADVB/SC, este ano renomeado “Prêmio ESG”, que reconhece e premia anualmente as empresas catarinenses com práticas internas e externas alinhadas aos pilares ESG – Ambiental, Social e Governança. A edição deste ano premiará no dia 25 de outubro, em Chapecó, 29 empresas catarinenses que se destacaram nas práticas.

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O Acontecendo Aqui conversou com o ex-presidente da ADVB/SC, Carlos Wolowski Mussi, para mostrar à Comunidade Acontecendo Aqui em que contexto o Prêmio ESG, antigo Prêmio Empresa Cidadã, foi criado e a relevância da prática dos pilares sociais, ambientais e de governança, para a competitividade das organizações no presente.

Abordamos com Carlos Wolowski Mussi o contexto social, em 1998, quando o prêmio foi criado; a importância da iniciativa e o seu papel social; o papel do consumidor na difusão das práticas ESG e outros assuntos.

 

O que motivou a criação do prêmio Empresa Cidadã, hoje Prêmio ESG, em 1998, durante a sua gestão como Presidente da ADVB/SC?

A ADVB/SC é uma instituição que gerou premiações para induzir comportamentos no meio empresarial. Na época sentimos que havia necessidade de ampliarmos e fazermos um fortalecimento da prática de responsabilidade social entre as organizações. Como alternativa, inclusive, ao fortalecimento e posicionamento das empresas junto ao mercado, nós instituímos essa responsabilidade social com 3 aspectos: a responsabilidade social com o ponto de vista cultural, com o ponto de vista social e com o ponto de vista ambiental. Essas três características, pelo nosso entendimento, eram práticas que deveriam ser fortalecidas interna e externamente. Porque, por exemplo, a responsabilidade social interna nós tínhamos que difundir a valorização de colaboradores dentro da organização, e fazer com que as organizações tivessem práticas de gestão de pessoal. Já em relação ao viés cultural, nós tínhamos que também estimular as organizações para práticas de patrocínio e recuperação cultural da capital e Santa Catarina. E, por outro lado, queríamos que a prática de defesa ambiental se ampliasse no estado. Então, esse foi, em princípio, os três grandes motivos que levaram a essa conduta. Evidentemente que se falava na época mais sobre o ponto de vista ambiental, e nem tanto sobre o ponto de vista cultural e social propriamente dito. Mas é uma aliança de responsabilidade social a ser praticada pela organização, uma aliança indissociável. Você não tem como, suponhamos, ter responsabilidade social e não ter uma gestão de pessoas condizente com isso, você não pode ter uma atuação de responsabilidade cultural, sem que você estimule o desenvolvimento humano da sua organização profissionalmente e você não tem como ter responsabilidade ambiental sem que a sua prática empresarial seja condizente com isso. Então, essa era nossa preocupação, a preocupação interna das organizações, a preocupação externa que se consolida e uma difusão de exemplos que Santa Catarina já tinha de responsabilidade tanto social, ambiental e cultural.

 

Qual o papel das premiações da ADVB/SC, especificamente o Prêmio ESG, na difusão de práticas de responsabilidade social?

Quando você estabelece ou quando define uma premiação, você tem que fazer com que essa premiação, não se torne um diferencial para uma empresa que desenvolva uma determinada prática, mas fazer com que um universo de empresas absorva esse conceito e desenvolva a prática desse conceito em diferentes níveis de sofisticação. Então, você tem que ter e adotar determinados conceitos ou determinadas marcas que facilitem esse entendimento pelas organizações. Então você veja, as premiações da ADVB/SC, no nosso entendimento, não são premiações para uma empresa, são premiações que permitem uma difusão de práticas para outras empresas. Esse é o grande conceito. Não é premiar por premiar e estabelecer um critério de mérito esclarecimento de vaidade pessoal, é formar uma cultura a outras organizações do que sejam essas práticas.

 

Existe a vontade e necessidade de ampliar o leque de premiações da ADVB/SC?

Cada premiação da ADVB/SC atende a um segmento específico de conduta da Associação. Porque se você pegar o contexto da atividade de marketing, ela exige essa amplitude e essa segmentação de formação. A única área que não vejo premiada ainda pela ADVB, e eu tenho insistentemente lutado para que ela passe a integrar, é o seguinte: nós temos inúmeras faculdades de Administração ou cursos de Administração, vários, que eu não imagino nada que sejam inferiores a 100 cursos. Todos esses cursos têm professores de marketing, que lecionam essa matéria, seja sobre o ponto de vista estratégico, sobre o ponto de vista de pesquisa, seja sobre o ponto de vista de práticas de conceitos consagrados. Nós estamos falando de um universo incontável. E além disso, todo esse universo produz intelectualmente trabalhos sobre a área de marketing, seja como trabalhos de conclusão de curso, seja como trabalhos de atividade meramente acadêmica. Então eu acho que esse é um segmento que hoje a ADVB carece abraçar, a produção intelectual. Pois hoje todos os nossos prêmios são operacionais, são resultado de prática. Então, nós premiamos a personalidade, top de marketing, a responsabilidade social, mas não premiamos a produção intelectual de Santa Catarina na área de marketing. Eu acho que esse seria o grande desafio da ADVB em um futuro próximo.

 

Qual o papel do consumidor no estímulo à adesão dos pilares do ESG – ambiental, governança e social?

O que em um passado era uma conotação de opção empresarial, hoje passou a ser um pré-requisito de exigência empresarial. Hoje nós já temos condutas de mercado consumidor, que se apresentam de uma certa forma com resistência a empresas que não tenham essas práticas no seu perfil de atuação. O mercado consumidor teve um crescente em termos de percepção da sua necessidade, da sua exigência, e da sua carência, como consumidor, e hoje ele não é mais um agente passivo, ele é um agente extremamente ativo. O histórico de empresas que fecharam suas portas por não terem adotado princípios dessa natureza é muito grande. Assim como nós temos empresas que hoje atuam no mercado internacional inclusive, com grande nível de aceitação, pela sua prática de responsabilidade. A empresa, ou se adapta a essa realidade, ou vai ter grande possibilidade de insucesso no mercado que detém, e que tenha conquistado. Veja nossa expressão, entender o mercado e atender, e você não tem como fugir disso. Você não tem como mais ser omisso, ou pensar que isso não tem conteúdo, não tem validade, não tem densidade, ao contrário, tem uma densidade bruta. O consumidor hoje é uma unidade, seja ela exclusiva ou coletiva, e não admite mais as circunstâncias de inoperância, incompetência ou incapacidade organizacional. Não aceita mais. Então essa premiação é uma premiação extremamente oportuna, mas oportuna não só por vontade do empresário, mas por uma crescente competência do mercado consumidor.

 

A integridade das ações das empresas nas práticas ESG são necessárias, interna e externamente. O senhor pode nos falar sobre?

As práticas de responsabilidade da organização são frequentes. Você não pode criar nessas práticas uma dicotomia. Entre a organização internamente, e a sua prática externa. Essa dicotomia não existe. Você tem que ser tão responsável internamente quanto você é externamente. Eu não posso ser um escravista e querer tratar bem o meu cliente. Eu não posso não ter política ambiental interna e querer externamente ser um aparente praticante de proteção ambiental. E eu não posso culturalmente ignorar os esforços dos meus colaboradores e dizer que eu vou apoiar eventos culturais e sociais fora da organização. Essa dicotomia não existe, essa é uma prática única. E eu acho que essa premiação tem que levar em consideração isso. A prática interna da empresa, qual é? É correto com a suposta prática externa que ela está apresentando? Nós temos legislação e responsabilidade externas que são cada vez mais exigentes, e nós temos responsabilidades internas que o mercado exige internamente também, com políticas mais adequadas de desenvolvimento dessa área dentro da organização. Então não há como separar isso. E é uma tendência crescente, isso aí é inevitável. Felizmente, é inevitável.

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