Ser nômade digital exige mais que um notebook. O texto analisa o custo invisível da falta de infraestrutura global e como blindar sua operação profissional no exterior.
Não é anormal ver pessoas cada vez mais interessadas em trabalhos remotos. A ideia de atuar na sua área no conforto do lar ou com total liberdade para ir e vir parece tentadora. Há uma crescente demanda por trabalhos remotos por parte da população brasileira, que se acomoda cada vez mais com as novas tecnologias.
Um levantamento realizado pelo Google Trends evidenciou que as buscas por “trabalho remoto” cresceram 1.570% nos últimos 5 anos e por “nômade digital” cresceu 240% nos últimos 3 anos. Enquanto isso, a Forbes Brasil trouxe a informação de que o volume de nômades digitais deve chegar a 1 bilhão até 2035.
O trabalho nômade do brasileiro mundo afora
A nova modalidade de trabalho, aderindo às agências e Big Techs tem ganho o mundo. No entanto, há problemas relacionados a isso que não costumam ser mencionados. Existe um foco excessivo no equipamento moderno e tecnológico e grande negligência com o “hardware humano”.
Ter um plano de saúde internacional, equipamentos modernos e cursos de idiomas em dia deixa de ser uma escolha. Tudo isso vira uma necessidade para focar na liberdade de trabalhar enquanto viaja.
Problemas de saúde no exterior costumam gerar custos elevados e insegurança. Eles causam estresse emocional e financeiro para os viajantes. Para quem passa longos períodos fora, a falta de planejamento nessa área costuma ser um dos principais pontos de fragilidade do nomadismo digital.
Atuar como nômade digital hoje envolve uma estrutura complexa. Apesar de ser algo que pode gerar realização pessoal, é preciso cuidado.
O verdadeiro custo da liberdade não é a passagem, mas a infraestrutura invisível que garante que a operação não sofra um downtime catastrófico. Sair do seu país de origem para conhecer o mundo e arriscar a vida em outros lugares é uma grande aventura.
Comunicação de baixa latência: o inglês como protocolo de resiliência
O grande gargalo hoje para o trabalho de nômade digital se dá devido à abismos linguísticos. Um estudo realizado pelo British Council mostrou que apenas 5% dos brasileiros têm conhecimentos do idioma inglês. Enquanto isso, só 1% é considerado fluente.
Na hora de conseguir atuar em trabalhos de home office é preciso ter o traquejo necessário. Isso significa que não basta ser um profissional competente, mas também importa conseguir estabelecer boa comunicação. Para participar de reuniões, projetos e apresentar propostas você precisa dominar o idioma que é utilizado pelo seu cliente.
A melhora na conversação em inglês é o melhor caminho para atuar como nômade digital sem dificuldades. O inglês hoje se enquadra como “língua universal” ou “língua franca” no mundo. Assim, saber falar esse idioma é também investir em uma comunicação funcional ao redor de todo o globo.
Gestão de riscos físicos: se prevenir não deixa de ser uma opção
Para viver como nômade digital você tem que estar pronto para enfrentar as possíveis dificuldades das atividades exigidas desses trabalhadores. Adversidades são comuns quando se está em um país novo, mas se prevenir não deixa de ser uma opção. Por isso, se preparar com antecedência para imprevistos é o caminho mais recomendado.
Saindo do Brasil um dos maiores choques é relacionado à saúde. A ausência de um Sistema Único de Saúde como o SUS traz imprevistos e problemas. No entanto, a solução a esse problema vem com contratações de planos de saúde internacionais.
É preciso compreender que existe uma grande diferença entre seguro viagem e planos de saúde internacionais. Enquanto o primeiro abrange um período curto e é muito mais básico, focado em turistas, o segundo foca em pessoas que querem passar mais tempo no local.
Ao adquirir um bom plano de saúde internacional o indivíduo poderá usufruir de atenção médica contínua por um prazo longo que pode chegar a 1 ano. Para quem planeja atuar de forma nômade, viajando por diferentes países e aproveitando trabalhos flexíveis, esse é um recurso indispensável mesmo que muitas vezes ignorado.
A logística por trás da entrega de alta performance
Para o mercado de tecnologia e agências, o profissional não é avaliado apenas pelo código, mas pela sua capacidade de manter o sistema rodando. Considerar-se parte integrante do negócio e ecossistema da empresa é perceber que, se um profissional falhar, todo o sistema falhará.
Uma empresa, principalmente se grande, espera que seus funcionários estejam em boas condições físicas, emocionais e financeiras. Apesar disso, seus integrantes não devem ser dependentes dela, portanto, as big techs não irão fornecer tudo de graça para seus profissionais. É preciso correr atrás dos recursos e benefícios que você quer usufruir.
Grandes empresas, que atendem a um público de elite, exigem que seus funcionários sejam prevenidos. Um plano de contingência se torna obrigatório nessas situações e a ideia de “custo zero” na vida de nômade cai por terra. É preciso, acima de tudo, estar preparado para a performance que será exigida.
O ROI da infraestrutura global para profissionais digitais
O chamado ROI, sigla para Return on Investment (Retorno do Investimento em tradução livre), é fundamental para quem deseja ter independência financeira e flexibilidade de trabalho. Atuar no meio tech enquanto migra entre países pode ser um grande desafio porque não basta ter conhecimentos técnicos.
É preciso investir em equipamentos de última geração, cursos de idiomas, planos de saúde, passagens e meios de transporte. Antes de se tornar um nômade digital, você deve colocar cada um desses aspectos na ponta do lápis.
Claro que ser nômade digital não necessariamente trará prejuízos. Se você conseguir administrar seus fundos e garantir boas oportunidades de trabalho, com certeza conseguirá equilibrar tudo com facilidade. No entanto, é necessário conferir se as suas necessidades estão realmente equilibradas.
Um bom profissional é capaz de gerir seus próprios riscos, administrar seus fundos e lidar com imprevistos. Antes de se jogar no mundo dos nômades digitais você deve estar em boas condições para isso.
Investir na sua liberdade não deve ser uma decisão precipitada. Atuar trabalhando digitalmente enquanto conhece o mundo não é má ideia, mas algo que deve ser feito com cuidado.
Consolidando uma estrutura mínima para sustentar esse estilo de vida
Para trabalhar como nômade digital, você deve ter todos os equipamentos necessários. Isso é: fluência em outros idiomas, segurança financeira, planos de saúde, equipamentos adequados e outras coisas. Cada um desses pontos irá te “cotar” como um brasileio ainda mais valioso e com mais oportunidade de sucesso.
Diante de um mercado tão competitivo como o atual, é preciso sempre se destacar. A sua segurança e comunicação já não são mais apenas “extras”, se tornaram o alicerce da sua carreira como nômade digital.
Viajar como um turista com um notebook não é o mesmo que viver o estilo de vida de nômade digital. No primeiro caso você aproveita mais lazer e tem menos preocupações. No segundo caso, você está investindo em uma nova forma de viver e se aventurar pelo mundo.
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