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Agtechs catarinenses ganham espaço e ampliam impacto no agronegócio
25 de Junho de 2026

Agtechs catarinenses ganham espaço e ampliam impacto no agronegócio

Mapa do Agro Catarinense destaca avanço das agtechs e expansão de soluções digitais para o campo

Santa Catarina consolidou nos últimos anos um ambiente favorável à inovação no agronegócio, combinando a força de sua produção agropecuária com um dos ecossistemas de tecnologia mais desenvolvidos do país.

Essa é uma das conclusões da segunda edição do Mapa do Agro Catarinense, estudo lançado pela Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC) que reúne indicadores econômicos, produtivos e de inovação para retratar a relevância do setor na economia estadual.

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Além de apresentar dados sobre geração de emprego, arrecadação, comércio exterior e desempenho das cadeias produtivas, o relatório dedica um capítulo à transformação tecnológica do campo. O levantamento evidencia o papel crescente das agtechs — startups voltadas ao agronegócio — na modernização das atividades rurais, no aumento da produtividade e no desenvolvimento de soluções mais eficientes e sustentáveis para produtores e empresas do setor.

O estudo mostra que Santa Catarina abriga atualmente 85 agtechs, o equivalente a 5% do total nacional, ocupando a sétima posição entre os estados brasileiros. O estado conta com o segundo maior ecossistema de startups do país, com mais de 2,2 mil empresas mapeadas pelo Sebrae, criando um ambiente propício para o crescimento de negócios voltados ao agronegócio.

Outro destaque é a vocação catarinense para o desenvolvimento de soluções digitais. Os softwares, como plataformas, sistemas e aplicativos, representam 42% dos produtos oferecidos pelas agtechs do estado, percentual que coloca Santa Catarina na quarta posição nacional nesse segmento. O levantamento aponta ainda que a maioria dessas empresas atua no modelo de assinatura recorrente (SaaS) e direciona suas vendas para o mercado corporativo, contribuindo para a digitalização das cadeias produtivas.

O desempenho financeiro dessas startups também chama atenção. Segundo o relatório, as agtechs catarinenses apresentam percentuais de faturamento superiores à média brasileira em todas as faixas de receita analisadas. Para os organizadores do estudo, o resultado demonstra a maturidade do setor e a capacidade das soluções desenvolvidas no estado de gerar valor econômico, conquistar mercado e ampliar sua participação na transformação do agronegócio brasileiro.

Futuro do setor

O mapa aponta que a inovação deixou de ocupar um papel complementar no campo e passou a ser uma condição para a competitividade do setor. A digitalização, a automação e o uso intensivo de dados aparecem como respostas a desafios estruturais do agronegócio, como a escassez de mão de obra, a necessidade de maior eficiência produtiva e a profissionalização da gestão rural.

O relatório mostra que as agtechs catarinenses já atuam em diferentes etapas da cadeia produtiva, com soluções voltadas ao manejo, à rastreabilidade, à logística, à automação, à gestão de propriedades e ao desenvolvimento de insumos de maior desempenho. A atuação combina a base tecnológica do ecossistema catarinense com as vocações produtivas das regiões do estado.

A distribuição territorial das agtechs também revela essa conexão entre inovação e cadeias locais. Florianópolis concentra 43% das startups do setor, impulsionada pela presença de empresas de software, inteligência de dados e modelos SaaS. Lages aparece na sequência, com 10%, seguida por Chapecó, com 5%, e por Concórdia, Araranguá e Joinville, com 4% cada. Apesar da liderança da capital, o Oeste se destaca pela capilaridade, com startups presentes em pelo menos dez municípios e soluções aplicadas à automação, logística e operação de cooperativas.

O relatório também identifica perfis regionais distintos. No litoral, predominam soluções digitais, plataformas e inteligência de dados. No Oeste, a tecnologia aparece mais conectada à operação das agroindústrias e cooperativas. No Vale do Itajaí, ganham espaço iniciativas em IoT e hardware, enquanto a Serra concentra aplicações ligadas à biotecnologia e ao monitoramento de rebanhos.

“Os dados do Mapa do Agro mostram que Santa Catarina não apenas desenvolve tecnologia para o campo, mas consegue transformar essa inovação em negócios sustentáveis e escaláveis”, destaca Valder Zacarkim, Diretor da Vertical Agtech da ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia). “O desempenho das agtechs em faturamento demonstra que as soluções criadas no estado estão sendo validadas pelo mercado e gerando impacto efetivo nas cadeias produtivas.” 

A Vertical Agtech da ACATE, cujo papel é destacado no relatório, reúne 47 empresas e atua na conexão entre startups, grandes companhias do setor e instituições como a Epagri. A articulação busca acelerar a adoção de tecnologias já em operação no agronegócio catarinense. Entre elas estão inteligência artificial prescritiva para apoio ao manejo diário, blockchain para rastreabilidade e atendimento a exigências ESG internacionais, drones autônomos voltados à operação em áreas de encosta, além de soluções em biotecnologia e nanotecnologia para o desenvolvimento de insumos de alta performance.

O Mapa cita exemplos como a Lognex, que atua com eficiência logística e mapeamento de malhas rodoviárias; e a Revella, reconhecida entre as principais agritechs do país no Top 100 Open Startups, com aplicação de nanotecnologia em fertilizantes e bioinsumos.

Economia catarinense

Os avanços em inovação retratados pelo Mapa do Agro Catarinense ocorrem em um setor que já ocupa posição estratégica na economia do estado. Segundo o relatório, o agronegócio movimentou cerca de R$ 144 bilhões em 2023, o equivalente a 35% de toda a economia catarinense. O desempenho coloca Santa Catarina na quinta posição entre os estados brasileiros e representa aproximadamente 6% de toda a produção agropecuária nacional.

A relevância do setor também se reflete no mercado de trabalho. Em 2025, o agronegócio reuniu cerca de 1,6 milhão de trabalhadores, entre empregos formais e informais, o que corresponde a 36% dos postos de trabalho existentes em Santa Catarina.

No comércio exterior, o setor segue como principal força das exportações catarinenses. Em 2025, as vendas internacionais do agronegócio alcançaram US$ 8,4 bilhões, representando 70% de tudo o que o estado exporta. Já as importações somaram US$ 7,4 bilhões, reforçando o papel de Santa Catarina como um importante polo de processamento e transformação de produtos agroindustriais.

Descarbonização e IA acessível

Ao projetar os próximos movimentos do setor, o relatório aponta três direções para o agro catarinense. A primeira é a hiperautomação, com monitoramento remoto e conectividade resiliente, inclusive em áreas com infraestrutura limitada. A segunda é a descarbonização associada à geração de valor, com rastreabilidade, gestão de emissões e resíduos, e participação em mercados de carbono. A terceira é a democratização da inteligência artificial, com soluções capazes de chegar tanto às grandes agroindústrias quanto aos pequenos produtores.

Com esses elementos, o relatório posiciona a inovação como parte da estratégia de desenvolvimento do agronegócio catarinense. Além de ampliar produtividade, as tecnologias mapeadas indicam novos caminhos para competitividade, sustentabilidade e geração de valor em uma cadeia que já ocupa papel central na economia de Santa Catarina.

“Santa Catarina reúne uma combinação rara entre força agroindustrial e maturidade do ecossistema de tecnologia. Essa convergência permite que tendências como inteligência artificial, rastreabilidade, automação e biotecnologia cheguem ao produtor de forma mais rápida, contribuindo para que o estado siga como referência nacional em inovação aplicada ao agronegócio”, conclui Valder Zacarkim, da Vertical Agtech da ACATE.

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