Publicidade
Mais vale um dia sem compras sincero do que um dia de falsos descontos
03 de Dezembro de 2013

Mais vale um dia sem compras sincero do que um dia de falsos descontos

Publicidade
Twitter Whatsapp Facebook

Quem não tem competência para criar, tem que ter coragem de copiar. Mas que seja bem feita. Digo isso porque acompanhei, na semana passada, todo o barulho feito em torno das mega promoções das lojas sob a denominação de Black Friday, uma versão tupiniquim da última sexta-feira de novembro, posterior ao dia de Ação de Graças, comemorada pelos norte-americanos com liquidações em lojas de departamentos. O resultado, e me perdoem o trocadilho, foi muito mais desconto para inglês ver do que redução de preço de fato.

A começar pela própria definição da ação promocional de Black Friday, uma vez que no Brasil não há a tradição em se comemorar o dia de Ação de Graças, ao contrário do que acontece historicamente nos Estados Unidos – lá ocorre na quarta quinta-feira de novembro em agradecimento aos acontecimentos ocorridos no ano, daí o nome Thanksgiving Day. Segundo porque nem tudo o que se promete em descontos por aqui de fato se pratica. Prova disso são as mais de 8,5 mil reclamações registradas pelo site Reclame Aqui somente em 2013.

Publicidade

Mas nem todo mundo pensa assim. As vendas esse ano cresceram 95% em relação ao ano passado e movimentaram R$ 424 milhões no e-commerce brasileiro. O comparativo feito com dados da ClearSale mostra que em 2012 o faturamento foi de R$ 217 milhões, contra R$ 100 milhões em 2011 e tímidos R$ 3 milhões em novembro de 2010. A título de comparação da importância e das verdadeiras promoções realizadas pelas lojas norte-americanas, as vendas esse ano nos Estados Unidos atingiram US$ 1,93 bilhão, de acordo com a Adobe.

A maquiagem nos preços foi a principal reclamação dos compradores, reforçando o resultado da pesquisa realizada pelo Programa de Administração de Varejo (Provar/FEA-USP), que analisou ano passado 1.700 produtos e mostrou que somente 48 deles tiveram, de fato, redução no preço no dia do evento. Isso só reforça o que escreveu a Revista Forbes, de que a Black Friday no Brasil “é mais uma oportunidade de enganar os compradores ávidos e felizes por participarem de uma tradição americana que lhes parece tão distante quanto a Lua”.

Outras táticas comuns foram a elevação de preços nos dias que antecederam a promoção, sites que deixaram de funcionar e impediram as vendas e acréscimo desproporcional ao frete dos produtos. Por tudo isso, eu não acredito em Black Friday e prefiro copiar de forma literal o Buy Nothing Day (Dia Mundial Sem Compras), promovido pela organização canadense AdbusterMedia, realizado no mesma sexta-feira de novembro de todos os anos. Afinal, mais vale um dia sem compras sincero do que um dia de falsos descontos.

Publicidade
Publicidade