por Heitor Blum S.Thiago*
As tecnologias de informação e comunicação (TICs) estão difundidas de tal forma que aprender informática, saber se relacionar nas redes sociais e dominar alguns softwares se tornaram pré-requisitos básicos no atual mercado de trabalho. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) divulgada em 2013 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que 53% dos brasileiros não têm acesso à internet. São os excluídos digitais, um grande contingente de trabalhadores que está à margem da sociedade.
Dois fatores são os principais responsáveis pelo grande número de excluídos digitais no Brasil: a falta de recursos financeiros para comprar computadores e pagar uma mensalidade de provedor de internet; e a ausência de uma infraestrutura de acesso à internet em inúmeras regiões do país, o que inviabiliza o uso da rede mesmo àqueles que têm condições para comprar um computador.
Uma pesquisa realizada pelo historiador e advogado Victor Hugo Pereira Gonçalves, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), propõe que o acesso à internet seja considerado um direito fundamental. Com sua tese de mestrado Inclusão Digital como Direito Fundamental, ele ressalta que o uso dos computadores pode ajudar a conquistar os demais direitos pois a internet ajudará essas pessoas à se informarem, a se comunicarem e fiscalizarem seus outros direitos. Sem contar outras inúmeras facilidades como a marcação de consultas online, uso de serviços públicos, bancários, compras etc.
Com a inclusão digital, há um empoderamento da população de baixa renda, que pode, por meio do ‘techativismo’ organizar passeatas, palestras e gerar um engajamento maior no seu bairro, cidade, até país. O poder de organização e disseminação das redes sociais já mostrou sua força com a convocação massiva para as passeatas de 2013, principalmente nas capitais brasileiras.
A exclusão digital também afeta diversos municípios e comunidades carentes em Santa Catarina, e este é o foco do Comitê para Democratização da Informática de Santa Catarina (CDI-SC), que há 12 anos tem se dedicado a levar a quem precisa – e pode ter muitas oportunidades de trabalho e renda – cursos de informática, cidadania e empreendedorismo. Para aproximar ainda mais a população da internet, o Comitê mantém 43 espaços de informática abertos para a população em 20 municípios do estado. Somente em 2013, 1077 alunos foram capacitados pelo CDI-SC, e a expectativa é contar com a participação de mais comunidades que necessitem desta importante ferramenta de cidadania que é a inclusão digital.
*Heitor Blum S.Thiago é presidente executivo do Comitê para Democratização da Informática de Santa Catarina.

