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Professor universitário e redator publicitário, ao contrário do criativo gaúcho, diz que não fica
09 de Janeiro de 2006

Professor universitário e redator publicitário, ao contrário do criativo gaúcho, diz que não fica

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09-01-2006
Pessoal, Eu não fico. Pra bem mais de cinco meses, completei um ano em Florianópolis. Vim tentar complementar minha carreira acadêmica e mostrar meu trabalho publicitário ao mercado. Igual ao Zeca, tive alguns desapontamentos, tanto nos cursos de pós-graduação que iniciei como nos contatos, poucos aliás, que consegui com publicitários da região. Reconheci um mercado ainda bastante imaturo, sobrevivendo justamente às custas de relacionamentos mais frutos de convívio social que do convívio profissional. Sofrendo a concorrência desleal entre mídias e "eugências", e emperrado por núcleos fechados de verbas públicas e preferências a empresas externas, algumas vezes por status, outros por exigência profissional. Embora isso seja normal em qualquer mercado, tais núcleos convivenciais acabam predominando de forma patológica. Do meu diagnóstico, creio que a questão geográfica da ilha, suas distâncias e limitações, impedem um fluxo eficaz tanto de pessoas como de negócios. Não vejo solução dentro da ilha, mas apenas na Grande Florianópolis. Inclusive com a mudança necessária de escritórios para o continente, sem esquecer da necessidade premente de uma melhor infraestrutura viária. Publicidade vive da visibilidade das mensagens e da facilidade de acesso a eventos e mercadorias. Túneis e trens são essenciais ao florescimento da ilha, bem como mais opções de acesso ao continente. O relevo concorre em demasia com as mensagens publicitárias. Não é a toa a enorme aposta nos centros de compras. Não há virtualidade nisso. Enfim, o mais positivo que vi no mercado foram justamente tentativas assíduas de profissionálizá-lo a partir de iniciativas como as do site acontecendoaqui, outros similares e eventos dirigidos. Os Guias Listel chegaram, tarde mas chegaram, é um bom presságio. ?? uma questão de tempo, alguns anos ainda para haver a integração necessária entre ilha e continente. E também acho positiva a atitude do Zeca em apresentar seu otimismo beirando ao ufanismo. Mas não podemos deixar de ser práticos, a publicidade depende do mercado, e não o contrário. Enquanto Florianópolis não se assumir capital e metrópole, investindo seriamente no turismo e no comércio, além da especulação imobiliária desconexa com as necessidades populacionais, a publicidade vai ficar como está: uma questão de vontade pessoal entre amigos.
Feliz 2006 a todos.

Antonio Valter Kuntz
Professor Universitário
Redator Publicitário

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