Se você se gosta de propaganda com ideia, emoção e engajamento irá se deliciar com esta que mostramos a seguir. O vídeo faz parte dos guardados do saudoso Emílio Cerri, publicitário que trabalhou na agência JMM, que assina a criação desse comercial icônico da propaganda brasileira.
A peça fez parte de uma campanha veiculada pelo extinto Banco Nacional em comemoração ao Natal de 1971 que usava uma trilha sonora que marcou aquela geração, pois foi reutilizada por vários anos, sempre com roupagem nova. Se você é daquela época, vai se recordar do rosto de cada criança que participou do coral. Quem conta melhor esse case é o Emílio Cerri, que desafia o leitor a adivinhar quem é o locutor nesse comercial ([email protected]). Confira:
“No meio dos anos 60, quatro jovens paulistas chegaram a Brasilia e abriram a primeira agência realmente criativa do DF, o Grupo Jovem. Lula Vieira (redator), Marcelo Martinez Ramos (diretor de arte), Ataide Rodrigues Lopes (produtor e atendimento) e Dario Miotto (administração). Poucos meses após a inauguração eu me associei a eles. Um dos bons clientes era o Magazine Slaviero, uma loja de departamentos. Para o Natal de 1969 resolvemos propor um jingle. Lula e Ataide, que estavam em São Paulo, visitaram o compositor e jinglista Edson “Passarinho” Borges para encomendar o trabalho. Mas o Passarinho tocou pra eles uma música recém criada que poderia fazer parte de um disco de músicas natalinas: “Quero ver você não chorar…”. Bingo! Aquilo era sensacional. Negociamos e apresentamos. Acredite, foi recusado. Queriam algo mais varejão, mais jingle bells.
Em 1971 estávamos no Rio, juntos, na criação da agência JMM. Coube a mim e ao Marcelo um job do Banco Nacional (Chico Socorro atendia a conta). Era uma campanha para valorizar os gerentes. Criei um personagem, José (o nome do presidente do banco era José de Magalhães Pinto), interpretado pelo ator e humorista Mauro Gonçalves, mais tarde consagradao como o Zacarias dos Trapalhões. Ele era o gerente bonzinho, que ajudava o cliente a materializar seus sonhos. Assinava com a mensagem “José, você é um santo!”. Acho que foram produzidos quase uma dúzia de comerciais (Lula era o diretor de criação, o Chico Abréia era o produtor da agência. O Abréia praticamente foi morar na PPP – Persin Perrin Produções Cinematográficas dos sócios René Persin e Hubert Perrin – para supervisionar a realização da série). Para o último filme, a cores, com veiculação no Natal, criamos o José regendo um coral de crianças. Roteiro aprovado, mas qual trilha musical usar? Então explodiu a ideia de usar aquele jingle do Passarinho. O resto é história.”
