08/07/08
O que concentra a disputa é o domínio da Globosat, que domina o fornecimento de conteúdo nacional para as TVs por assinatura
- A batalha da vez envolve produtores independentes e TVs abertas versus a TV paga. O projeto do Deputado Jorge Bittar (PT-RJ) que prevê a criação de cotas de canais e conteúdo nacional está causando polêmica.
Segundo o AdNews, de um lado, grupos como Abril, Band e Record afirmam que o projeto vai estimular a concorrência na TV paga brasileira e vão criar um espaço, ainda que pequeno, para as produtoras que hoje encontram dificuldades para entrar no setor. Do outro, a Globo, que vê no projeto o encarecimento do serviço e a possível falta de qualidade da programação.
O que concentra a disputa é o domínio da Globosat, que domina o fornecimento de conteúdo nacional para as TVs por assinatura com seus canais de notícias e esportivos. A concentração se repete também nos dois grupos que distribuem o serviço no Brasil. 80% desse mercado é controlado pela Net (associação entre a Globo e o mexicano Carlos Slim) e Sky (controlada pelo grupo americano Liberty Media, com participação da Globo).
O mercado atual está crescendo. Estima-se que hoje dos R$ 8 bilhões anuais do bolo publicitário, 90% se concentre na TV aberta. O risco de prejuízo é grande, já que previsões dão conta de que com a entrada em vigor da legislação atual o número de assinantes salte dos pouco mais de 5,3 milhões hoje para 18 milhões em 2018.
A Globo diz que aprova o projeto, mas não nos termos em que ele está escrito atualmente. As TVs costumam citar que o faturamento do setor no Brasil gira na casa dos R$ 10 bilhões anuais, enquanto as teles faturam cerca de R$ 140 bilhões e teriam, assim, um poder econômico muito maior para dominar o mercado no futuro. ?? uma batalha que ainda vai dar muito o que falar.
