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Conversamos com Jaisson Pepes, Diretor de Criação da Quadra Comunicação
26 de Outubro de 2010

Conversamos com Jaisson Pepes, Diretor de Criação da Quadra Comunicação

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Ele fala sobre seu trabalho, concorrência e das propostas da Santa Chapa CCSC.

26/10/2010 –

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AcontecendoAqui – Quem é Jaisson Pepes? De onde vem? O que estudou?

J.P. – Manezinho da Ilha, formado em Publicidade e Propaganda pela Unisul e pós-graduado em Estratégias em Propaganda pela Estácio de Sá.

AAqui – Qual sua trajetória no mundo da propaganda?

J.P. – Iniciei como todo mundo: fazendo estágio e ralando bastante. Comecei como estagiário de redação na Target e depois fui para a D/Araújo.Loducca. Tive uma rápida passagem pela Macaia, que hoje, infelizmente, não existe mais, e retornei à D/Araújo.Loducca. Depois fui trabalhar na PrimeBrasil, saindo de lá para a DBS, onde fiquei à frente de uma equipe de criação pela primeira vez. Em julho de 2009, vim para Quadra, depois de um convite do Saulo Silva, para fazer parte de um projeto de reestruturação da agência, com outros excelentes profissionais, o que me deixou muito feliz e extremamente empolgado. Um projeto que tem a direção do Saulo e do Daniel Silva e já está colhendo grandes resultados, como as conquistas da Votorantim Cimentos, Votomassa e Tigre-ADS (empresa criada pela Tigre e a ADS, empresa americana líder mundial na fabricação de produtos de PEAD para drenagem).

AAqui – Qual é a estrutura de criação na Quadra hoje?

J.P. – Na Quadra, não utilizamos o estilo padrão de duplas fixas. As duplas, os trios, ou seja lá o que for necessário, só são definidas depois que o job é analisado. Isso é muito bacana, porque um redator pode trabalhar com dois, três diretores de arte diferentes numa mesma semana, e vice-versa. Essa forma de trabalho traz mais liberdade para a equipe e agilidade. Além disso, aqui todo mundo se mete, no bom sentido, no trabalho do vizinho. Acreditamos que, quanto mais pessoas contribuírem, melhor será o resultado final. Mas, isso só é possível com uma equipe comprometida e qualificada como a nossa. Uma equipe que não dá espaço para o ego e tem como foco o resultado dos clientes. No momento, a criação da Quadra é composta por 10 profissionais com formação em artes plásticas, comunicação, design, publicidade e letras.

AAqui – Você é diretor da criação de uma agência que tem na carteira duas marcas poderosas: Tigre e Votorantim. ?? mais fácil realizar bons trabalhos para eles?

J.P. – Trabalhar para empresas como Tigre e Votorantim e poder ajudar na construção e no desenvolvimento de suas marcas é algo excepcional para qualquer profissional. São duas multinacionais brasileiras líderes no segmento em que atuam e que exigem muita qualidade. A parceria da Quadra com a Tigre está prestes a fazer 11 anos, agora em novembro, e acumula muitos resultados positivos. A relação com o Grupo Votorantim iniciou-se este ano, mas já possui importantes cases, como o lançamento nacional dos novos produtos da Votomassa, linha de argamassas, e a campanha para o Cimento Votoran, no Rio de Janeiro. ?? claro que, se formos comparar a questão de verba, esses clientes possuem muito mais condições e cultura de investimento, o que possibilita a produção de materiais diferenciados.

AAqui – Com alguma frequência agências catarinenses têm usado fornecedores de outros Estados. O que eles têm que os catarinenses não têm?

J.P. – Bom, primeiramente o importante é a qualidade do trabalho. Não interessa se o fornecedor é de São Paulo ou do Itacorubi. O que importa é a qualidade do trabalho que ele entrega. E é isso que buscamos aqui na Quadra. Sempre que temos um trabalho a ser produzido, procuramos selecionar um fornecedor específico para aquele tipo de serviço. Não nos preocupamos se ele é daqui ou de outro Estado, apenas nos preocupamos com a qualidade do serviço. Não é porque o cara é de fora que vai ter um trabalho melhor, até porque, nos últimos anos, nossos fornecedores evoluíram muito.

AAqui – Qual o grau de concorrência que agências do Paraná e do Rio Grande do Sul exercem em Santa Catarina?

J.P. – Santa Catarina é um Estado rico em indústrias, com grandes anunciantes, e isso desperta o interesse em agências dos estados vizinhos. Vejo isso com naturalidade e como um motivo para o nosso mercado se profissionalizar e qualificar cada vez mais. E, se eles podem vir aqui, nós também podemos ir lá e atender clientes oriundos dos seus estados, por quê não?

AAqui – A forma de fazer propaganda está mudando a cada dia. Novas mídias, novos consumidores, novos desafios. Como vocês da Quadra estão encarando essa realidade?

J.P. – Aqui na Quadra, possuímos uma equipe multidisciplinar e totalmente antenada às mudanças. Atendimento, planejamento, mídia e criação estão sempre juntos pensando na melhor forma de atingir os clientes dos nossos clientes. Além disso, estamos em constante atualização, participando de cursos e mantendo importantes parcerias. Sabemos que, para falar com os consumidores, temos de ir além das mídias ditas tradicionais. Hoje uma pessoa normal recebe 10 mil mensagens comerciais por semana. ?? preciso que a comunicação do seu cliente seja uma das poucas que ele guarde na memória. Para isso, temos que inovar e falar com o consumidor onde ele menos espera e, consequentemente, está mais aberto às mensagens publicitárias. As novas mídias são, do nosso ponto de vista, uma ótima realidade e com grandes oportunidades para nossos clientes.
 

AAqui – O que você acha de certas pessoas que postam comentários denegrindo o trabalho das agências catarinenses, indiscriminadamente?

J.P. – A partir do momento em que abrimos espaço para comentários, temos que esperar qualquer coisa. Mas, isso não é um mal apenas do nosso mercado. Basta entrar no site do CCSP, por exemplo, para ver um monte de gente metendo o pau nos trabalhos de lá também. Tanto lá como aqui, vejo esses comentários como um exercício de quem não têm o que fazer. O engraçado é que nesses posts, nunca vejo o nome de alguém que conheço. São sempre gênios desconhecidos ou medrosos que se escondem atrás de algum pseudônimo.

AAqui – Você foi um dos primeiros a ser convidado pelo Padilha para fazer renascer o CCSC que teve incentivo e apoio total do AcontecendoAqui. O que o motivou a isso?

J.P. – ?? bacana deixar claro que esse retorno não se iniciou com o Padilha, que é um amigo e quem admiro muito. Ele vinha amadurecendo já há algum tempo, até com o acontecimento de alguns encontros. Mas, as coisas só esquentaram mesmo quando o Adir Mazzuco, presidente da Inca e diretor do Sinapro, chamou alguns profissionais de criação que tiveram peças premiadas no 4º Prêmio Catarinense de Propaganda para discutir sobre a produção do anuário. Nessa reunião, ele expressou a necessidade do mercado de ter o retorno do CCSC e, se tivéssemos essa mobilização, o anuário seria tanto do Sinapro quanto do CCSC, além do Sindicato dar todo apoio necessário ao Clube. Foi o pontapé inicial que precisávamos para a galera se mexer. Algumas reuniões depois, decidimos por unanimidade que o Padilha seria o presidente interino do Clube. Com a sua saída do nosso mercado, o Alexandre Guedes, vice-presidente, assumiu o cargo.   
 

AAqui – Hoje você é integrante da Santa Chapa que vai concorrer às eleições do CCSC. Quais as principais propostas da chapa?

J.P. – Temos como objetivo ajudar no fomento do mercado, apoiando e desenvolvendo eventos com a participação de grandes profissionais, como os Night Clubes. Estamos buscando ainda oferecer benefícios aos associados, pois uma coisa é clara: ninguém se associa a algo se não tiver algum benefício. Por isso, estamos estudando formas de conseguir descontos em eventos, livrarias, restaurantes e bares. Mas, isso é mais difícil de se viabilizar do que se imagina. Do meu ponto de vista, o mais importante a ser planejado pela Santa Chapa é a criação de um prêmio próprio. Um festival realizado por criativos para criativos.

AAqui – Pelo que se sabe, há apenas a chapa de vocês. Você acha que apenas uma chapa não é falta de interesse dos criativos pelo Clube?

J.P. – Acho, o que é uma pena. Gostaria que tivéssemos duas, três chapas concorrendo. Dessa forma, os sócios poderiam analisar e votar na chapa que acreditam ter as melhores propostas. Penso que a disputa sempre traz benefícios para todos. Mas ainda temos tempo, quem sabe alguém se inscreva.

AAqui – Você compartilha do ditado que todo publicitário tem um ego enorme, acima do normal?

J.P. – Certa vez, um publicitário, cansado da mediocridade dos outros mortais, resolveu se matar para encontrar alguém tão bom quanto ele. Subiu no alto do seu ego e pulou sem medo, mas, ao contrário do que os amigos pensaram, ele não morreu ao bater no chão. Morreu de fome, no meio do caminho.

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