por Christiane Santoro Balbys*
As transformações que assistimos nos hábitos de consumo da informação são a evolução natural do nosso jeito de comunicar num mundo provido de tecnologia. Até aí, nada foge ao script que nos colocou a discutir a internet das coisas. Numa conversa entre especialistas em comunicação corporativa, percebi muitos dedos no tom crítico sobre a disruptura e a nova ordem estabelecida. Mas foi inevitável. Não demorou muito para alguém dizer que a relevância sempre foi premissa para a comunicação, do PR à Propaganda. Afinal, não há nada que se possa vender sem que importe ao outro, de uma pauta a um produto ou serviço. E a pergunta que não cala é: por que algo sempre pode dar errado? Quando o mais astuto estrategista, o sujeito mais criativo acredita ter o domínio sobre o desejo das pessoas, a armadilha está pronta para aprisionar o sucesso de sua comunicação e de tudo que vem antes dela. Assim é na vida, quem sabe tudo, não conhece a si.
Então, não há nada de novo, exceto pela tecnologia a serviço da nossa inteligência? E o pior: ainda somos iguais, porque o bom e velho planejamento segue atropelado pela ansiedade em embalar a novidade, colar os rótulos do momento e lançá-la numa garrafa ao mar, sem saber onde e quem vai tirar o bilhetinho de dentro dela, se é que vai. Lógico que ninguém marca presença digital. Todo mundo espera alguma coisa disso, mesmo que tenha chegado lá pelo puro instinto migratório. E vamos considerar que parece bem mais fácil aplicar nossos conceitos de humanização, de segmentação, os nossos objetivos de fidelização agora com tanto cérebro dedicado a criar ambientes favoráveis pela atualização dos algoritmos, ali sempre prontos a nos entregar o jogo.
Temos conteúdos ajustados ao público, patrocinamos links, aumentamos tráfegos, analisamos métricas, exibimos relatórios consistentes sobre os resultados da nossa comunicação e, ainda assim, não temos a certeza sobre o quanto isso tudo é real, tampouco sobre a sua permanência. Ah, que bom, certezas são amarras. O melhor é pensarmos na relevância construída todos os dias pelo objeto da sua comunicação: a marca, o produto, o serviço, a empresa, a atitude no discurso lapidado sobre a verdade. Estamos muito bem equipados para esse trabalho, só precisamos é compreender o momento, expandir a mente corporativa e criativa para o que é a sociedade em rede e, então, enxergaremos a realidade que está posta para a comunicação. Ela nasce muito antes de escrevermos o bilhete para colocar na garrafa. Isso não é novidade, estão certos os críticos. Mas é, sim, o fato de as pessoas (consumidores) terem adquirido poder na via de múltiplas mãos e, se você quiser interagir com elas, tem de considerar o desejo do protagonismo como algo a ser desvendado na convivência com quem espera de você a relevância de sempre, onde quer que seja, na rede social e na vida real.
Christiane Santoro Balbys, 44, jornalista formada pela Universidade Federal de Santa Catarina, pós-graduanda em Mídia, Política e Sociedade pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESSP) tem experiência de em comunicação institucional, PR e conteúdo. Foi colaboradora de publicações das editoras Globo, Abril e Símbolo. Também atuou no Grupo Folha de S. Paulo, na Target Assessoria em Comunicação e na Companhia de Notícias (CDN). Foi repórter especial do Meio e Mensagem e colaborou na produção do livro No centro do Poder, de Regina Augusto. Em Santa Catarina, produziu especiais regionais do Meio e Mensagem, atuou nas agências OneWG e D/Araújo. É diretora da ComPenso Comunicação e Conteúdo, em São Paulo.
