Por André Goeldner*
O criativo se prepara para a reunião, organiza mentalmente seus argumentos, estufa o peito e vai. Terminado o dispensável Powerpoint introdutório, ele empertiga-se na cadeira e, quando vai falar, é atropelado por um desgovernado: “sei lá, achei aquela nuvem atrás da casinha lá no alto da colina meio pequena”.
Pronto. De repente, não mais que de repente, numa espécie de zoom com poderosas lentes “desobjetivas”, um detalhe microscópico ganha proporções descomunais e passa a ser discutido por horas, abrindo um…Precedente. É aí que a sala de reunião vira um estacionamento.
“Foto: mais pra cá, mais pra lá, pra frente, pra trás, vem, vem mais, aí, agora sim”. “Título: distorce, distorce tudo, reduz, tá quase lá, parou”. Ao estilo flanelinha, cada elemento do leiaute vai sendo manobrado e passa com as 4 rodas por cima do criativo.
Satisfeitas as vaidades, o agonizante profissional de criação é levado de volta para a agência, onde, com uma autoestima flexível e muito desapego, ele vai sobreviver.
Nessa hora, o criativo balbucia: “E a IDEIA?”.
Bem, essa não teve tanta sorte.
*André Goeldner é redator publicitário com 10 anos de agência. Nas horas vagas gosta de assistir seriados com a esposa, ler livros e perguntar: por quê?
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