O mercado de apostas esportivas viveu, durante a Copa do Mundo 2026, um dos maiores volumes de investimento em publicidade já registrados no Brasil.
As dez maiores casas de apostas do país investiram R$ 327,2 milhões em mídia apenas no primeiro trimestre de 2026, com 59% desse total concentrado na Globo, segundo levantamento da consultoria Tunad citado pela CartaCapital. O volume de publicidade é tão alto que o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) chegou a alertar publicamente sobre a naturalização crescente das apostas entre o público brasileiro.
Esse cenário de saturação publicitária tem um paralelo direto com um dos achados do estudo “O Mapa da Busca no Brasil 2026“, da Optimiza Marketing: a confiança do consumidor em resultados orgânicos do Google (63%) já é maior do que a confiança em anúncios pagos (53%) – e 44% dos brasileiros afirmam clicar raramente ou nunca em links patrocinados. Em outras palavras, o mesmo consumidor bombardeado por publicidade de apostas durante o jogo é o que, em outros contextos de busca, já demonstra ceticismo crescente diante de qualquer conteúdo pago.
“O setor de bets está fazendo, em escala acelerada, o mesmo experimento que qualquer anunciante corre o risco de fazer: inundar o consumidor até ele parar de confiar. Publicidade em excesso não é sinônimo de confiança, é o oposto, e esse é um alerta que vale para qualquer segmento, não só para apostas”, afirma Júlia Neves, CEO da Optimiza Marketing.
Para anunciantes de qualquer segmento, não só o de apostas, o dado é um alerta: quanto mais um mercado inunda o consumidor com publicidade, maior a chance de o próprio excesso corroer a confiança que deveria gerar conversão.
Foto: Magnific
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