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Envolvimento com produtos de design
26 de Janeiro de 2012

Envolvimento com produtos de design

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Por Paula Salomon Pereira*
 
Os produtos que você compra e seu estilo de vida ao mesmo tempo refletem e determinam sua autoimagem e a imagem que os outros veem de você. Ninguém quer ser igual. Ninguém quer ser mais um. Você possui coisas porque precisa delas no dia-a-dia ou possui para te agradar e/ou agradar os outros.
 
 Mobiliar a cozinha seguindo a ultima tendência ou escolher determinada marca de tênis são atitudes que te dão certo status entre um grupo, fazem você fazer parte deste grupo de pessoas com mesmo estilo de vida. Essas atitudes fazem você se diferenciar de outras pessoas e passar a elas algum tipo de mensagem que te caracterizam. 
As pessoas são diferentes e tem necessidades diferentes. A única maneira de satisfazer uma ampla variedade de necessidades e de preferências é ter uma ampla variedade de produtos. Cada produto deve ser pensado para um público de interesse. 
 
Freud diz que a finalidade da vida é simplesmente encontrar o princípio de prazer, de vivências intensivas de prazer ou de evitar o desprazer. Muitos procuram esse prazer imediato, sendo na vida, em suas relações com outras pessoas ou em objetos e com isso obter certo deslocamento da realidade. Pode-se “agarrar” a objetos e obter felicidade em uma relação afetiva com eles. Pode ser um videogame, um livro, um carro, etc. É normal termos essa afeição com uma coleção de produtos ou com apenas uma peça especial.  
 
A relação afetiva com objetos pode nos trazer o sentimento de ciúme a ponto de não deixamos ninguém tocá-los. É um sentimento de pertence porque ele tem certo valor pessoal. Ou o conquistamos, ou é único, caro, raro, tem uma história, é um ícone de alguma outra coisa que você gosta (por exemplo, uma camiseta de banda) ou marca. Quando possuímos um objeto desse tipo, criamos um vínculo com ele e eles fazem parte de nós. Eles nos ajudam a mostrar para o mundo nossos próprios interesses.
 
Quando usamos o produto ou o mostramos as pessoas é como se vestíssemos um ícone e nós próprios nos transformamos nesse ícone. Viramos fãs da marca (como os Apple maníacos), do designer que o concebeu, da banda que está estampada ou estilo que estamos usando e mostrando.
 
Mas como podemos manter entusiasmo, interesse e prazer estético em objetos durante toda a sua durabilidade?
Uma música e obra de arte podem ser ricas e interessante se forem complexas e bem elaboradas. Podemos vê-las e ouvi-las diversas vezes e cada vez nos deslumbrar com algum detalhe diferente e então ela nunca será a mesma. Para tornar um objeto interessante sem causar o cansaço e o descarte antecipado, deve-se fazê-lo atraente. O produto tem que criar um laço emocional com o usuário, mas o mais importante é o usuário permitir esse envolvimento. A atratividade vem da complexidade e da beleza estética, visual, auditiva, olfativa e de tato que proporcionam satisfação imediata e vontade de posse para então vir o orgulho.
 
*Paula Salomon Pereira, de Florianópolis – SC, Designer formada pela UNISUL. Cursando Pós-Graduação em Projeto de Espaços e Qualidade de vida pelo Barddal. Interessada não apenas por Design, mas também por Publicidade, Moda, Cinema, Música e Fotografia. Para ver seus trabalhos: paulapsalomon.carbonmade.com e me acompanhar no Twitter: @paulapsalomon

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