A Tesla, que já foi a escolha número um entre os compradores de carros elétricos (EVs), está perdendo espaço globalmente. Assim, os motivos variam conforme o mercado.
Dados principais:
Uma pesquisa feita pelo UBS Evidence Lab, com 10.500 participantes, revelou que:
Globalmente, apenas 18% dos compradores de EVs ainda preferem a Tesla, uma queda em relação aos 22% do ano passado.
Na China continental, a preferência caiu de 18% para 14%, devido à forte concorrência e à percepção de que a Tesla já não lidera em tecnologia.
Na Europa, a marca foi a favorita de 15% dos entrevistados, contra 20% no ano anterior. Audi e BMW superaram a Tesla em consideração de marca. O relatório também sugere que o envolvimento político de Elon Musk pode ter prejudicado a imagem da empresa no continente. Em abril, as vendas da Tesla na Europa caíram 49% em relação ao mesmo período do ano passado.
Nos Estados Unidos, a Tesla ainda lidera, mas com queda: 29% dos compradores a consideram a primeira opção, contra 38% no ano anterior. Saturação do mercado, poucos modelos disponíveis e preços elevados são apontados como preocupações.
Desde o início, a Tesla evitou a publicidade tradicional, apostando no carisma de Elon Musk e na força do boca a boca. Mas essa estratégia tem se tornado arriscada. A associação de Musk com a administração Trump e sua atuação na política europeia têm causado rejeição. O professor Scott Galloway chegou a dizer que suas ações foram “uma das maiores destruições de marca já vistas”.
No entanto, o problema vai além da figura de Musk. A pesquisa mostra que a Tesla vem perdendo competitividade tanto em inovação quanto em preço, e concorrentes estão aproveitando. Segundo o analista Gao Shen, fabricantes chineses estão lançando modelos mais inteligentes e acessíveis do que os da Tesla, como o Model 3 e o Model Y. Isso tem desviado significativamente o interesse dos consumidores.
Além disso, enquanto marcas como a chinesa BYD adotam estratégias de marketing bem planejadas – como identificar públicos-chave e investir em mídia cruzada, com ações como o patrocínio da Eurocopa 2024 –, a Tesla continua apostando no prestígio de uma figura pública cada vez mais controversa.

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Fonte: WARC
