Em 2025, a maior força disruptiva no mercado de trabalho dos Estados Unidos não é a Inteligência Artificial (IA), mas, sim, a política comercial.
É o que aponta uma nova pesquisa da Qlik, líder em integração e qualidade de dados, analytics e inteligência artificial.
As tarifas e as transformações no comércio global estão silenciosamente redesenhando a força de trabalho. Novas funções surgem, como Estrategista de Mitigação de Tarifas e Gerente de Programas de Internalização (Reshoring), enquanto outras deixam de existir. Entre os formados das turmas de 2024 e 2025, 34% apontam a disrupção comercial como fator determinante em suas perspectivas de emprego, praticamente no mesmo nível da IA (33%). Além disso, 48% relatam que seus setores já passam por automação, e 66% afirmam ter mudado seus objetivos de carreira desde janeiro.
“As tarifas não são mais um fator secundário”, afirma Mike Capone, CEO da Qlik. “Elas estão reformulando planos de contratação, alterando estratégias de cadeia de suprimentos e criando funções que as empresas nem sabiam que precisavam seis meses atrás. Os empresários estão se adaptando rapidamente, mas muitos ainda estão operando sem uma visão clara das habilidades disponíveis ou das que precisarão no futuro.”
A Qlik encomendou duas pesquisas nos Estados Unidos: uma com 1.000 graduados do país (turma de 2024-25) e outra com 1.500 líderes empresariais. Os resultados combinados mostram uma lacuna geracional de conscientização e uma reestruturação sistêmica da força de trabalho já em andamento.
Os graduados estão confiantes, mas despreparados:
- 66% já mudaram seus objetivos de carreira neste ano;
- 80% dizem estar mais confiantes em relação às suas perspectivas de carreira do que estavam em janeiro;
- 48% afirmam que os empregos em suas áreas estão sendo substituídos pela automação;
- 24% dizem que as funções estão sendo completamente eliminadas.
Enquanto os graduados expressam confiança, os empresários estão discretamente reestruturando suas organizações:
- 31% das empresas planejam aumentar os investimentos na cadeia de suprimentos e manufatura, apesar da volatilidade comercial;
- Apenas 57% acreditam que os graduados têm as habilidades que as empresas precisam hoje e 28% citam conhecimento em IA/automação como uma habilidade que eles têm dificuldade em contratar.
1 em cada 5 empresas criou funções completamente novas em resposta às tarifas, incluindo:
- Estrategista de Mitigação de Tarifária;
- Gerente de Programas de Internalização (Reshoring);
- Líder de IA;
- Analista de Resiliência da Cadeia de Suprimentos.
Embora empresas estejam investindo em ferramentas de analytics preditivo (40%) e automação (50%), 39% admitem que seus dados internos ainda são limitados ou incompletos.
“É aqui que os dados precisam guiar as decisões. A mudança na força de trabalho está acontecendo mais rapidamente do que a maioria dos sistemas consegue acompanhar, e o custo da lentidão na obtenção de insights só aumenta. Os líderes de negócios precisam de sinais mais claros para lidar com a volatilidade, e os recém-formados precisam de uma visão mais clara sobre o que está mudando. Dados melhores não resolverão todos os desafios, mas é assim que você deixa de adivinhar e começar a planejar”, acrescenta Capone.
A distância entre as necessidades das empresas e as expectativas dos recém-formados está em expansão. Quase metade dos graduados relata que a automação já substitui funções em seus setores, enquanto um terço aponta a disrupção comercial como motivo para rever seus planos de carreira. Ainda assim, as empresas seguem contratando e os profissionais em início de jornada estão se ajustando. Com acesso a dados de qualidade e investimentos em insights em tempo real, esse desalinhamento deixa de ser um desafio e passa a representar uma oportunidade para moldar o futuro do trabalho.

Foto: Pexels
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