Um dos principais economistas do Brasil, Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e eleito o economista revelação do país em 2014, esteve nesta quarta-feira, dia 14, no Fórum Santa Catarina, etapa Lages, que este ano integrou a programação da Expolíder 2015.
Antecedido por painéis de debates promovidos pelo CRA-SC e SENAC, a palestra de Loyola intitulada “Perspectivas para a Economia do Brasil” trouxe argumentos e explicações aprofundadas sobre a crise econômica e política que o país atravessa nos últimos tempos.
A terceira etapa do Fórum Santa Catarina trouxe o economista ao Estado para tratar dos assuntos mais pertinentes da atualidade: economia e política. Entre os painéis apresentados, Irineu Berezanski falou, pelo CRA-SC, sobre “conviver e trabalhar melhor” e Rudney Raulino, pelo SENAC, abordou a necessidade da qualificação profissional para o aumento da produtividade.
De acordo com Loyola, o Brasil só voltará a crescer no curto e no médio prazos, com sustentabilidade e de forma segura, se reformas forem feitas na Previdência, na Política, no Trabalho e na forma como o Estado intervém na economia. “Além disso, o Brasil precisa investir muito em educação de qualidade para combater a falta de produtividade e de competitividade de suas empresas (e isso inclui também a eficiência dos gastos públicos)”, acrescentou. “O ambiente de negócios – e o chamado custo Brasil – são extremamente perversos. Precisamos superar isso o mais rápido possível”.
Sobre o atual momento político e econômico, Loyola apresentou dados das projeções de economistas com base nos cenários nacional e internacional. “O PIB dos países do mundo deverá crescer na faixa de 3,5% em 2015. Neste cenário, a China vai crescer em torno de 6,5%, que é bem menos do que vinha crescendo. Mas ainda está bem acima da média. E os Estados Unidos devem fechar o ano com um crescimento de 2,5%. Com exceção do Brasil, os demais países dos BRICS –Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul –deverão crescer pouco, mas crescerão. Este ano o PIB brasileiro deverá fechar em 3% negativo. E no próximo ano as projeções indicam que continuará negativo, em 1%”, disse.
Loyola admitiu que a crise política está influenciando muito o desempenho da economia. “Temos um Governo muito fraco, que mal consegue administrar seus conflitos internos. E uma oposição muito raivosa, que neste momento joga contra tudo e contra todos, muitas vezes tomando posições que ela própria (oposição) no passado combateu. Então, como aprovar as reformas tão necessárias sem esse consenso no Congresso? Como falar em volta da CPMF com um Governo sem credibilidade alguma?”, questionou.
Loyola falou também sobre a extrema valorização do Dólar frente ao Real, que, segundo ele, deve-se a fatores internos e externos. “No curto e no médio prazo o dólar continuará alto. E o mesmo vai acontecer com as taxas de juros. Não há como diminuir as taxas de juros neste momento com a inflação tão alta. Os juros altos são a melhor ferramenta para conter a demanda. E assim, aos poucos, controlar a inflação”, argumentou. “A economia mundial não está em crise. Está num ritmo mais moderado de crescimento. Mas está longe da crise. E o Brasil também vai superar isso. Só vamos precisar de algum tempo e de muita paciência”, finalizou.
A etapa Lages do Fórum Santa Catarina foi realizada pelo SBT SC em, Fundação Carlos Joffre do Amaral, ACIL e Associação Rural de Lages. O evento também contou com Patrocínio do CRA-SC, Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, SENAC, SICREDI e FIESC; e o apoio do jornal Correio Lageano, Rádio Clube Lages, Rádio CBN Lages e Tractebel Energia.
A próxima etapa do Fórum acontece no dia 19 de outubro, no auditório do Lang Hotel, em Chapecó, e contará com a palestra de Alexandre Espíndola.
