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Uma mensagem de Natal
14 de Dezembro de 2011

Uma mensagem de Natal

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Estamos há poucos dias de 2012. A agitação do comércio antecipa as emoções que teremos, pretendemos ter, ou que talvez nem sonhássemos, nesses dias de festas. Papais Noéis de todos os modelos, tamanhos e propostas, sempre impecavelmente vestidos de feltro vermelho, toucas pontudas e muita neve quente de lã e algodão surgem como duendes de onde menos se espera.  As luzes e fogos brilham no céu de verão enquanto o sol descansa.

As figuras típicas de um outro Natal setentrional, tão familiares, são recebidas sem estranheza, traduzindo um pertencimento ancestral a um tempo de sonho, fantasia, da infância, de um Santo Nicolau conhecido pela sua generosidade, cuja história se desdobra em lendas.

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Os fulgores das luzes, cores e enfeites natalinos ofuscam a origem cristã do Natal, o próprio nascimento de Cristo, uma das mais profundas simbologias compartilhadas por toda a humanidade para celebrar a Vida e seus ciclos, convidando à renovação e ao amor solidário, incondicional.

Na mídia as mais diferentes ofertas concorrem pela atenção do consumidor, bombardeando com harpas e bolas douradas o imaginário popular, num esforço ávido de transformar aquele fogão ou aquela caixa de ferramentas em algo que se assemelhe ao presente generoso de um certo Nicolau, ou ao gesto singelo e amoroso a que remete o menino Deus.

Qual seria, afinal, o presente que todos gostariam de ganhar? Quem sabe uma atenção sincera, um momento de cumplicidade, um colo protetor, uma força para lutar contra as desventuras, um carinho, alguém que nos ouça e compreenda, um tempinho de silêncio sem pressão.  É claro que tudo isso pode ser acompanhado de um brinde saboroso, pois celebrar também é necessário!

Fecha-se mais um ciclo temporal, desse tempo que a gente ainda conta, apesar de tornar-se cada vez mais difícil se entender com ele. Não nos deixemos levar pela pressa, pelas festas convencionais, não cheguemos ao cúmulo de comprar presentes para cumprir obrigação.  Precisamos celebrar, sim, repor as energias, revigorar nossos propósitos e nosso amor à Vida, que só é boa porque temos aqueles que conosco a compartilham.  

Por que não um Natal mais real, no colorido dos nossos ipês e três-marias, sob um céu de um azul sem igual? Um Natal para dar e receber com generosidade, sem broqueis e purpurinas. Que seja, antes de tudo, uma abertura aos outros, àqueles outros que nos fazem ainda pertencer a esta categoria especial que leva o nome de Humanidade.

É só uma ideia, um desejo, uma mensagem de Natal.

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