A ACIF abriu oficialmente as discussões sobre o próximo ciclo político ao receber, na manhã desta quinta-feira (11), o fundador da Futura e referência nacional em pesquisas eleitorais, José Orrico. O encontro exclusivo, realizado em parceria com a Apex, reuniu profissionais da imprensa e lideranças do setor produtivo para analisar os dados mais recentes de intenção de voto e avaliação de governo no estado.
Para o presidente da ACIF, Célio Bernardi, a iniciativa reforça o papel da entidade em conectar o empresariado aos grandes temas que desenham o futuro econômico. “A política impacta diretamente o ambiente de negócios, os investimentos e o desenvolvimento econômico. Por isso, acompanhar esse cenário com dados qualificados é fundamental para Santa Catarina”, destaca Bernardi.
Peculiaridades do eleitor catarinense
A apresentação trouxe recortes específicos que diferenciam Santa Catarina do restante do país. Um dos pontos centrais foi a rejeição ao presidente Lula, que se mantém significativamente maior no estado do que na média nacional.
Em contrapartida, a liderança local demonstra forte consolidação: o governador Jorginho Mello mantém um índice expressivo de 78% de aprovação, o que, segundo a análise de Orrico, cria uma barreira natural para os adversários. “Fatos extraordinários podem acontecer, mas com essa avaliação que o governador tem é muito difícil uma virada”, pontuou o palestrante.
Cenário para o Senado: Recall e disputas regionais
A corrida para o Senado em SC desenha-se, até o momento, muito baseada em reconhecimento de imagem (recall), um fator que favorece lideranças tradicionais. No principal cenário estimulado, o ex-governador e ex-senador Esperidião Amin lidera as intenções de voto, impulsionado pelo histórico político.
Logo atrás, Carlos Bolsonaro e Caroline De Toni aparecem em disputa acirrada, tecnicamente empatados dentro da margem de erro. O consultor ponderou que, embora Carlos Bolsonaro enfrente o desafio do eleitorado local valorizar a identidade regional (por ter transferido o título recentemente), ele mantém chances reais de eleição.
As forças se dividem de forma clara pelas regiões do estado:
. Vale do Itajaí e Região Serrana: Demonstram forte inclinação à direita e apoio a Carlos Bolsonaro no primeiro voto.
. Oeste: Apresenta consolidação forte de Caroline De Toni e Esperidião Amin.
. Capital e Região Metropolitana: Têm liderança consolidada de Amin.
Fadiga da polarização e a aposta na Terceira Via
Embora o cenário nacional e local ainda esteja muito fragmentado pelo embate entre o PT e a direita/centro-direita, José Orrico trouxe um dado sintomático: 38% dos eleitores afirmam estar cansados da polarização. O analista defende que os núcleos duros e mais barulhentos de ambos os lados não passam de 30% da população quando somados, deixando a maioria focada em problemas práticos do dia a dia, como economia, emprego e educação.
Diante desse cansaço, Orrico fez sua principal aposta para o tabuleiro de 2026: um candidato viável de terceira via, posicionado na centro-direita, teria totais condições de vencer a disputa. De acordo com ele, o eleitorado busca uma alternativa equilibrada, e o surgimento de um nome com forte engajamento digital ou perfil de outsider pode crescer de forma meteórica, alterando drasticamente o rumo da campanha.
“Com este evento, a ACIF reforça seu compromisso de manter o setor empresarial bem informado e munido de dados estratégicos para as tomadas de decisão que impactarão os próximos anos de Santa Catarina”, concluiu o presidente da entidade.

