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Tem Fumaça Negra no Horizonte
24 de Abril de 2012

Tem Fumaça Negra no Horizonte

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1.     Mineirim no leito de morte, decidiu ter uma conversa definitiva com a

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patroa:

 

“Muié, pode falá sem medo…. já vô morrê mess e prifiro sabê tudim direitim…

 

Ocê arguma veiz traiu eu?”

 

“Ô Zé, num fala dessas coisa que eu tenho vergonha….”

 

“Pode falá muié….”

 

“Quero não…”

 

“Fala muié, disimbucha..”

.

“Mió dexá pra lá, Zé.”

 

“Vai, conta…”

 

“Queto Zé, morre em paz…”

 

Depois de muita insistência ela resolveu abrir o jogo:

 

“Tá bão Zé, vou contá, mais numi responsabilizo…”

 

“Pode contá.”

 

“Ói Zé, traí sim, mas foi só trêis veiz.”

 

“Intão conta, sô! Trêis veiz nessa vida toda até qui num foi muito!”

 

“A primera foi quando cê foi demitido daqueli imprego qui ce brigou cum

  chefe.”

 

“Ué, mas eu fui adimitido dinovo logo dispôis sô…”

 

“Pois é Zé…eu fui lá cunversá cum ele, acabei dano pra ele e ele ti contratô

  di vorta.”

 

“Ah muié, cê foi muito boa cumigo, essa traição num dá nem pra leva a mar.

 foi pela necessidade da nossa famía…tá perdoada. E a segunda?”

 

“Lembra quando cê foi preso pru modi daquele furdunço que cê prontô na

  venda?”

 

“Lembro muié, mas num fiquei nem meio dia na cadeia.”

 

“Pois é Zé…eu fui lá cunversá cum delegado e acabei dano pra ele ti

  sortá.”

 

 “Ê muié, isso nem conta tumbém não, a carsa foi justa… imagina ficá preso

   lá um tempão. Ocê nem me traiu, foi pela nossa famía e pela minha

   liberdade, uai. E a úrtima?”

 

 “Lembra quando ocê si candidatô pra vereadô?”

 

 “Lembro muié…quase me elegeru.”

 

 “Pois é… eu qui consegui aqueles 1.752 voto…”

 

2.     O recado do Pyr Marcondes chegou pela próxima: anunciantes 

com verbas robustas de publicidade botaram a boca no

            trombone durante debate sobre Transparência ocorrido no

Festival of Media na Montroeux. na Suíça.

 

            “Num debate de rara abertura e franqueza para os padrões aos quais estamos

            habituados aí no Brasil”, escreveu Pyr, “ouvimos aqui no Festival of Media a

            clara posição dos anunciantes a respeito do que, para eles, são ganhos de

            rentabilidade excessivos por parte das agências. Ganhos que precisariam ser

            revistos. Mais que isso, pesquisa da WFA – World Federation of

           Advertisers, que congrega associações nacionais de anunciantes de

           todo o mundo, aponta para um desconforto e até suspeita de que as

           agências estejam ganhando demais com o dinheiro dos anunciantes.

           E que esses números precisam de maior transparência”. Tipo, “assim não dá!”.

 

3.     Taí um assunto cuja discussão em público tem sido proibida no Brasil.

Por desconfiar que isso ia acontecer, ficamos tantos anos sem ter um Congresso

Brasileiro de Publicidade. A chamada Indústria da Comunicação não

Permitia.

 

4.      Agora estamos no limiar do V Congresso. E talvez a questão venha à tona. E

Daí?

 

            Daí é bom que estejamos preparados para que não sejamos surpreendidos

           Como o caipira que estava morrendo.

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