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Fim dos Empregos?
30 de Janeiro de 2014

Fim dos Empregos?

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 30 de Janeiro de 2014 | Atualizado 03 de Dezembro de 2021

Quando se fala em pensar o futuro, em olhar o futuro, muitas pessoas não conseguem entender a importância do tema e suas consequências. Vamos propor uma discussão sobre o futuro do trabalho. Como vemos o trabalho e quais as consequências que se farão sentir sobre nós, os trabalhadores.

Quando o homem deixou de ser caçador e extrativista e passou à condição de agricultor, uma mudança brutal se fez sentir. O homem passou a se fixar em um espaço físico e não precisou mais “perseguir” a alimentação. Hábitos e costumes novos foram desenvolvidos e quanto mais pessoas existiam em uma casa, mais braços existiam para tocar a propriedade. Pouco se exigia das pessoas da época em termos de criatividade, relacionamento, produtividade. O importante era produzir a alimentação necessária e, se possível, produzir algo a mais para servir de moeda de troca.

Vem, então, a Revolução Industrial! Criam-se as fábricas! Concentram-se em áreas determinadas com todas as necessidades advindas deste processo. O homem tem que se deslocar de sua propriedade em direção ao trabalho. Jornadas de trabalho extenuantes de até 18h por dia modificam as relações pessoais e de trabalho. Empregos são gerados e em profusão. Cria-se a expressão “mão de obra”, pois era tempo de nenhuma mecanização e, tudo era feito manualmente. É célebre a expressão de Ford: “Pena que quando contrato um par de braços vem uma cabeça junto.” Evoluem-se as linhas de produção, os processos, os controles, criam-se indicadores para medir a eficiência, criam-se máquinas e equipamentos cada vez mais sofisticados e que exigem menos a presença do operador.

No início dos anos 80 Alvin Toffler, através do livro 3ª Onda, chama-nos a atenção para um fenômeno chamado Era da Informação. Sim, era incipiente a informatização, a mecanização, a robotização e a virtualização. Mas, ele preconizava todos estes fenômenos e alertava para estarmos atentos às mudanças que seriam produzidas. Ao mesmo tempo outro cientista americano, John Naisbitt, lançava um livro chamado Megatendências, que versava sobre as 10 grandes mudanças que impactariam o mundo no século XXI com o mesmo tom de alerta.

Tudo que foi escrito aconteceu ou está acontecendo. Os fenômenos que eliminam empregos estão em plena efervescência. Pela primeira vez na história da humanidade não há a migração de trabalhadores para outros segmentos da economia. Empregos são eliminados todos os dias, aos milhares e, não há geração de novos postos de trabalho em outras áreas da economia. O empresário é movido pelo sentimento de sobrevivência e, isto significa dizer, que ele manterá os empregos enquanto isto lhe permitir competitividade. Trocar o operador de uma máquina por um robô é uma questão de custo-benefício. O operário que perder o emprego, provavelmente, não terá habilidades necessárias para fazer o trabalho que será exigido do profissional do século XXI. O que vemos no horizonte é a formação de um brutal contingente de desqualificados que não terão espaço no restrito mercado de trabalho que será criado.

Mudanças? Sempre aconteceram. E as mudanças são compostas por três elementos: direção, velocidade e impacto. O assustador, hoje, é que a velocidade das mudanças não permite o acompanhamento necessário. Não temos sequer tempo para absorver uma e, já estamos perante outra, de impacto maior.

E, como o Brasil está se preparando para enfrentar o imenso desafio posto?  Para gerar postos de trabalho qualificados e com bom retorno financeiro precisaríamos ter uma Educação de qualidade. Não é isto que vemos. Há um número ínfimo de estudantes universitários em relação aos nossos vizinhos sul-americanos. Os maiores contingentes de estudantes do ensino superior estão nos cursos de Direito, Pedagogia e Administração. Nada contra, mas os cursos que formam os profissionais que ditam o ritmo de desenvolvimento de um país, Engenharias e Tecnologia de Informação, ainda são pouco procurados. O mesmo vale para os cursos profissionalizantes e, sem considerar que, segundo o MEC, dos dois milhões de estudantes que se formam no ensino médio, 50% param de estudar entendendo que o que aprenderam lhes garantirá uma vida profissional para o resto de uma vida, que será longa, muito longa.

Esta é uma luta de todos. Há discussões acontecendo ao redor do mundo sobre o fim da classe média em função da limitação na geração de empregos de qualidade. Vale a pena se informar e ter o assunto em agenda permanente. Boa leitura.