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Educação Brasileira e Seus Reflexos no Desenvolvimento do País
24 de Dezembro de 2013

Educação Brasileira e Seus Reflexos no Desenvolvimento do País

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Por Prof. Ozinil Martins de Souza 24 de Dezembro de 2013 | Atualizado 03 de Dezembro de 2021

Este é um país tão rico na produção de assuntos que, às vezes, fica difícil escolher apenas um tema para a coluna. Vejamos: Fluminense e seu retorno à primeira divisão (novamente pelos caminhos do Tribunal), a duplicação da BR 101 e o Morro dos Cavalos, o número absurdo de mortes na BR 470 e as falácias dos políticos regionais sobre sua duplicação, a famigerada aliança política do nosso governador com o Partido dos Trabalhadores em troca de alguns “caraminguás” para obras públicas (repensar o pacto federativo me parece inteligente), as mortes de operários nas obras da copa por este imenso país e, tantos outros que, se fosse enumerá-los ocuparia toda a coluna. Mas, escolhi um tema que me é, particularmente, próximo e preocupante. Vamos escrever sobre a Educação brasileira e o Exame de Pisa.

Para deixar claro, o Exame de Pisa, é realizado de 3 em 3 anos, por alunos de 15 anos de idade e mede os conhecimentos em três áreas: Leitura, Matemática e Ciências. Então, a comparação que está sendo feita registra dados de 2009 e 2012.

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Ao ler sobre os resultados em matérias jornalísticas surpreendi-me com o posicionamento oficial do governo, através do Ministro da Educação – Sr. Mercadante – dizendo-se feliz com o resultado e garantindo que estávamos tendo um crescimento sólido na Educação do país. Para  ter uma ideia clara dos resultados que a comparação nos proporciona, em Matemática houve um pequeno avanço, em Ciências continuamos na mesma e em Leitura conseguimos o impossível, pioramos. Ocupamos, em 2012, em um ranking formado por 65 países, a 58ª posição em Matemática, 59ª posição em Ciências e 55ª posição em leitura. Ainda bem que neste ranking estão Peru, Argentina e Albânia, entre outros que ocupam posições inferiores.

Será que o Sr. Ministro sabe o que de fato está acontecendo em nossas escolas? Será que ele lê outdoors com erros crassos de português?  Será que ele toma conhecimento das pérolas escritas em vestibulares ou em Exames como o Enem e Enade? Está muito difícil encontrarmos nos dias atuais alunos que leiam e escrevam corretamente. E, isto tem uma lógica terrível, pois sabemos, com certeza, que quem não lê tem dificuldades em escrever. Consequências? O que está se tornando comum: revistas, jornais, livros escritos com erros grosseiros do idioma pátrio.

Será que o Sr. Ministro entende que o mundo que está sendo construído, a passos largos, é um mundo diferente? Virtual, rápido, decisões tomadas que alteram os caminhos de povos, governos e empresas. Será que o Sr. Ministro entende que as pessoas que terão espaço neste mundo em formação serão as que sabem pensar, analisar, tomar decisões? Será que o Sr. Ministro sabe que a expressão mão de obra morreu com o século XX? Que não adianta formar mais do mesmo? Será que o Sr. Ministro sabe que temos 10% da população analfabeta? Que só temos 12% da população com curso superior completo (olha a falta de massa crítica aí!)? Que temos um contingente imenso de pessoas que são catalogadas como analfabetas funcionais, que sabem ler, mas não entendem o que leram?

Acho que não! Penso que isolado pelo poder, envolvido na disputa eleitoral que se aproxima, pelo conjunto de pessoas que impedem que as notícias ruins cheguem à sua mesa, o Sr. Ministro dedica muito pouco tempo à gestão do ensino no país. Este descaso com a área mais importante de qualquer governo sério deveria ser a prioridade fundamental, pois em caso contrário, estaremos condenados a ser um país periférico e fornecedor de matéria prima.

Vejamos o que diz o Sr. Andreas Schleicher, vice-presidente para Educação da OCDE, sobre o nível de Educação de nosso país: “ O Brasil tem, no ritmo da evolução atual, 25 anos para atingir a média dos estudantes dos países ricos”.

Que fique muito claro: Educação não é produto de consumo, é produto fundamental na construção de um país! Boa leitura.

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