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A Terra e o homem eficiente
24 de Abril de 2012

A Terra e o homem eficiente

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Nesta semana comemora-se o Dia da Terra, há um mês celebrou-se o Dia da Água e recentemente o Dia do Índio. Seriam datas efusivamente festejadas, com certeza, caso elas integrassem o calendário comercial, como a Páscoa, o Dia das Mães, o Natal. Infelizmente, ou felizmente, talvez, não é o que ocorre. 

Para a maior parte da população, essa lembrança datada não chega sequer a ser evocada. Passa silenciosa e desapercebidamente, em um nível seguro de esquecimento, onde ficam guardados os assuntos incômodos, dos quais não se quer lembrar.

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A relação que o homem estabeleceu com a Terra é de propriedade, poder e dominação. Por meio das suas habilidades técnicas, extrai, elabora, e produztudo o que lhe apraz, a partir do que a natureza terrestre oferece. É justamente do grau de eficiência dessa prática cultural, de produção a partir das matrizes naturais, que surge a crise ecológica.

Essa eficiência, que para os negócios gera competitividade, resultados rápidos, maior produtividade, age em desfavor do equilíbrio ecológico, agride, exaure, resseca, mata as fontes de vida que vêm sendo úteis até agora para a manutenção das condições de existência e para o deleite do próprio homem.

Tal ponderação implica reconhecer que nem tudo o que parece bom é bom para sempre ou bom em todos os sentidos. A eficiência, prezada e cultivada como uma qualidade superior, que remete ao mérito, não pode ser adotada pura e simplesmente como um procedimento independente dos Objetivos e do Contexto a que está relacionada. A ação pode ser eficiente e conduzir a um resultado desastroso, caso não haja uma compreensão mais ampla do contexto, bem como a que objetivos se propõe.

A humanidade tem sido de tal modo eficiente para os seus propósitos particulares, que se esquece de sua relação de interdependência com a Terra e com os demais seres vivos. É nesse quadro que o desafio da sustentabilidade se impõe.

É preciso buscar uma relação de produção e consumo ecologicamente sustentável e socialmente responsável. A eficiência deve estar trabalhando a favor de valores coletivamente relevantes. Assim, tampouco é desejável que se estabeleça uma “economia verde”, eficiente no sentido econômico e ineficiente no sentido humanitário, ou dos valores ecológicos da responsabilidade, da justiça social e do cuidado com as condições de vida que um futuro desejável para toda a humanidade exige e reclama. Se o homem é um ser eficiente “por natureza”, deveria sê-lo “com a natureza”.

É preciso lembrar e celebrar o Dia da Terra a partir de uma nova ótica, a de que ela é nossa mátria e pátria, como diz Edgar Morin. É da Terra que provêm o alimento, é ela que nos abriga, é com ela que partilhamos nossas origens. É a Terra que nos torna, como humanidade, uma comunidade de destino.

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