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Um panorama da saúde emocional dos profissionais que atuam no setor de eventos do país
27 de Abril de 2026

Um panorama da saúde emocional dos profissionais que atuam no setor de eventos do país

A prática de uma gestão humanizada se tornou ferramenta estratégica para valorizar as equipes e fortalecer os resultados

Por Alisson Barcelos 27 de Abril de 2026 | Atualizado 27 de Abril de 2026

 

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Dados publicados em 2025 pela ANAMT – Associação Nacional de Medicina do Trabalho demonstraram que no Brasil aproximadamente 30% das pessoas que exercem uma atividade profissional sofrem com a síndrome de burnout. Com esse indicativo, o país ocupa o segundo lugar no ranking mundial de casos, ressaltando como esse tema se tornou central no debate dentro do mundo corporativo e empresarial.

No setor de eventos essa realidade é ainda mais evidente. E isso não acontece sem motivo: é possível compreender de forma clara que profissionais que atuam neste segmento tendem a ter uma sobrecarga ainda maior, já que são recorrentes as cobranças por resultados expressivos e imediatos.

Sintomas como cansaço físico e mental, dificuldades de concentração, sensação de incompetência ou inaptidão, sentimentos de fracasso e insegurança, insônia e fadiga não são difíceis de serem encontrados entre aqueles que estão na linha de frente de um evento. Da equipe que inicia o planejamento, passando por aqueles que fazem a logística e chegando ao time que está no centro dos acontecimentos, é comum identificar profissionais que se sintam sobrecarregados com as demandas.

Diagnóstico

Com o objetivo de aprofundar ainda mais os debates sobre o assunto, durante a edição 2025 do Fórum Eventos foi apresentado um importante diagnóstico das condições de saúde mental e emocional dos profissionais que trabalham no setor. Enquanto os eventos visam disponibilizar aos participantes e ao público experiências de valor que agreguem de forma positiva em suas vidas, a rotina dos responsáveis em transformar os projetos em realidade é marcada pela ansiedade, depressão e, muitas vezes, por um silenciamento e adoecimento crônico.

A radiografia do setor proposta pela pesquisa analisa de forma aprofundada os impactos da sobrecarga laboral. Dados do estudo indicam que a entrada de novos profissionais vem se mostrando pequena, tendo em vista que 80% dos trabalhadores do setor possuem mais de 11 anos de atuação na área. Essa baixa adesão de novos profissionais, tem um preço alto: o estrese e a sobrecarga de quem já está no ramo há bastante tempo.

Prazos apertados, falta de comunicação, orçamento mal dimensionado, demandas excessivas e mudanças inesperadas e repentinas estão entre os fatores principais do estresse apontado pelos profissionais.

Outro aspecto bastante revelador identificado pelo documento é que 82,9% dos profissionais que participaram da coleta de dados informaram não ter um suporte suficientemente adequado para cuidar da saúde mental.

Esse dado se mostra ainda mais revelador na medida em que muitas empresas do setor possuem iniciativas importantes nesse sentido, mas que, de acordo com as informações obtidas pelas entrevistas, não estão sendo suficientes para atender a demanda.

Um artigo recém publicado por Cinara Cardoso, vice-presidente de Convênio da Associação Brasileira das Empresas de Eventos, reforça que a organização de eventos está “entre as atividades mais estressantes do mundo, figurando entre as dez primeiras posições em rankings, entre 2016 – 2019, quando era publicado o relatório ‘Jobs Rated Report’. Após a pandemia, a publicação passou a analisar as profissões mais estressantes em um ranking formal. Em algumas edições, o nível de estresse atribuída à função ‘Event Coordinator’ se aproxima – e até supera – o de profissões tradicionalmente reconhecidas pela alta pressão, como as da área de saúde, aviação e forças de segurança”.

Gestão Humanizada

Quem trabalha no setor sabe que mesmo com a utilização ostensiva dos recursos tecnológicos durante as diversas etapas de produção e planejamento, nada é mais valioso para o sucesso de um evento do que os talentos humanos. Do cantor de um show musical ou palestrante de uma conferência, à equipe de limpeza pós-ação, se tornou fundamental atuar sob a ótica de uma gestão humanizada para motivar os profissionais, ampliar o seu senso de pertencimento e, acima de tudo, destacar o seu real valor na cadeia produtiva.

Ações práticas como ampliar o reconhecimento dos colaboradores através de oportunidades de crescimento, desenvolver uma comunicação eficiente e honesta que informe os profissionais com o máximo de antecedência sobre os assuntos relevantes, exercer uma postura empática no que diz respeito às demandas e necessidades particulares e buscar ferramentas para fortalecer o bem-estar mental e físico de quem está no dia a dia das atividades podem ser desenvolvidas por empresas de todos os tamanhos e terão um impacto altamente significativo nos resultados e na saúde emocional das equipes de trabalho.

A jornada em busca da saúde mental

Para os profissionais do setor de eventos, a boa notícia é que a jornada em busca da saúda mental também pode estar ao seu alcance. Mas, vale lembrar que não há receita mágica, tudo deve ser encarado com um processo em que dedicação e comprometimento são fundamentais.

Nesse sentido, encontrar maneiras e tempo de qualidade para investir no autoconhecimento, desenvolver e aperfeiçoar habilidades com a inteligência emocional, encontrar um equilíbrio sadio entre o tempo gasto no trabalho e as atividades de lazer, sentir-se satisfeito com as atividades desenvolvidas e dar-se ao direito de não agradar a todos 100% do tempo são estratégias de alto impacto que, além de contribuir para a saúde emocional, irão possibilitar ao profissional ampliar a sua qualidade de vida como um todo.

 

Crédito da imagem: SB+Eventos

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