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Terra Pátria
14 de Junho de 2015

Terra Pátria

Nesse tempo ávido e fugaz, em que os assuntos e interesses competem pela nossa atenção, não faltam datas especiais de toda ordem: dia das mães, dia da árvore, dia do índio, dia do trabalho, dia da criança, do combate ao câncer, de cada uma das profissões e assim por diante. Essa dinâmica estranha, que exige mobilização e campanha intensiva e praticamente exclusiva para determinado tema por vez, faz com que naquele curto período de tempo o tema eleito ganhe as pompas e honrarias de prioridade. O que não garante exatamente uma percepção real das importâncias.

Pois bem, estamos no “mês do meio ambiente”, no “ano internacional dos solos”.  Não nos furtemos em falar do assunto. 

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Poderíamos aqui discorrer sobre o óbvio: alertar sobre o uso intensivo e exauriente que determinadas práticas produtivas fazem do solo, do tempo que a natureza precisa para recompor-se, da importância da diversificação de culturas na agricultura, da proteção do solo e mananciais pela vegetação nativa, da riqueza que a biodiversidade proporciona quando se permite que fauna e flora interajam num ecossistema equilibrado. Invariavelmente chegaríamos ao maior interessado: o próprio ser humano.

Já não basta levantar uma bandeira verde enaltecendo as vantagens de um ecossistema equilibrado, ou mesmo louvar os avanços tecnológicos que quando o homem quer ele realiza, em favor de seus próprios interesses.

Trata-se, antes, de lançar um desafio: assumir que a terra/solo é muito mais que um berço, que no universo há muito mais estrelas do que podemos contar e que somos seres ínfimos partilhando uma aventura muito maior, enfim, que o Planeta Terra é nossa Pátria, como defende o  filósofo e sociólogo Edgar Morin[1].

É um desafio porque nos reposiciona em meio a tantas urgências e prioridades, faz aflorar sensibilidades adormecidas e instiga para agir como cidadãos do planeta, atentos ao pulsar da vida na Terra, que é uma só, única, de tal forma primorosa, cheia de encantos e harmoniosa com a nossa natureza. Nossa mãe, Terra Pátria.

E para sermos filhos dignos dessa mãe, e cidadãos do planeta Terra, cabe a nós assumirmos com amor e energia os cuidados necessários para preservar a Vida, essa mesma pela qual nos debatemos dia após dia, que para resguardar o humano requer desdobrar-se na alteridade de modo inclusivo e generoso.                  

 


[1] Em “Terra-Pátria”, publicado no Brasil pela Editora Sulinas.

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