Imagem produzida pelo colunista com apoio da Gemini.
Santa Catarina é, indiscutivelmente, um dos estados mais eficientes do Brasil. Cresce acima da média nacional, atrai investimentos, recebe novos moradores de todas as regiões e se consolida como um dos principais polos de inovação, indústria e qualidade de vida do país. Ainda assim, quando o estado aparece na agenda nacional, muitas vezes é associado a episódios de intolerância, racismo, xenofobia e radicalização política.
Esse contraste revela a presença de inúmeros preconceitos, mas também um problema que não foi enfrentado com profissionalismo e união de esforços: Santa Catarina ainda não governa sua imagem nacional.
Estados, cidades e regiões disputam não apenas recursos, mas confiança. Reputação tornou-se um ativo de competitividade. Influencia decisões de investimento, atração de talentos, turismo, parcerias internacionais e até a capacidade de mobilizar cooperação em momentos de crise. Não é marketing. É uma questão de desenvolvimento.
Nos últimos anos, episódios isolados ganharam repercussão nacional e reforçaram estigmas que não correspondem à complexidade do estado. Nenhuma sociedade está imune a comportamentos inaceitáveis. A diferença está na forma como se reage a eles. Ignorar, relativizar ou reagir de forma defensiva apenas amplia a caricatura. Por outro lado, também não podemos aceitar que exceções definam a identidade coletiva.
O projeto Catarinenses (www.catarinenses.com.br), que a Critério conduziu ouvindo a população em todas as regiões, revelou uma sociedade em transformação, mais diversa, mais aberta e menos fechada do que a imagem construída externamente.
Reputação não é propaganda. É consequência de comportamento coletivo. Governar a imagem de Santa Catarina significa alinhar discurso e prática. Significa fortalecer educação, cultura de convivência, instituições, ambiente empresarial e espaços públicos que incentivem respeito e cooperação. Significa respeitar a essência deste estado, mas implementar estrategicamente um conjunto de ações que permita revelar sua integralidade.
É verdade que poucos estados no Brasil tratam esse tema de forma estruturada. As urgências do cotidiano são muitas, os desafios são concretos e as agendas são extensas. Coordenar uma visão ampla, envolvendo múltiplos atores, é complexo. Talvez por isso essa discussão quase nunca aconteça. Mas a complexidade não elimina a necessidade, ela a torna ainda mais estratégica.
Antes que alguém apressadamente comece a apontar dedos, essa agenda não pertence a um governo. É uma agenda de estado. Envolve setor público, empresas, universidades, imprensa, o brilhante ecossistema de comunicação catarinense e sociedade civil. Envolve também reconhecer que, em um ambiente digital radicalizado, qualquer episódio local pode se transformar em narrativa nacional em poucas horas.
Talvez tenha chegado a hora de reunir todos esses atores, com franqueza e espírito público, para um debate aberto sobre identidade, valores e posicionamento do estado.
O catarinense merece ser visto como realmente é. E falo isso como alguém que adotou Santa Catarina como seu lar com amor e respeito.
No mundo da reputação, assim como no político, não existe vácuo. Se abrirmos mão de contar a história, alguém irá contá-la por nós. E essa é uma decisão que não podemos terceirizar.
