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Formar preço não é fazer conta. É fazer escolha. Parece contraintuitivo, mas é isso mesmo. A maioria das empresas criativas acredita que basta somar custo fixo, custo variável e aplicar uma margem para chegar ao preço ideal. Só que não é assim que se constrói um negócio sustentável.
Preço não é consequência da planilha. É consequência da sua estratégia. Ele fala sobre como você quer ser percebido, sobre a posição que deseja ocupar no mercado e sobre a relação que pretende construir com seus clientes. Cobrar pouco é fácil. Difícil é sustentar isso ao longo do tempo.
Vejo agências e produtoras precificando apenas para não perder o job, cobrando o mínimo para entrar no orçamento do cliente, aceitando a negociação no susto e no improviso. Depois, se perguntam por que vivem no limite, sem margem, sem folga de caixa e sem crescimento real. Vamos ser francos: quem cobra com medo não precifica, se submete.
E o problema não é o cliente. É a falta de clareza interna. Quando a empresa não sabe quanto precisa para operar com lucro, qualquer número parece bom. Só que, no fim do mês, os boletos continuam chegando e a conta, literalmente, não fecha.
Preço revela posicionamento. Seu preço comunica o que você vale e o que está disposto a entregar por aquilo. Se você cobra barato, atrai o tipo de cliente que não busca valor, busca economia. Não está interessado na sua ideia, no seu método ou na sua entrega. Está interessado em pagar menos. Quando você conhece sua estrutura de custo, domina sua operação e entende o valor que gera, não precisa competir por preço, compete por resultado. E isso muda tudo.
Quem precifica olhando apenas para o concorrente está sempre atrasado. Outro erro comum é pensar que basta cobrar parecido com o mercado. A pergunta é: qual mercado e com base em quê? Margem real ou percepção distorcida? Muitas vezes, o concorrente usado como referência também não sabe o que está fazendo. Precificar por comparação é confortável, mas é perigoso porque ignora sua estrutura de custo, seu modelo de entrega, sua estratégia de posicionamento e seus objetivos de negócio.
Preço baixo não fideliza, apenas vicia. O cliente que vem pelo preço vai embora pelo preço. O cliente que entende valor constrói parceria. E só é possível comunicar valor se você o conhece e tem coragem de defendê-lo. Sempre haverá quem diga que está caro, haverá concorrente oferecendo pela metade, mas também haverá quem reconheça a diferença. E é essa diferença que sustenta empresas saudáveis, com propósito, lucro e futuro.
Precificar é escolher quem você quer atrair e quem você aceita perder. Na próxima vez que for montar uma proposta, esqueça por um momento o que o mercado está cobrando e pense no que aquele job representa para a sua operação, qual a margem necessária e se aquele cliente tem o perfil da relação que você deseja construir.
Preço é uma decisão estratégica antes de ser financeira. Essa escolha define o tipo de empresa que você está construindo.

