Um fenômeno que vem se consolidando de forma cada vez mais acentuada nas últimas décadas é a diversidade geracional dentro dos ambientes profissionais. Quer sejam empresas da iniciativa privada ou órgãos ligados à administração estatal, públicos de diferentes idades compartilham os espaços de trabalho nos mais diversos setores.
As empresas e organizações que abraçam essa diversidade podem contar com uma série de benefícios. Com profissionais de diferentes idades, níveis de conhecimento e habilidades específicas, é possível criar equipes com um amplo repertório e, assim, ampliar a competividade no cotidiano corporativo.
Se, do ponto de vista técnico, os benefícios de contar com profissionais multigeracionais são amplos, para a gestão de eventos essa multiplicidade é um desafio que requer atenção. Afinal de contas, criar uma ação que atenda e supere as expectativas de integrantes das gerações Baby Boomers, X, Millenial, Y e Z exige muito planejamento, mas os resultados e o engajamento dos participantes tendem a compensar os esforços.
Bagagem de valores e competências distintas
Para a equipe de gestão e organização de um evento que tem como foco um público com ampla diversidade geracional, é essencial compreender que a bagagem de valores, as competências, as habilidades e até mesmo os modos de pensar são diferentes. Entender essas diferenças e encontrar as melhores soluções para cada situação específica é essencial para uma ação eficiente.
Um bom exemplo é a questão tecnológica. As gerações mais novas podem ser consideradas “nativas digitais” já que nasceram e cresceram com a conectividade desde suas primeiras experiências de vida. Os públicos mais velhos, por sua vez, tiveram que “aprender” a utilizar e incorporar os recursos tecnológicos no seu dia a dia. Mesmo tendo em vista essa necessidade, muitas pessoas ainda possuem restrições ao uso ostensivo do universo digital nas suas atividades.
Uma maneira eficiente de superar esse desafio tecnológico é justamente ampliar o conceito de comunicação nos eventos e levar em consideração os mais diversos canais disponíveis. Se redes como o Instagram e o TiKTok têm entre o seu público prioritários pessoas mais jovens, o Facebook e outros canais mais tradicionais como o WhatsApp e o e-mail podem incrementar um diálogo bastante assertivo com as pessoas com mais idade.
Ainda no que diz respeito ao uso dos recursos tecnológicos como ferramentas de comunicação na promoção dos eventos, o uso de gírias excessivas, pratica comum nas mídias sociais, ou a utilização de jargões corporativos, que tinham relevância no passado, pode provocar um distanciamento das pessoas que não estão inteiradas com os temas. Dessa forma, uma linguagem de caráter inclusivo, acessível e objetivo é a melhor forma de estabelecer uma comunicação agradável com os diferentes perfis de público.
Eventos híbridos e espaços acolhedores
Se uma das condições fundamentais no processo de planejamento de um evento é justamente entender o perfil do público alvo, quando esse contingente é amplo, diversificado e heterogêneo, as soluções precisam ser amplificadas também, justamente com o objetivo de atender as demandas distintas.
No que tange o formato, produzir um evento híbrido pode ser uma excelente alternativa para se conectar com os públicos de diferentes idades. Muitos estudos focados no ecossistema dos eventos já identificaram que cresce de forma contínua o interesse pela união dos formatos presencial e à distância. Novas tecnologias também são apresentadas continuamente com o intuito de melhorar e aprimorar a experiência online e digital.
Apostar em um formato híbrido, além de proporcionar a possiblidade de escolha para os participantes e maior comodidade aos interessados, também é uma decisão que se conecta com o presente e com o futuro do segmento.
Se as tecnologias vêm contribuindo para fortalecer a experiência digital de um evento, a parte física e presencial também deve merecer um cuidado especial dos organizadores. Nesse sentido, a criação de espaços que levem em consideração as necessidades especiais dos diferentes grupos é fundamental.
Ao mesmo tempo em que a formatação dos ambientes precisa incorporar áreas conectadas com as tendências contemporâneas, como os já populares “espaços instagramáveis”, é preciso também encontrar formas de valorizar uma conduta mais analógica e criar ambientes seguros em que seja possível o intercâmbio de saberes de forma tranquila e áreas aconchegantes de descanso e relaxamento.
Conexões genuínas
Na edição deste ano do Fórum Eventos foi realizada uma dinâmica muito interessante tendo como foco as formas de conectar diferentes gerações e transformar a diversidade geracional em uma ferramenta estratégica e em um diferencial competitivo.
Durante um dos painéis do evento, foram convidados representantes de diferentes gerações para compartilhar suas observações. Havia, na dinâmica, representantes das gerações X, Millenial, Y, Z e Baby Boomers.
Embora cada um dos participantes tenha enfatizado um ponto diferente, ligado diretamente à sua jornada de vida e ao seu perfil, ficou evidenciado nas falas que as semelhanças são ainda maiores que as diferenças.
A vontade de vivenciar experiências de valor, com impacto real e significativo sobre a vida pessoal e profissional, e o interesse em estabelecer conexões genuínas que transcendam o universo digital e encontrem espaço na realidade, foi apontada como uma busca comum entre todas as faixas etárias.
A experiência organizada dentro de um dos mais importantes fóruns de debate sobre o setor de eventos comprova que a intergeracionalidade pode e deve ser vista como um vetor de impulsionamento das equipes de trabalho. Se duas mentes tendem a pensar melhor do que uma, uma série de mentes com diferentes repertórios, experiências e saberes tendem a ser ainda mais assertivas.
Ativo estratégico
As últimas décadas e, especialmente, os últimos anos têm se caracterizado pela quebra de paradigmas importantes. Temas como a inclusão, a diversidade, o respeito às diferenças e a valorização da intergeracionalidade se tonaram pautas que deixaram os estudos acadêmicos e encontram lugar de destaque no cotidiano empresarial e social.
No setor de eventos, essa realidade se repete. Por isso, a organização de uma ação ligada ao universo corporativo deve, prioritariamente, levar em consideração a diversidade do público. Muitas empresas possuem nas suas equipes de trabalho profissionais que variam dos 17 aos 70 anos. Um evento bem produzido é aquele que maximiza as semelhanças e minimiza as diferenças entre as demandas de perfis tão diversificados.
Se uma das formas mais comuns de mensurar o sucesso de um evento é através do feedback dos seus participantes, valorizar a diversidade geracional é um ativo estratégico com benefícios que se mantém vivos muito depois do final da ação.
Crédito da imagem: SB+Eventos
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