Imagem: Teacher Ray – Pexels
Esta é uma frase que tenho ouvido com muita frequência vinda de amigos, conhecidos e, eventualmente de estranhos com quem, vez ou outra, converso. Parece que, na medida em que cresce a população mundial, perdemos a capacidade de nos relacionarmos da forma simples como o fazíamos em um passado recente.
Enquanto, logo ali atrás no tempo, as crianças e jovens eram livres para viver e criar as mais loucas aventuras, hoje, parece ser pecado capital respirar fora de espaços seguros e vigiados por terceiros de forma a impedir qualquer ação mais temerária.
Chegar da escola, fazer a refeição e o dever de casa era a obrigação; depois, era sumir nos espaços com a gurizada da turma. Nadar nos rios e tanques da região, jogar bola nos campinhos de futebol existentes em quantidade pelo bairro, apropriar-se indevidamente de frutas nas casas da vizinhança eram exercícios de criatividade, liderança e formação de equipe. Brincando, aprendíamos!
Hoje, as crianças são prisioneiras de escolas ou de apartamentos minúsculos onde são enclausuradas e, independente da qualidade da clausura, têm seus atos controlados o que as impedem de exercer sua criatividade, ousadia e a vontade de aprender por si só. As crianças são criadas, ou como pequenos adultos ou como bichinhos de estimação e não como crianças que são.
O que mais se vê são crianças com agendas plenas de atividades que talvez não sejam de seus interesses. Aulas formais, atividades paralelas (natação, aprender instrumento musical, aulas de reforço) preenchem o dia das crianças onde brincar parece não fazer parte da agenda.
Importante seriam nossas autoridades acompanharem o que está acontecendo na China, Finlândia, Polônia, Singapura em relação à educação infantil. A formação básica das crianças não depende da realização de exames para se medir o conhecimento, mas importante é a parte lúdica do processo, o ensinar o exercício pleno da cidadania, deixar as crianças serem apenas aquilo que elas são.
Crianças!
Um exemplo que salta aos olhos está ligado ao futebol. Nos anos 60 e 70 do século passado o Brasil era um país pleno de grandes jogadores. Pelé, Garrincha, Didi, Zito, Carlos Alberto, entre outros tão importantes quanto, foram gestados em campos de futebol de várzea que existiam em profusão pelo país. Ali nasciam os jogadores que encantariam os brasileiros nas copas de 1958, 1962, 1970. Hoje, a especulação imobiliária expulsou os campos de futebol da periferia e com isto surgiram as escolinhas de futebol que acabaram com a criatividade do futebol engessando em regras e regulamentos os jovens aprendizes de uma arte em que o Brasil já foi o mais efetivo representante.
Se do futebol não sobrou grandes esperanças, restaram cabelos coloridos, brincos e argolas em profusão, chuteiras de grife e com cores chamativas e muito dinheiro para quem é muito mais artista do que jogador; sem esquecer os helicópteros e as mulheres deslumbrantes a tiracolo e quase sempre descartadas de forma generosa.
O mundo, realmente, está muito chato!

