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A irreparável perda de talentos
12 de Agosto de 2015

A irreparável perda de talentos

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 12 de Agosto de 2015 | Atualizado 03 de Dezembro de 2021

A falta de planejamento compromete um país, mas muito mais que isso, compromete a vida de milhares de pessoas pelas limitações que impõe. Na Educação, então, o estrago é devastador.

Dados da ONU indicam que temos 3 milhões de jovens em idade escolar, fora da escola; o MEC nos diz que de 2 milhões de estudantes do ensino médio, anualmente, metade para de estudar ao conclui-lo. São números que nos mostram a maior deficiência do poder público no país.

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Ao encerrarem-se os jogos pan-americanos do Canadá o ufanismo que tomou conta de jornalistas que faziam a cobertura do evento, foi, digamos, patético. Comemorava-se o fato do Brasil ter chegado à frente de Cuba no quadro de medalhas.

Permitam-me o raciocínio. Cuba tem 12 milhões de habitantes, o Brasil tem 200 milhões de habitantes, o Brasil é a 7ª economia do mundo, Cuba economicamente não existe. Comparar o que cara-pálida?

A diferença é que um país, Cuba, para mostrar que ainda respira, massifica o esporte e consegue tirar leite de pedra e, no Brasil, acreditamos na geração espontânea de vencedores. Que saudade do João do Pulo, do Ademar Ferreira da Silva, do Nilton Cruz. Nasceram espontaneamente, fruto da vontade pessoal e, de um técnico abnegado.

Depois as televisões mostram programas com os vencedores correndo em lugares inadequados, com roupas inadequadas para exaltar a força de vontade, o orgulho de vencer em nome de um país, que os trata, na essência, com desdém. Enquanto não massificarmos o esporte não haverá campeões em série. Reverência ao vôlei, judô e natação, que parece entenderam o que deles se espera.

Se extrapolarmos do esporte para a Educação formal teremos o mesmo quadro. Sóformaremos expoentes nas ciências se massificarmos a Educação. Hoje temos uma quantia ridícula de pessoas com curso superior. O curso superior é importante para alavancar o nível intelectual das pessoas, torná-las mais críticas, mais atuantes. Com menos de 30 milhões de pessoas detentoras de diplomas de curso superior não conseguiremos formar “massa crítica” e, estaremos comprometendo o futuro.

Mas, o pior é a não descoberta de talentos, o extravio de pessoas que poderiam contribuir significativamente com o país em todas as áreas de conhecimento e que sequer são descobertas, pois morrem no anonimato. Isso sim é crime! Crime de lesa-pátria, crime que agride sem preconceito a qualquer pessoa desse país. Pena que os políticos, que tudo prometem, releguem a Educação ao último plano em suas prioridades. Com certeza quando acordarmos será tarde.

 

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