Não tem um dia sequer que a crise deixa de ocupar nossos pensamentos. A cada nova informação divulgada temos mais certeza de que os responsáveis pela condução do país estão se preocupando apenas com seus próprios interesses. E fazem isso há tanto tempo, que não conseguem mais perceber o mal que estão promovendo à todos.
A filosofia presente é “O QUE EU GANHO COM ISSO?”, um pensamento egoísta que isola o indivíduo do convívio com pessoas íntegras e atrai legiões de pessoas sem caráter, que sempre estão prontas para tirar algum proveito de quem está “ganhando algo” com a situação.
O grande mal ocorre quando a maioria das pessoas começa a acreditar que precisam aderir essa filosofia para viver. Esse é um jogo perigoso e devastador para qualquer sociedade. Há quem acredite que pode ficar imune aos efeitos negativos dessa filosofia. O que eleva a crise a uma condição muito mais arrasadora do que qualquer diversidade econômica. Ela é promovida a CRISE ÉTICA.
Infelizmente, qualquer solução para a crise atual trará dores e cicatrizes, contudo, devemos nos preocupar principalmente com os aprendizados que serão transmitidos aos jovens a partir desse terrível momento que vivemos.
Eles irão aprender a combater crises a partir das consequências de suas escolhas ou irão desenvolver competências predadoras ao melhor estilo “custe o que custar”, que transformarão os valores em peças de educação ultrapassada?
Em crises anteriores, vimos que os jovens se movimentaram intensamente, lutando com garra e paixão, buscando melhorar o cenário que estavam vivendo. Durante os anos 1970, jovens lutaram contra ditadura militar. Nos anos 1980, vimos jovens gritando por “eleições diretas” e por mudanças políticas. E depois, nos anos 1990, surgiram os jovens “caras pintadas” demitindo um presidente e lutando pelo fim da inflação.
Agora estamos vivendo um período estranho e perturbador.
Onde estão os jovens que deveriam gritar quando sugiram os primeiros rumores de corrupção no escândalo do mensalão em 2004? Ou quando a crise econômica mundial mostrou suas garras em 2008? Ou ainda quando surgiu a oportunidade de promover a sadia alternância no governo em 2010 ou mesmo 2014? Será que tudo ficou restrito àquelas poucas manifestações por centavos nas passagens de ônibus?
Será que essa filosofia egoísta realmente conseguiu paralisar toda uma geração de jovens, que aprenderam a se omitir e cuidar dos próprios interesses?
O que aconteceu com a indignação dos jovens?
Gostaria de ter respostas para algumas dessas perguntas, mas na verdade o que assistimos atualmente é um inquietante silêncio nos jovens.
A crise atual ainda não é a maior que já enfrentamos, mas se o jovem não assumir seu papel de agente de transformação, certamente iremos todos descobrir que tudo pode ficar pior e quem irá sofrer mais será justamente esse jovem que teima em ficar em silêncio, se esquivando da realidade com seus celulares, através de “vidas digitais perfeitas e fúteis” nas redes sociais.
Acredite, só iremos avançar nesse cenário de crise quando o jovem transformar o seu silêncio em atitudes e não em reclamações.
