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ESTREIA | Coluna Áudio & Música, com Murillo Valente
03 de Novembro de 2025

ESTREIA | Coluna Áudio & Música, com Murillo Valente

A música é uma jornada que nos acompanha em cada passo, em cada emoção.

Por Murillo Valente 03 de Novembro de 2025 | Atualizado 03 de Novembro de 2025

Caros Leitores!

É com grande satisfação que anunciamos a chegada de mais um reforço de peso ao time de colunistas do AcontecendoAqui. A partir de hoje, contamos com a colaboração de Murillo Valente, produtor musical, publicitário e músico. Ele vai assinar a nova coluna “Áudio e Música”, um espaço dedicado a refletir sobre um dos segmentos da Comunicação que vem sendo mais desafiado  pela revolução tecnológica atual.

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Com olhar crítico e experiência prática, Murillo trará análises, provocações e caminhos possíveis para ajudar acadêmicos e profissionais da Comunicação a navegarem nesse universo complexo e em constante transformação.

Murillo tem em seu planejamento a realização de entrevistas com artistas, a análise do ambiente musical, os rumos da indústria, o mercado e, o mais importante, a função da música nos filmes, na publicidade e na vida.

Seja Bem-Vindo, Murillo!

Jailson de Sá
Editor

 

Sou Murillo Valente, produtor musical, publicitário e músico. Sou carioca com “‘crachá”de manezinho, com muito orgulho, e formado em jornalismo pela UFSC. Fui integrante de bandas em Florianópolis, entre elas Banda Tubarão e Decalcomania. Sou CEO da TumDum, produtora de áudio em Florianópolis, onde busco criar experiências sonoras únicas para os meus clientes. Atuei como professor nas cadeiras de Produção Publicitária em Rádio na UNISUL e Estácio de Sá. Apaixonado por música e pela comunicação, estou sempre em busca de novas colaborações e projetos criativos. Você pode me contatar pelo e-mail: [email protected]. Confira o meu trabalho no Instagram: @tumdummc.”

Estou, finalmente, sentado à frente do computador para conceber a minha estreia como colunista do Acontecendo Aqui. Tive a primeira conversa com o Jaílson há uns dois anos e, desde então, a dúvida sobre que linha adotar para dar a largada nessa nova missão tomou conta de mim. Não foi proposital, juro! O fato é que, desde que me entendo por gente, vida e música se entrelaçam, e as ramificações possíveis para os meus escritos me deixaram confuso por um tempo.

Mas, quer saber? Confusão que nada! Vou falar de tudo. Vou trazer, a cada quinze dias, minhas experiências e percepções musicais, minha trajetória como artista, publicitário, produtor, professor e eterno curioso. Contar histórias, curiosidades, entrevistar artistas, analisar o ambiente musical, os rumos da indústria, o mercado e, o mais importante, a função da música nos filmes, na publicidade e na vida.

Trilhas Sonoras

Minhas colunas serão sempre acompanhadas por uma trilha sonora, que servirá como pano de fundo essencial para o meu processo de criação. A música não é apenas um complemento; é uma parte integrante da narrativa que quero compartilhar. Para a minha primeira coluna, escolhi uma música que faz parte da playlist da minha vida, muito significativa e comovente: “Last Train Home” do guitarrista **Pat Metheny**, de quem sou súdito e admirador desde sempre. A cada nova edição, vou eleger uma trilha sonora para conduzir o processo de escrita e dar vida ao texto. Se você quiser me acompanhar nessa experiência sensorial, será muito bem-vindo!

O Início de Tudo

Músicos na família? Nenhum. Meu avô tinha um violão **Di Giorgio** com cordas de nylon (espetacular, por sinal). Ele gostava de exibir sua “virtuosidade” sempre dedilhando o mesmo sambinha entre uma linha de baixo e acordes capengas que aguçavam o meu desejo de alcançar tamanha performance algum dia. O Di Giorgio ficou de presente para mim e, por muitos anos, foi meu companheiro nos cafés da manhã da minha juventude.

Bateria: A Entidade

Aos 13 anos, fui abduzido pela bateria. A primeira vez que vi uma bateria na televisão, senti que algo havia acontecido e que, de alguma forma, o destino estava se desenhando.

Aquela imagem ficou marcada em mim, na essência do meu “SER”. Fui morar nos Estados Unidos com minha família; meu pai era psiquiatra da Marinha e ficamos lá por dois anos. O sonho de tocar bateria ficou adormecido, mas não esquecido.

No retorno ao Rio de Janeiro, um dia, voltando da escola de ônibus, vi uma placa no alto de um sobrado: “Aulas de  Bateria”. Aquela placa foi o suficiente para que eu passasse a atormentar os dias da minha mãe, que, prontamente, passou o bastão para a minha avó. Sabemos que os avós fazem tudo pelos netos, e a minha avó fazia de tudo e mais um pouco para me ver feliz.

Dito e feito: contei até 5 e lá estava eu, matriculado na aula de bateria da tal placa na rua Barão de Mesquita, na Tijuca. Minhas terças-feiras passaram a ser dias mágicos, e meu sonho tomando forma. Meu mestre, José Thomas (que saudade!), mais conhecido como Coroa, era baterista da Rede Globo e um apaixonado pelo instrumento. Ele tinha o mesmo prazer em passar os seus conhecimentos quanto eu tinha em aprender.

No primeiro dia de aula, me deparei com uma bateria **Ludwig** marrom no fundo da sala de aula. Maravilhosa, imponente, com pratos turcos reluzentes. Parecia mesmo uma entidade, tinha vida própria e, até aquele momento, era intocável para um iniciante. O Mestre Coroa me deu um cansaço e os primeiros meses foram de exercícios intensivos em uma “banqueta” de borracha e um método do Gene Krupa. Meses que pareceram anos até que chegou o dia de domar (ou ser domado) por ela.

Quanto poder nas mãos e nos pés! Que alegria! Até então, em casa, eu praticava em panelas e bancos (quem nunca?) que “simulavam” uma bateria e me faziam acreditar em dias melhores, até que um belo dia ganhei da minha avó uma bateria **Pinguim** vermelha rajada de preto. Que dia lindo! Nem consegui dormir.

Segui em frente, agora equipado e atormentando a vizinhança. Ninguém merece ter um vizinho baterista! A próxima paixão veio em forma de guitarra. Um ímpeto adolescente me tirou dos braços percussivos e me levou para a linha de frente dos palcos. Mas essa história fica para depois.

Espero que tenham gostado dessa breve introdução.

A música é uma jornada que nos acompanha em cada passo, em cada emoção. Você está convidado a embarcar comigo nessa viagem sonora. Vamos explorar juntos não só acordes e notas musicais, mas também as histórias que nos conectam. Que a música continue sendo fonte de inspiração.

 

Até a próxima coluna!

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