Caros Leitores!
É com grande satisfação que anunciamos a chegada de mais um reforço de peso ao time de colunistas do AcontecendoAqui. A partir de hoje, contamos com a colaboração de Murillo Valente, produtor musical, publicitário e músico. Ele vai assinar a nova coluna “Áudio e Música”, um espaço dedicado a refletir sobre um dos segmentos da Comunicação que vem sendo mais desafiado pela revolução tecnológica atual.
Com olhar crítico e experiência prática, Murillo trará análises, provocações e caminhos possíveis para ajudar acadêmicos e profissionais da Comunicação a navegarem nesse universo complexo e em constante transformação.
Murillo tem em seu planejamento a realização de entrevistas com artistas, a análise do ambiente musical, os rumos da indústria, o mercado e, o mais importante, a função da música nos filmes, na publicidade e na vida.
Seja Bem-Vindo, Murillo!
Jailson de Sá
Editor

Estou, finalmente, sentado à frente do computador para conceber a minha estreia como colunista do Acontecendo Aqui. Tive a primeira conversa com o Jaílson há uns dois anos e, desde então, a dúvida sobre que linha adotar para dar a largada nessa nova missão tomou conta de mim. Não foi proposital, juro! O fato é que, desde que me entendo por gente, vida e música se entrelaçam, e as ramificações possíveis para os meus escritos me deixaram confuso por um tempo.
Mas, quer saber? Confusão que nada! Vou falar de tudo. Vou trazer, a cada quinze dias, minhas experiências e percepções musicais, minha trajetória como artista, publicitário, produtor, professor e eterno curioso. Contar histórias, curiosidades, entrevistar artistas, analisar o ambiente musical, os rumos da indústria, o mercado e, o mais importante, a função da música nos filmes, na publicidade e na vida.
Trilhas Sonoras
Minhas colunas serão sempre acompanhadas por uma trilha sonora, que servirá como pano de fundo essencial para o meu processo de criação. A música não é apenas um complemento; é uma parte integrante da narrativa que quero compartilhar. Para a minha primeira coluna, escolhi uma música que faz parte da playlist da minha vida, muito significativa e comovente: “Last Train Home” do guitarrista **Pat Metheny**, de quem sou súdito e admirador desde sempre. A cada nova edição, vou eleger uma trilha sonora para conduzir o processo de escrita e dar vida ao texto. Se você quiser me acompanhar nessa experiência sensorial, será muito bem-vindo!
O Início de Tudo
Músicos na família? Nenhum. Meu avô tinha um violão **Di Giorgio** com cordas de nylon (espetacular, por sinal). Ele gostava de exibir sua “virtuosidade” sempre dedilhando o mesmo sambinha entre uma linha de baixo e acordes capengas que aguçavam o meu desejo de alcançar tamanha performance algum dia. O Di Giorgio ficou de presente para mim e, por muitos anos, foi meu companheiro nos cafés da manhã da minha juventude.
Bateria: A Entidade
Aos 13 anos, fui abduzido pela bateria. A primeira vez que vi uma bateria na televisão, senti que algo havia acontecido e que, de alguma forma, o destino estava se desenhando.
Aquela imagem ficou marcada em mim, na essência do meu “SER”. Fui morar nos Estados Unidos com minha família; meu pai era psiquiatra da Marinha e ficamos lá por dois anos. O sonho de tocar bateria ficou adormecido, mas não esquecido.
No retorno ao Rio de Janeiro, um dia, voltando da escola de ônibus, vi uma placa no alto de um sobrado: “Aulas de Bateria”. Aquela placa foi o suficiente para que eu passasse a atormentar os dias da minha mãe, que, prontamente, passou o bastão para a minha avó. Sabemos que os avós fazem tudo pelos netos, e a minha avó fazia de tudo e mais um pouco para me ver feliz.
Dito e feito: contei até 5 e lá estava eu, matriculado na aula de bateria da tal placa na rua Barão de Mesquita, na Tijuca. Minhas terças-feiras passaram a ser dias mágicos, e meu sonho tomando forma. Meu mestre, José Thomas (que saudade!), mais conhecido como Coroa, era baterista da Rede Globo e um apaixonado pelo instrumento. Ele tinha o mesmo prazer em passar os seus conhecimentos quanto eu tinha em aprender.
No primeiro dia de aula, me deparei com uma bateria **Ludwig** marrom no fundo da sala de aula. Maravilhosa, imponente, com pratos turcos reluzentes. Parecia mesmo uma entidade, tinha vida própria e, até aquele momento, era intocável para um iniciante. O Mestre Coroa me deu um cansaço e os primeiros meses foram de exercícios intensivos em uma “banqueta” de borracha e um método do Gene Krupa. Meses que pareceram anos até que chegou o dia de domar (ou ser domado) por ela.
Quanto poder nas mãos e nos pés! Que alegria! Até então, em casa, eu praticava em panelas e bancos (quem nunca?) que “simulavam” uma bateria e me faziam acreditar em dias melhores, até que um belo dia ganhei da minha avó uma bateria **Pinguim** vermelha rajada de preto. Que dia lindo! Nem consegui dormir.
Segui em frente, agora equipado e atormentando a vizinhança. Ninguém merece ter um vizinho baterista! A próxima paixão veio em forma de guitarra. Um ímpeto adolescente me tirou dos braços percussivos e me levou para a linha de frente dos palcos. Mas essa história fica para depois.
Espero que tenham gostado dessa breve introdução.
A música é uma jornada que nos acompanha em cada passo, em cada emoção. Você está convidado a embarcar comigo nessa viagem sonora. Vamos explorar juntos não só acordes e notas musicais, mas também as histórias que nos conectam. Que a música continue sendo fonte de inspiração.
Até a próxima coluna!
