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Do chão de fábrica à Europa: como Malu Osowski construiu uma carreira internacional e fundou a Hire Brazil
25 de Fevereiro de 2026

Do chão de fábrica à Europa: como Malu Osowski construiu uma carreira internacional e fundou a Hire Brazil

"Diferentes contextos culturais influenciam escolhas profissionais e de estilo de vida."

Por Prof Jonny 25 de Fevereiro de 2026 | Atualizado 25 de Fevereiro de 2026

Malu Osowski construiu sua carreira muito consistente, partindo da mecânica industrial no Brasil às áreas administrativa e financeira em multinacionais na Europa. Ao perceber as diferenças estruturais entre os mercados, entendeu que a internacionalização não era apenas um sonho, mas uma estratégia. A mudança de país ampliou renda, repertório e visão de mundo. A partir dessa experiência, decidiu transformar a própria jornada em método, nascia ali o embrião da Hire Brazil. Nesta entrevista, ela compartilha valiosos aprendizados aplicáveis a diversas carreiras.

Muito grato por contribuir com nossa coluna de carreira. No início da sua trajetória profissional, você passou por uma formação no SENAI e, em seguida, ingressou na Bosch como Aprendiz Industrial, evoluindo depois na empresa. Em retrospectiva, qual foi a decisão mais estratégica no começo de carreira que você considera ter influenciado de forma mais duradoura os rumos da sua trajetória profissional?

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Acredito que não haja uma decisão estratégica. Acredito que o que faz virar o nosso jogo não são coisas gigantescas, mas fazer o simples bem feito. Algo que eu fiz foi sempre ir além do meu escopo de trabalho, inclusive na Europa, que nós onde temos um escopo bem definido. Sempre fui uma pessoa intrometida, então sempre participava de reuniões, mesmo que não estivesse dentro do meu escopo. Sempre me preparava para as reuniões, avaliava os números antes. Eu acho que o grande segredo para evoluir na carreira e crescer é ser intrometido mesmo: primeiro fazer o arroz com feijão bem feito e depois participar de outros projetos, participar de reuniões e entender os próximos passos ou as dificuldades de uma organização e de um projeto. Porque, se você entende os próximos passos e as dificuldades, faz o simples bem feito, que é o que está dentro do seu escopo, e começa a se envolver nessas outras coisas, certamente vai crescer e mudar.

 

Seu período mais longo numa mesma organização foi na Bosch, onde você atuou por mais de seis anos em diferentes posições na área industrial e de engenharia. Que aprendizados desse ciclo mais extenso você percebe hoje como tendo sido fundamentais para lidar com mudanças posteriores, como a transição internacional e de área?

Esse período na Bosch foi muito desafiador, porque eu tinha 15 anos quando comecei a trabalhar na empresa e não tinha muita maturidade emocional. Acredito que, para mim, foi um grande impacto, porque eu venho do sítio, de uma família muito pequena. Lembro que, no processo seletivo, larguei um “por” bem puxado, as pessoas riram, eu ri também, mas depois chorei, dizendo: “Meu Deus, que caipira que sou, que pobre que sou de vocabulário, de vida”. Mas estava disposta a evoluir, a crescer. Quando comecei nessa empresa, atuei como aprendiz, depois um pouco na área administrativa e, em seguida, fui para o chão de fábrica. Atuei montando peças, como analista de falhas e como operadora de produção. Foi muito desafiador, porque o barracão em que eu trabalhava tinha mais de 300 homens e pouquíssimas mulheres. É preciso ter maturidade para saber como se posicionar sendo mulher tão jovem em um ambiente tão masculino.
Acredito que as experiências desenham a nossa visão de futuro e nos guiam. As experiências que acontecem na nossa vida nos conduzem para nos tornarmos a pessoa que precisamos ser para alcançar os resultados que queremos. Eu gostaria de ter maturidade emocional e, um dia, trabalhar em uma empresa maior. O que veio para mim foi trabalhar no chão de fábrica, pois, se conseguisse atuar ali, conseguiria atuar em qualquer projeto. Foi exatamente isso que aconteceu. Trabalhei no chão de fábrica, tive muita dificuldade no começo, não sabia me posicionar muito bem, e depois fui aprendendo como lidar com as pessoas e negociar prazos. Tornei-me a negociadora oficial de peças de reposição e de análise de máquinas e peças. Virei analista de falha de injeção diesel e sempre me enviavam ao chão de fábrica para resolver as situações, porque aprendi a negociar. Tudo isso se tornou habilidades transferíveis que trouxe para a área administrativa, financeira e para empreender.

O maior aprendizado que tiro de tudo isso é que você não tem o que merece, mas aquilo que aprende a negociar. A técnica é muito importante, mas você pode ser o melhor funcionário tecnicamente, mas se não tiver maturidade emocional, não conseguirá êxito em sua profissão. Acredito que este tenha sido meu maior aprendizado.

 

Após uma carreira inicial ligada à engenharia e à mecânica industrial, você passou a atuar na área financeira, especificamente em contas a pagar, em empresas como Tata Consultancy Services e Nokia, já na Europa. Como foi o processo decisório por trás dessa mudança de área e quais foram os principais desafios percebidos nesse movimento?

Gostava do meu trabalho. Quando estava no chão de fábrica, eu tinha um plano de carreira e fui convidada para ir para os Estados Unidos. Lembro que, uma vez, estava saindo do chão de fábrica, estava chovendo bastante e eu não via a luz do dia. Tomava remédio para circulação, porque ficava muito tempo de pé e depois ia para a faculdade, então não tinha muito tempo livre. Trabalhava oito ou dez horas e ia para a faculdade, não fazia academia, não tinha vida social nem dinheiro para gastar. O que foi decisivo para essa mudança foi olhar para isso e dizer: acho que não é isso que quero para minha vida.

Sempre tive o sonho de morar fora, e isso se intensificou quando ganhei uma bolsa para estudar no Canadá, aos 18 anos, da escola de inglês onde estudava. Aquilo permaneceu e, à medida que o tempo foi passando, foi crescendo. Entendi que não tinha dinheiro, precisava trabalhar e não podia simplesmente pedir demissão e começar uma vida lá fora. Eu precisava de planejamento, precisava entender as oportunidades. O grande fator decisivo foi querer ter uma vida mais livre. Entendi que, se ficasse no Brasil ganhando em moeda fraca, não conseguiria conquistar aquilo.

As pessoas me conhecem pelo caderno dos sonhos. Ele não tem nada de místico, mas basicamente você coloca o que quer para a sua vida, onde quer chegar, e coloca imagens daquilo. Isso dá uma direção do que você vai fazer. Quando fiz o meu caderno dos sonhos, vi que queria visitar muitos países e pensei que, com o salário que tinha, nos próximos anos não conseguiria fazer isso. Então precisava mudar a rota. Pensei em tentar uma vaga internacional e foi quando comecei a pesquisar e consegui a primeira oportunidade. O jogo virou, mas foi pela dor de querer transformar a vida, porque no trabalho em que estava isso demoraria muito.

 

Seu currículo mostra uma trajetória profissional construída em diferentes países, incluindo Brasil, Hungria, Itália e Portugal, com experiências em multinacionais e depois em iniciativas próprias. Em que momento essa dimensão internacional deixou de ser apenas uma oportunidade pontual e passou a se tornar um eixo estruturante das suas decisões de carreira?

Essa pergunta é muito interessante, porque esses dias eu estava em Curitiba e participei de um encontro na empresa em que trabalhava. Precisávamos escrever uma visão de longo prazo, como nos víamos. Encontrei isso de um pouco mais de dez anos atrás, não lembro exatamente agora, mas, nesse papel, coloquei que gostaria, no futuro, de empreender, de ter uma empresa e de transformar a vida de muitos jovens. Era isso que estava no meu coração. Sempre fui guiada por isso. Eu dizia que não queria ser apenas a Malu técnica e boa em mecânica, mas gostaria de ter experiência em outras empresas, porque meu perfil ainda era pequeno. No futuro, gostaria muito de ajudar outros jovens a despertar sonhos e mudar vidas. Não sabia o que nem como, mas aquilo já estava na minha visão de longo prazo.

No momento em que mudei de país e comecei a perceber que estava no mercado internacional, tive acesso a tudo aquilo e passei a viver o que, para mim, era uma vida impossível. Pensei que aquilo mudou minha vida e que queria ajudar outras pessoas a conquistar o mesmo. Nunca foi uma oportunidade pontual, pois as habilidades são transferíveis e tudo o que fazemos carrega aprendizados de uma coisa para outra.

 

Depois de anos em multinacionais, você cofundou a Turney e, posteriormente, a Hire Brazil, atuando como mentora de carreira internacional. O que, na sua própria trajetória profissional, indicou que fazia sentido sair de uma estrutura corporativa para empreender nesse campo específico de orientação para oportunidades internacionais?

Embarquei pensando que fosse só de ida. Eu não sabia o que nem como, mas encontraria uma forma de ficar lá. Na época, não havia tantos conteúdos como hoje, era muito difícil encontrar informações. Peguei o mínimo de informações que tinha. Sobre a Hungria, não havia vídeos, fui a primeira brasileira a produzir conteúdo sobre a Hungria no Instagram e no YouTube. Os primeiros vídeos sobre o país, sobre morar e sobre salário foram meus. Eu não queria voltar, precisava encontrar uma forma de permanecer no país.

Como aquilo transformou minha vida, decidi ajudar outros. Por meio de conteúdo gratuito, sem ganhar nada, as pessoas começaram a conquistar oportunidades. Depois começaram a pedir consultoria, mentoria e ligação. Comecei a cobrar R$ 50 por ligação, a demanda foi crescendo, precisei optar e decidi empreender 100% do tempo. Como esse já era um sonho de transformar vidas, saí do mundo corporativo para me dedicar à minha empresa e depois fui abrindo outras empresas em segmentos similares.

 

Em sua trajetória, você acumulou experiências em engenharia, área financeira e diferentes mercados internacionais antes de cofundar a Hire Brazil. Ao estruturar os serviços e o ecossistema da empresa, como você organizou esse repertório diverso em um modelo coerente de atuação voltado à orientação de carreiras internacionais?

Comecei com aquilo que era mais natural para mim. Comecei falando da oportunidade que tive e passei a atender clientes nas áreas em que já tinha atuado. Depois de atender esses clientes, comecei a trazer novos clientes de outras áreas. Hoje, trabalho com as mais diversas áreas, desde geóloga, veterinária, pessoal da área administrativa e todas engenharias, com aprovados para mais de 15 países. Foi uma construção: comecei atuando onde tinha especialidade e depois fui buscando novos clientes, estudando novos casos e aprovando esses clientes.

O conhecimento que tenho não é de livros, é um conhecimento vivido. Foi muito natural montar a estrutura da empresa, porque passei por esse processo e sabia exatamente como era e o que as empresas pedem. Por essa razão, no momento em que comecei, mesmo que talvez não soubesse tudo, os clientes já tinham resultado. Depois, o mercado foi mudando e fui adaptando o método de acordo com o mercado. À medida que a tecnologia e os sistemas de pré-seleção foram avançando, fomos aprimorando e implementando tudo isso. Trouxe primeiro o background do que vivi e, à medida que fui atendendo os clientes, fomos refinando, melhorando os serviços e os produtos, com os clientes tendo cada vez mais resultado.

 

Numa recente fala sua, durante um workshop online, você comentou sobre como diferentes contextos culturais influenciam escolhas profissionais e de estilo de vida, citando sua experiência na Europa. A partir disso, que reflexões você compartilha hoje sobre esses modelos e que mensagem final deixaria para quem busca atuar no exterior, seja de forma remota ou presencial?

Gosto de dizer que nos acostumamos a achar que essa é a vida que precisamos ter. Eu praticamente não tinha vida social, dormia cinco horas por dia e achava que esse era o caminho para construir riqueza e uma vida próspera. Tudo isso foi importante e há mérito nisso, mas, quando você entende o mercado internacional, consegue construir de forma mais fluida, pois está em um mercado de moeda forte, onde a competição é menor. Às vezes há menos candidatos para uma vaga internacional, especialmente presencial na Europa, devido a um problema demográfico de população envelhecida, do que para uma vaga no Brasil, naquela plataforma que ninguém aguenta. Muitas vezes estamos em uma vida ruim e achamos que aquilo é a realidade. Quando começamos a entender o quanto as empresas lá fora pagam e o quanto você é melhor remunerado, pode ter mais liberdade e percebe que talvez a vida não seja apenas isso.

Quando cheguei ao exterior, meu único arrependimento foi não ter ido antes. Minha recomendação é estudar as oportunidades internacionais e, quanto antes internacionalizar a carreira, seja remota ou presencialmente, melhor será para acumular patrimônio e ter mais liberdade para a vida que deseja. Quem quer ficar no Brasil pode optar por vaga remota, recebendo em dólar ou euro, quem quiser sair pode optar por vaga presencial e aplicar para visto de nômade em Portugal ou Espanha. Temos advogados parceiros que podem ajudar nesse processo.

A mensagem que gostaria de deixar é que você não está velho demais. Possivelmente já tem tudo o que precisa para conseguir uma oportunidade; é preciso traduzir isso para o mercado internacional e começar a aplicar para as vagas. Uma vida livre é a única que vale a pena ser vivida, e precisamos de dinheiro para conquistar o que desejamos. Existe uma vaga para você, independentemente de idade e área.

Tenho certeza de que você conseguirá uma oportunidade. Caso queira ajuda, entre em contato conosco. Temos um time pronto para atender, fazer uma pré-análise do perfil e indicar como podemos ajudar no caso específico. Também é possível acessar nosso canal com aprovados para se inspirar e ver que é possível. Quando estamos nesse ambiente, parece tudo distante, mas, ao entender o processo seletivo, é possível acelerar esse caminho.

 

Lições de carreira

A trajetória de Malu Osowski mostra que internacionalizar a carreira não é um salto no escuro, mas uma construção estratégica. Do chão de fábrica ao empreendedorismo na Europa, cada etapa foi guiada por planejamento e posicionamento. Sua história reforça que habilidades são transferíveis e que o mercado global é acessível a quem se prepara. Mais do que falar em sonho, ela fala em método, e método pode ser aprendido.

Grato pela leitura. Nos encontramos no próximo artigo!

Abraço, Jonny

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