Imagem criada pelo colunista com apoio de I.A.
Em gestão pública e também em empresas, boa parte dos eventos críticos de imagem não nasce do jornalismo investigativo ou de uma oposição articulada. Eles surgem de dentro: de um desalinhamento interno, de uma comunicação truncada, de uma cultura onde falar mal parece mais natural do que valorizar o que funciona. É a clássica história do copo meio cheio ou meio vazio.
Lembro de um caso que vivemos na Critério, em uma campanha a prefeito no interior. Sempre iniciamos o atendimento com uma anamnese — um protocolo que desenvolvemos com psicólogos para extrair o máximo de informações do cliente e de seu entorno. Na reunião com apoiadores, perguntamos sobre o candidato. As respostas vieram rápidas: “Ele tem uma voz estranha, não se comunica bem”, “parece antipático, não sorri”, “sempre que concorre, perde”. O diagnóstico inicial era devastador.
Foi então que provocamos: “Mas por que vocês escolheram este infeliz como candidato? Ele não tem nada de bom?”. Depois de um silêncio constrangido, alguém arriscou: “Ah, ele é um cara sério”. Outro completou: “Ele não é de tapinha nas costas, tem palavra, quando fala cumpre”. E um terceiro arrematou: “Ele é bom gestor, onde coloca a mão a coisa anda”. De repente, aquele “perdedor antipático” se transformou em um gestor sério, honesto e de palavra. Tudo apenas pela escolha do que se diz — pelo lado do copo que se decide mostrar.
Esse exemplo é didático para a política, mas também para marcas. Empresas que não se comunicam internamente, que não compartilham informações, que não cultivam uma cultura de valorização, acabam reféns da narrativa que corre pelos corredores. E, quando não há alinhamento, o “central da fofoca” tende a pautar o debate.
Como enfrentar esse risco?
● Reuniões periódicas de alinhamento — não apenas para falar de metas, mas para reforçar valores e conquistas.
● Seminários internos e workshops de cultura — espaços de reconhecimento e aprendizado coletivo.
● Canais formais de diálogo com a gestão — mecanismos em que colaboradores possam trazer críticas de forma construtiva, em vez de apenas nos bastidores.
● Comunicação interna estratégica — newsletters, murais, grupos digitais: tudo que ajude a dar visibilidade ao copo meio cheio.
● Programas de reconhecimento — celebrar publicamente equipes e profissionais quando entregam bons resultados.
No fim das contas, não estamos falando de “abafar críticas” ou criar um mundo cor-de-rosa, mas de disputar a narrativa com fatos, valores e exemplos que sustentem a reputação. Se a comunicação interna não ocupar esse espaço, a central da fofoca ocupará.

