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Construindo marcas e líderes: a jornada de Tatiana Trevisan no RH e na consultoria
04 de Setembro de 2025

Construindo marcas e líderes: a jornada de Tatiana Trevisan no RH e na consultoria

LinkedIn Top Voice e uma das Top 15 HR Influencers da América Latina

Por Prof Jonny 04 de Setembro de 2025 | Atualizado 04 de Setembro de 2025

Com uma trajetória marcada por passagens em grandes corporações, psicóloga por formação, Tatiana Trevisan consolidou sua experiência em Recursos Humanos em grandes corporações, antes de empreender no universo da consultoria. Hoje, como CEO da Inspiring Minds Consulting, atua com foco em personal branding, carreira e liderança. Reconhecida como LinkedIn Top Voice e coautora de livros sobre desenvolvimento profissional, Tatiana compartilha aprendizados práticos de sua jornada. Nesta entrevista, ela reflete sobre os desafios do mundo corporativo, a transição para o empreendedorismo e o impacto da inteligência artificial no desenvolvimento de líderes.

 

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Muito grato por contribuir com nossa coluna de carreira. No início da sua trajetória, após a graduação em Psicologia pela PUCRS, você ingressou em empresas, assumindo funções estratégicas em RH. Em retrospectiva, qual decisão nesse início de carreira você considera que mais impactou o rumo de toda a sua trajetória?

A decisão foi interessante, porque eu estava na faculdade de Psicologia e escolhi o curso pela área clínica. No final da graduação, por volta do sétimo semestre, acabei me identificando com a área organizacional e busquei um estágio. O primeiro foi na Souza Cruz, onde mais tarde fui efetivada. Considero essa experiência a minha verdadeira escola, pois foi onde aprendi a gostar da área de Recursos Humanos e das empresas.
Na época, já tinha iniciado estágios clínicos obrigatórios, mas não estava satisfeita. Surgiu então a oportunidade da Souza Cruz, que era um estágio voluntário, fora do plano acadêmico. Precisei decidir entre manter o estágio clínico ou me dedicar à empresa. Como o programa previa iniciar um estágio prático em um semestre e outro em área diferente no semestre seguinte, acabei concentrando os dois em um único semestre para poder assumir a vaga na empresa. Essa decisão norteou minha carreira, pois ao optar pela empresa em vez do estágio clínico obrigatório, entendi que era ali que eu queria construir minha trajetória. Ter iniciado em uma indústria determinou muito meu caminho profissional, que seguiu majoritariamente nesse ambiente, no qual gosto muito de atuar e com o qual me identifico profundamente.

 

Você construiu uma sólida carreira em grandes corporações, passando por empresas como AGCO, Gerdau e Walmart, onde liderou processos globais e programas de desenvolvimento humano. Como essas experiências ajudaram a moldar sua visão atual sobre gestão de pessoas e liderança?

Tenho muito orgulho das empresas pelas quais passei. Escolhi trabalhar nelas de forma consciente e acredito que todas contribuíram muito para a visão que tenho hoje sobre Recursos Humanos e liderança. À medida que fui evoluindo e amadurecendo na carreira, desde o início como analista até assumir posições de liderança, aprendi e me desenvolvi cada vez mais, adquirindo também uma visão mais crítica sobre pessoas e liderança.

Tenho um carinho especial pela Gerdau, que foi uma grande empresa na minha trajetória. Lá aprendi muito sobre cultura, mudança cultural e sobre como a área de RH pode contribuir de forma estratégica para a liderança. A visão que tenho hoje é reflexo das experiências que vivi, participando ativamente de discussões de carreira e de programas de desenvolvimento de líderes, entendendo o perfil da empresa e o que se buscava para cada posição.

Atualmente, no trabalho como consultora autônoma, trago grande parte dessa bagagem prática, associada a novos aprendizados e ao cenário atual. A liderança de hoje é diferente da que encontrei no início da carreira, principalmente pelas questões geracionais e pelos desafios de engajamento. No entanto, a base continua a mesma: cuidado com as pessoas, respeito, escuta ativa e feedback são elementos que permanecem essenciais, independentemente da geração ou do tipo de empresa.

 

Na Contabilizei, você estruturou e liderou a área de Educação Corporativa e Performance, incluindo programas de tech trainees e implementação de uma plataforma LMS. Quais foram os principais aprendizados desse período sobre como preparar talentos para contextos de inovação e tecnologia?

Essa foi minha primeira experiência em uma startup, onde tive um grande aprendizado em relação à cultura da área de tecnologia. A forma de aprender e de atuar nesse setor é completamente diferente da área industrial, o que trouxe desafios significativos. Estávamos em plena pandemia, com todos 100% remotos, e implementamos uma plataforma de desenvolvimento cujo uso não era obrigatório. Assim, foi possível perceber a importância de criar ferramentas diferentes para públicos distintos: profissionais de tecnologia, contabilidade ou área fiscal, por exemplo, possuem demandas e formas de aprendizado específicas.

A empresa ainda era jovem, com sete anos, em processo de formação de lideranças. Quando entrei, havia 300 funcionários, e quando saí já eram 800 — um crescimento acelerado, com prós e contras. Muitas vezes, trazer profissionais prontos do mercado para uma empresa em construção é um desafio de adaptação. Esse foi um aprendizado valioso: como explorar melhor o ambiente da startup, como a liderança pode dar espaço a novos talentos e como adaptar práticas de educação e desenvolvimento à realidade de trabalho remoto. Buscamos formatos de aprendizado mais interessantes, já que as pessoas passavam o dia inteiro diante do computador. Incentivamos a leitura e outras formas de desenvolvimento, considerando que era uma equipe jovem e ansiosa por crescimento rápido. O desafio era mostrar a importância do conhecimento de forma consistente, ao mesmo tempo em que ajustávamos os formatos para acelerar a curva de aprendizado. Isso era essencial, sobretudo para áreas como a comercial, onde o desempenho precisava ser rápido.

 

Desde 2021, à frente da Inspiring Minds Consulting, você atua como CEO e consultora em Personal Branding e carreira. O que motivou sua transição do mundo corporativo para o empreendedorismo, e quais têm sido os maiores desafios e conquistas nessa jornada?

Minha identificação com o tema de marca pessoal surgiu da própria vivência. Mesmo sendo de RH, percebi que havia negligenciado o cuidado com a minha própria marca ao longo da carreira. Isso ficou claro quando saí do Walmart: a operação no Brasil foi vendida, minha posição deixou de fazer sentido e me vi vulnerável no mercado. Era conhecida como “Tatiana da Gerdau”, “Tatiana do Walmart”, “Tatiana da Souza Cruz”, mas não como Tatiana Trevisan, executiva de RH. Percebi a lacuna e busquei uma consultoria para me apoiar nesse desenvolvimento. Nesse processo, descobri gosto pelo tema, aprofundei estudos e me especializei, trazendo minha experiência em RH para apoiar outros profissionais. Sempre observei que o destaque e a visibilidade raramente vinham apenas de competências técnicas, mas de outras habilidades que eu poderia ajudar a desenvolver.

Outro fator importante foi o desejo de ter mais autonomia e liberdade para fazer minhas escolhas. Houve um período de indecisão, pois gostava do mundo corporativo e cogitei voltar como gestora de RH. Porém, ao mesmo tempo, comecei a atuar com mentorias e consultorias, gostava da liberdade e da relação construída com clientes. Participei de processos seletivos, mas percebi que queria seguir de forma autônoma. Foi um caminho desafiador, principalmente pela ausência inicial de pares para compartilhar ideias e decisões, mas ao longo do tempo encontrei parceiros e aprendi a navegar nesse ambiente. Investi também na produção de conteúdo no LinkedIn, como estratégia de posicionamento. Esse movimento me levou ao reconhecimento como Top Voice, além de menções em rankings de RH, como o da FAVIKON, pelo trabalho em carreira, liderança e marca pessoal. Participei como coautora em dois livros: um no programa “Nós por Elas”, do Instituto IVG, e outro mais recente, específico sobre marca pessoal.

Hoje, atuo com profissionais e também com empresas, oferecendo palestras, workshops e programas de desenvolvimento de líderes, agora com um olhar voltado para carreira, marca e posicionamento. Entre os desafios, destaco o processo de vendas. Por vir da área de humanas, nunca tive formação nessa dinâmica, e meu maior desafio é vender meu trabalho sem abrir mão da autenticidade e transparência. Não adoto promessas fáceis, pois acredito que o verdadeiro resultado depende da vontade da pessoa em se transformar. Meu papel é estimular, influenciar e orientar, mas se a pessoa não quiser aplicar, não há resultado. Essa postura torna o processo de vendas mais desafiador, mas é coerente com meus valores e minha forma de atuar.

 

Seu reconhecimento como LinkedIn Top Voice e como uma das Top 15 HR Influencers da América Latina mostra sua presença forte nas redes. De que forma esse espaço digital se tornou parte estratégica da sua atuação como mentora e consultora de carreira?

Foi a base da construção da minha caminhada e do meu posicionamento como consultora e mentora. Defini como estratégia me tornar Top Voice no LinkedIn, algo que não aconteceu em poucos meses, mas sim após mais de um ano de produção consistente de conteúdos. Compartilhava regularmente, de segunda a quinta-feira, e iniciei a publicação de vídeos na plataforma, quando ainda não era comum. Mantive consistência, coerência e uma estratégia clara de conteúdo, o que foi essencial para minha transição e para mostrar conhecimento sobre os temas que domino. Esse trabalho resultou no reconhecimento como Top Voice e em menções em rankings, fruto da constância na produção de conteúdo.

Esse movimento começou em 2021, quando passei a produzir de forma estruturada. Já tinha cerca de sete mil conexões pela minha atuação em RH, mas o crescimento veio principalmente a partir dos conteúdos compartilhados. Antes, minha postura era mais reativa, aceitando convites. Com a produção, passei a atrair seguidores de forma orgânica.

O primeiro conteúdo que viralizou foi a indicação do livro O Poder dos Quietos, que aborda a introspecção. Sou uma pessoa introspectiva, embora muitos me considerem extrovertida, e compartilhei minhas percepções e dificuldades sobre isso. Mostrei que líderes não precisam ser expansivos para ter sucesso, pois líderes introspectivos também trazem diferenciais importantes.

Esse relato gerou grande engajamento, com milhares de curtidas e comentários, e foi marcante ver como as pessoas se abriram, compartilhando inseguranças e reflexões sobre autoestima, escolhas e medos. Esse foi o primeiro tema que realmente trouxe grande impacto e engajamento na plataforma.

 

Com base em sua experiência em programas de desenvolvimento de líderes e considerando o avanço de inovações como a Inteligência Artificial, que já impactam diretamente a forma de aprender nas organizações, como você enxerga as transformações atuais no campo da educação corporativa? E quais caminhos acredita que esse cenário deve seguir nos próximos anos?

Vejo essa questão como bastante desafiadora, especialmente quando falamos do desenvolvimento da liderança em conjunto com a inteligência artificial. Considero que a IA pode ser uma parceira importante, permitindo explorar formas diferentes de estimular o aprendizado, já que cada pessoa aprende de um jeito. Nesse sentido, ela possibilita a criação de trilhas personalizadas que façam sentido para cada profissional ou líder.

Por outro lado, acredito muito nas trocas e nas relações. Se o processo ficar restrito apenas à inteligência artificial e à automação, há uma perda significativa. Liderar é, acima de tudo, aprender a lidar com pessoas, e isso exige contato, escuta ativa e empatia. Embora a IA seja útil para fornecer dados, informações de mercado e estruturar cases, o aprendizado real acontece na prática, na experimentação e no relacionamento humano.

Hoje, vemos muitos líderes pouco preparados para a função, em parte porque as promoções acontecem de forma acelerada e muitas vezes com profissionais jovens. Na prática, surgem dificuldades como falta de engajamento, insegurança, ausência de espaço para a equipe se desenvolver e pouca habilidade em gestão de pessoas. Muitas vezes as empresas priorizam apenas a entrega de resultados, deixando de lado a formação sólida desses líderes.

Acredito que é possível unir os dois mundos: aproveitar os benefícios da inteligência artificial e da automação para apoiar o desenvolvimento, mas sem abrir mão do foco essencial — as relações humanas. A liderança precisa aprender novas dinâmicas de trabalho, especialmente em modelos híbridos ou remotos, nos quais a teoria parece simples, mas na prática traz desafios como confiança, comunicação e gestão de entregas. Esse equilíbrio é fundamental para formar líderes capazes de conduzir pessoas de maneira efetiva.

 

Você também é coautora do livro “Mentores e Suas Histórias Inspiradoras” e colunista na EA Magazine. Como tem sido usar esses canais de publicação para compartilhar seus aprendizados, e qual mensagem gostaria que os leitores levassem dessas iniciativas? Qual sua mensagem final nessa entrevista para quem tá considerando carreira na área de RH psicologia?

Vejo esses espaços como novos canais de compartilhamento de conteúdo. Além do LinkedIn, eles me permitem criar materiais mais longos e aprofundar temas que, na rede, muitas vezes não têm espaço suficiente. Nos livros, pude trazer exemplos práticos aliados à teoria. No primeiro, Mentor e Suas Histórias Inspiradoras, falei sobre minha transição de carreira, mostrando a mudança de olhar ao me perceber como marca e ampliar minha atuação para além do mundo corporativo. No segundo, abordei o posicionamento de marca, explorando os elementos que o compõem.

Para mim, participar da EA Magazine e de outras iniciativas é uma forma de compartilhar percepções, gerar reflexões e, por vezes, estimular um pensamento crítico sobre determinados temas. Busco ampliar o alcance do meu conhecimento e levar informações a mais pessoas. Antes, eu achava que certos conteúdos eram simples demais, mas percebi que o que é básico para mim pode não ser para os outros. Por isso, utilizo esses espaços para transmitir conhecimento de forma acessível e útil.

Minha visão sobre RH também evoluiu muito ao longo dos anos. A mensagem que deixo é: seja um RH parceiro, que conheça a necessidade do cliente, fale a linguagem do negócio e traga soluções reais para a empresa. Vejo a área de pessoas como estratégica. Apesar da automação, são as pessoas que sustentam os negócios e permitem que as organizações prosperem. Para isso, o RH precisa se adaptar ao novo momento: conhecer automação, dominar inteligência artificial, falar em resultados e lucro, e abandonar visões idealizadas. É preciso atuar de forma prática, voltada às dores reais do cliente, às novas gerações e aos formatos de trabalho atuais, incorporando a tecnologia de maneira estratégica. Essa é a forma que acredito ser mais efetiva para o futuro da área.

Lições de carreira

Ao longo da entrevista, Tatiana Trevisan destacou a importância de unir conhecimento técnico, sensibilidade humana e visão estratégica para construir carreiras sólidas. Sua vivência no RH e, depois, na consultoria, demonstra que a liderança exige mais do que resultados: pede escuta ativa, respeito e capacidade de adaptação. Reconhecida por sua atuação no LinkedIn e em publicações relevantes, ela inspira profissionais a olharem para o próprio posicionamento. Sua mensagem final é de incentivo: cada um pode ser protagonista de sua história, desde que esteja disposto a se desenvolver continuamente.

Grato pela leitura. Nos encontramos no próximo artigo!

Abraço, Jonny

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