O jornalista e apresentador do Seleção SporTV, André Rizek, participou recentemente do Charla Podcast — espaço tradicional do mundo da boleiragem. Em poucas horas, começaram a pipocar nas redes trechos polêmicos sobre temas como a “Máfia do Apito”, que levou à anulação de jogos em 2005, e a “Flapress”, como se costumou chamar a benevolência da imprensa carioca em relação ao Clube de Regatas do Flamengo.
Devo confessar que não nutria uma simpatia natural pelo jornalista — sem nenhum motivo concreto, apenas baseado nas microimpressões que a televisão me permitia. A enxurrada de polêmicas vindas da entrevista era tamanha que decidi dedicar 2h58min para escutar aquelas histórias. E tudo mudou.
Foi um papo franco, sem roteiro engessado, com tempo para a trajetória pessoal, grandes feitos e humanidades. Vi um Rizek bem-humorado, apaixonado pelo jornalismo e até vulnerável em certos momentos. Conheci outro profissional — e, talvez, outra pessoa.
A experiência me fez refletir: poucas ferramentas hoje são tão poderosas na reconstrução ou fortalecimento de uma reputação quanto um bom podcast. Quando bem conduzido, ele permite sair da lógica da “foto” — aquele registro congelado de uma frase solta ou de um gesto fora de contexto — para entrar no terreno do “filme”. Um podcast permite ver a jornada, entender os porquês, achar pontos de conexão com quem fala. E isso transforma toda a percepção.
É lógico que tem que ter “borogodó”, “café no bule” e “lenha pra queimar”, mas líderes empresariais, políticos, atletas, artistas — todos têm muito a ganhar com espaços como esse. Não para vender ideias prontas, mas para mostrar que são mais do que os rótulos que carregam. Para contar suas histórias com calma. Para deixar que as pessoas enxerguem o que há por trás das manchetes ou dos cortes de 15 segundos.
Mas atenção: não é só falar muito. É saber como falar. Eis algumas boas práticas para aproveitar o potencial reputacional dos podcasts:
Escolha bem o espaço: nem todo podcast será ideal para sua mensagem. Busque formatos que combinem com sua linguagem e seus valores.
Tenha uma linha narrativa clara: isso não significa decorar respostas, mas saber quais pontos da sua trajetória você quer reforçar.
Seja você mesmo, mas seja estratégico: autenticidade é essencial, mas ela pode (e deve) andar junto com clareza de propósito.
Evite o tom professoral ou defensivo: podcasts são conversas, não sabatinas. Quem fala o tempo todo para se proteger perde a chance de se conectar.
Esteja pronto para perguntas inesperadas: os melhores momentos surgem quando há espaço para improviso com verdade.
Vivemos num tempo em que reputações são formadas (e destruídas) em cortes de 30 segundos. Por isso, oferecer ao público a chance de ver o “filme inteiro” é mais do que uma estratégia de imagem — é um gesto de respeito.
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