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Coluna Ozinil Martins | O Brasil está envelhecendo! E daí?
26 de Março de 2025

Coluna Ozinil Martins | O Brasil está envelhecendo! E daí?

"Atualmente vive-se no Brasil o período que é conhecido como Bônus Demográfico"

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 26 de Março de 2025 | Atualizado 26 de Março de 2025

Periodicamente o IBGE faz o censo da população e a partir deste censo faz projeções em relação ao futuro.

Quando jovem, a expressão que mais ouvia era que o Brasil era o país do futuro porque tem uma população jovem e um potencial de crescimento imenso. Hoje, os números identificam uma situação bem diversa da que foi desenhada em tempos idos.

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As projeções do IBGE para o ano de 2050 são realistas e mostram o seguinte quadro: população total estabilizada em, aproximadamente, 233 milhões de habitantes e com uma população de idosos (acima de 60 anos) ao redor de 70 milhões. Sim, em 2050, seremos um país envelhecido, com a idade média da população em 35 anos e a expectativa de vida projetada para 81,3 anos..

Atualmente vive-se no Brasil o período que é conhecido como Bônus Demográfico, onde a maioria da sua população encontra-se em idade de trabalho, portanto, entre 16 e 60 anos. Este período, segundo o IBGE, deve terminar em 2034. Este é o período em que o país deve fazer sua poupança para ter condições de garantir o que virá posteriormente, pois este período só acontece uma vez na vida dos países. Leia-se poupança como reservar o necessário para garantir à população condição aceitável de vida e aproveitando este momento para qualificar sua população e realizar obras de infraestrutura que demandem grandes investimentos.

Se formos buscar na atualidade um exemplo de como isto pode ser feito com sucesso basta olharmos para o Japão. As pessoas vivem, em média, 84 anos e, mais de 95  mil japoneses ultrapassaram a casa dos 100 anos; sua taxa de natalidade está em queda (em 2024 – 1,2 filhos por mulher) e não garante sequer a reposição da população ao nível atual. Em 2024 no país nasceram menos crianças desde 1899. Em algumas de suas localidades as casas desabitadas estão sendo vendidas a valores irrisórios e há um bônus financeiro àqueles que desejem adquiri-las, afinal são 9 milhões de casas desabitadas. Tudo para garantir a ocupação de espaços por japoneses e descendentes. O Bônus Demográfico japonês ficou no passado, mas o trabalho realizado garante a seus habitantes um país com infraestrutura moderna, desenvolvimento de indústria de alta tecnologia, educação de qualidade inquestionável, um dos países mais tecnológicos do mundo onde a robotização é um fato real e um sistema primoroso de atendimento aos idosos, principalmente porque muitos vivem sós. O respeito aos idosos no Japão é exemplar e, os que vivem sós, são monitorados a distância para acompanhamento de suas atividades físicas e médicas.

Enquanto isto, em certo país ao sul do Equador, em pleno Bônus Demográfico quando se vive o auge do Bônus (2024), em que para cada 10 habitantes existem 4 inativos, o país carrega 7,4 milhões de desempregados, mais de 60 milhões dependentes do Bolsa Família e 40 milhões de trabalhadores informais.

Se o futuro é planejado e construído a partir da realidade presente o que nos espera não é positivo e temo que o preço a ser cobrado às futuras gerações será altíssimo. Pensar na população parece não ser o objetivo dos políticos que elegemos para nos representar. A premissa de que a educação é a base da libertação em todos os sentidos mostra, com clareza, porque é tão deficiente no país!

Foto:Unsplash

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