Estou acompanhando com atenção a discussão que se estabeleceu após a divulgação da nova campanha e sobre o uniforme da seleção brasileira de futebol.
Será o Brasil uma brasa? O amarelo e o azul permanecem como as cores dominantes; o azul, segundo uniforme estreado na Copa do Mundo de 1958, providenciado as pressas na Suécia porque a seleção sueca também tinha o uniforme nas cores amarela e, segundo o marechal da vitória – Paulo Machado de Carvalho – baseado no manto de Nossa Senhora Aparecida, substituído agora por imagens subliminares que lembram figura das trevas.
Nos meiões e na gola da camisa a palavra brasa que lembra o nada, pois em nenhum momento em que me conheço como torcedor da seleção ouvi a expressão brasa em qualquer citação à seleção canarinho. Canarinho? Mas, um canarinho que se transforma em um malévolo corvo ou um outro pássaro qualquer. A ideia seria mostrar que de canarinho a corvo nossos jogadores se transformariam em gladiadores? É só um jogo de futebol! Um torneio rápido que serve mais para valorizar e projetar jogadores do que o país.
Enfim, a proposta é de mudança e de enxergar a seleção com outros olhos, mais agressivos e jogando por terra as tradições que fizeram desta seleção a mais vitoriosa em todos os tempos.
Não sei por que esta ânsia em mudar o passado que deu certo, para criar um futuro em que tudo é destorcido para pior. Novas regras são estabelecidas para priorizar ideias esdrúxulas que interessam sempre às minorias, que são especialistas em fazer barulho e provocar as pessoas que estão quietas e só se preocupam em viver harmonicamente.
O pequeno número de leitores que me prestigiam a cada semana com a leitura desta coluna devem lembrar-se de uma apresentadora sobre a previsão do tempo, em prestigiado telejornal, que dependendo da temperatura apresentava a cidade de Cuiabá como Cuiabrasa e Porto Alegre como Forno Alegre; guardadas as proporções é como vejo a atual proposta da mudança de uniforme da seleção brasileira.
Que saudade dos tempos em que se discutia só a seleção. Em 1958, se o Pelé não era muito novo para jogar pela seleção e se o centroavante deveria ser o Mazzola ou o Vavá; em 1962, com a contusão do Pelé e a entrada do Amarildo, o Possesso; em 1966, a seleção e suas trapalhadas voltando logo na primeira fase; em 1970, o Pelé enxergava mal e o Presidente Garrastazu Médici exigiu a convocação do Dario Peito de Aço; em 1974 na Alemanha e em 1978 na Argentina fomos figurantes; em 1982 e 1986 tivemos, talvez e dependendo de cada torcedor, as seleções mais brilhantes dos anos 80; enfim estamos há 24 anos sem ganhar um título mundial e a polêmica é o canarinho transformando-se em corvo, o Brasil sendo uma brasa, mora!
Quando ouvi e vi pela primeira vez a mudança implementada foi impossível não me reportar às tardes de domingo e ao programa Jovem Guarda, liderado por Roberto Carlos e sua turma. Ali e naquele momento a expressão “é uma brasa, mora!” significava a entrada de um novo componente que mostraria seu talento ao frenético auditório e aos que acompanhavam pela televisão em todo o país. Ai, sim, fazia tordo sentido!
Foto de Raphael Nogueira na Unsplash
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