Os números apresentados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE – sobre a Educação brasileira merecem uma séria reflexão das autoridades e das pessoas com algum envolvimento e preocupação com o futuro.
O Brasil tem como meta investir 7% do PIB no sistema educacional e, em 2024, investiu 5,5%; a média dos países que fazem parte da OCDE investem 5,6%. Portanto, nosso problema não é de investimento. Mas, quando comparamos resultados, o quadro que se vê é o seguinte: os 10% dos alunos pobres de Xangai (China) obtém resultados superiores, no exame de Pisa, aos 10% dos alunos mais ricos do Brasil.
Pior é que, quando se compara o nível de escolaridade das populações, no Brasil somente 54% da população tem ensino médio completo enquanto a média dos países da OCDE é de 79%. O problema, que afeta o futuro dos jovens e do país, passa por gestão, preparação dos professores e envolvimento das famílias que, ainda, não entenderam a importância cada vez mais significativa da Educação no futuro de seus filhos.
A gestão escancara sua incompetência quando se obriga a pagar para os alunos do Ensino Médio se fazerem presentes às aulas; não há preocupação com os pontos cruciais que nos conduzem ao atraso na Educação, mas em manter os jovens na escola, sem a preocupação com sua formação, apenas com foco no número de alunos formados. A formação dos professores é outro ponto que mostra o descaso das autoridades com a Educação. Hoje, existem matriculados em Pedagogia, 852.476 acadêmicos sendo 90% deles na modalidade de EaD (dados de 2023 – MEC, INEP). Como este curso não exige grandes investimentos e é baseado em cadernos de estudos que versam mais sobre o passado do que sobre o que está acontecendo, a ineficácia fica consolidada nos dados divulgados pelo MEC a cada avaliação feita. Nos cursos de licenciaturas o Brasil tem 1,6 milhão de estudantes e o MEC informa que somente 38% destes alunos, em média, completam o curso. A maior desistência acontece no estágio prático obrigatório.
O último tópico a ser abordado está relacionado aos envolvimentos dos pais no sistema educacional. Não basta providenciar matrículas e garantir a presença nas escolas; aos pais cabe acompanhar o desenvolvimento do estudante, sua participação em aula, seu material escolar e, o acompanhamento em suas atividades diárias. Olhar, pelo menos, os cadernos escolares e as apostilas, já é um bom começo.
O atraso do país no concerto das nações tem seu fundamento na péssima qualidade de Educação fornecida. Jamais seremos um país competitivo com uma população ignorante e dependente de benefícios do governo.
Um bom começo seria desativar o Ministério da Educação que, segundo o Portal da Transparência tem mais de 406 mil funcionários e, transferir a responsabilidade da Educação para os Estados e Municípios que tenho certeza, em pouco tempo seriam observadas as melhorias no processo educacional, pois estes entes federativos conhecem suas vocações e necessidades. É só uma sugestão!

Foto: Pexels
