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Coluna Ozinil Martins | Educação: exemplos existem, falta interesse!
03 de Setembro de 2025

Coluna Ozinil Martins | Educação: exemplos existem, falta interesse!

Surpresa? Não!

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 03 de Setembro de 2025 | Atualizado 03 de Setembro de 2025

Nem sempre países com grandes áreas territoriais e grande quantidade de recursos naturais tornam-se países com forte desenvolvimento econômico e social. A diferença está em como os países priorizam a Educação. Ao analisar-se o conjunto de países ao redor do planeta é possível enxergar países com pequenas áreas, sem recursos naturais e altamente competitivos em relação à economia e desenvolvimento social de seu povo. O que fizeram de diferente? Priorizaram a Educação!

Quando se estuda o ranking da Educação, elaborado por institutos confiáveis, o que se vê são países como Cingapura, Finlândia, Suécia, Suíça, Japão, apresentando os melhores resultados. Surpresa? Não! Definições das prioridades mostram o entendimento que estes países possuem a respeito da importância da Educação. Importante lembrar que estes países são pobres em recursos naturais e importam quase tudo que consomem; a Suíça dona do melhor chocolate do mundo não produz uma grama sequer de cacau.

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Para não irmos longe e ficarmos na América do Sul, os exemplos dados por Argentina, Uruguai e Chile são meritórios. No Chile, onde havia convênio do Centro Universitário em que trabalhava e instituição de Educação chilena, era perceptível o interesse dos estudantes pelo seu crescimento pessoal. Em uma das muitas vezes que lá estivemos, deparamo-nos com uma greve em que os estudantes exigiam maior qualidade na Educação, algo que dificilmente veríamos no Brasil.

Há evidências concretas, afirmadas por cientistas, da involução da humanidade no que toca a capacidade de pensar. A rapidez e precariedade dos assuntos abordados nas mídias sociais torna o ser humano incapaz para realizar análises e obter conclusões. A superficialidade toma conta da humanidade! Recentemente ouvi um especialista alertando-nos para a perda da capacidade da escrita cursiva; o tempo de escrever obriga-nos a pensar sobre o que escrevemos e, não o fazendo perdemos a capacidade do raciocínio lógico. Não é atoa que há países retomando suas formas tradicionais de ensino-aprendizagem.

Enquanto isto acontece, experiências são feitas na busca de soluções que visam qualificar os jovens para um mundo diferente, muito diferente. A Alpha School dos Estados Unidos adotou um sistema de ensino onde os professores são substituídos por Inteligência Artificial; são duas horas de aulas teóricas, orientadas por IA, e as demais horas são trabalhadas em oficinas práticas e no desenvolvimento de habilidades sócio emocionais. Os resultados até agora carecem de avaliação por institutos independentes. A mensalidade é equivalente a R$ 18 mil. Vale a pena refletir sobre o tema, pois parece irreversível a ação da IA nos processos de ensino.

Importante fazer a pergunta de onde virão às demandas para o futuro? Será fundamental: que o ensino seja personalizado, o desenvolvimento de habilidades sócio emocionais seja incluído em nossas aulas e a integração tecnológica seja incentivada, permitindo o uso integrado de ferramentas como a IA e realidade virtual aumentada.

Considerando dados atuais sobre a formação de profissionais nas áreas de engenharia a China larga na frente formando, em média, 600 mil engenheiros/ano e no Brasil, último dado divulgado em 2023, em torno de 90 mil engenheiros apresentando um déficit de 75 mil profissionais. A razão: má formação em matemática nos ensinos básicos e médio. Portanto o trabalho deve começar na base se o país pretende, algum dia, ser um “player” mundial. Caso contrário, ficaremos exportando “commodities” ou entregando nossos reservas minerais aos parceiros de plantão como feito, recentemente, com as reservas de níquel.

As perguntas que precisam ser feitas – Por que todos os governos com forte visão social teimam em nivelar por baixo? Por que a visão da esquerda é sempre paternalista? Por que tende a olhar os pobres como coitadinhos e incapazes de crescer por si próprios?

Aqui em terras brasileiras acontecem coisas similares. A maneira paternalista de governar garante uma série de direitos como a distribuição gratuita de preservativos, distribuição de remédios, auxílios de todo tipo a quem, definitivamente, não precisa deles. Quando as pessoas serão orientadas para assumirem suas responsabilidades em assuntos que dizem respeito somente a elas? Quando o governo deixará de ser o paizão daqueles que não querem crescer? Infelizmente, em muitos aspectos, o Brasil já é um país socialista!

Enquanto prevalecer a visão paternalista dos governos em relação ao povo, enquanto a Educação não for prioridade de fato mas, somente slogan de governo, não teremos uma população apta para fazer parte de um mundo competitivo em que o ser responsável, assumir seus erros e acertos, planejar sua vida, estabelecer metas e objetivos é uma atribuição, absolutamente, pessoal. O estado deveria, apenas, oferecer as condições para o crescimento.

Escolher pelas pessoas, dizer-lhes o que é bom ou ruim é impedir seu crescimento pessoal e assumir uma responsabilidade que não é sua. É manter um povo oprimido pela força dos donativos e caridades. E a raiz disso está na precária Educação que é entregue ao povo desse país. Se não deu certo até agora, não dará de hora em diante. Por que produzir mais do mesmo?

Foto: Pexels

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