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Coluna Ozinil Martins | A ignorância é uma benção!
19 de Novembro de 2025

Coluna Ozinil Martins | A ignorância é uma benção!

''O que era para ser um exemplo de organização e sucesso passou a um desastre e a receber críticas da ONU''

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 19 de Novembro de 2025 | Atualizado 19 de Novembro de 2025

Com o passar do tempo vamos ficando mais exigentes e mais cuidadosos com a vida. Pensar no que de pior pode acontecer é algo que vai evoluindo conforme a idade avança.

Quando se é jovem a impetuosidade domina e nos torna corajosos e, não raras vezes, imprudentes. Portanto, cabe aos mais experientes, alguns cuidados com o que falam e escrevem, pois não podemos decepcionar os jovens em função de experiências já vividas.

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O Brasil, fruto de suas várias aventuras econômicas e políticas, nos mostra que a ignorância pode ser, sim, uma benção. Ignorância, óbvio, no sentido de desconhecer.

Quando vemos a situação em que o país se encontra com milhões de famílias sendo subsidiadas por benefícios múltiplos, governos sem um projeto para o país, candidatos aos cargos eletivos com comprometimentos na justiça, com a educação e saúde pedindo socorro, com o escárnio com que alguns ministros do STF agem fica difícil acreditar que ainda teremos direito a algum futuro.

O exemplo de gestão mostrado na COP30 nos diz a profundidade como é tratado o planejamento nos diferentes organismos do governo. O que era para ser um exemplo de organização e sucesso passou a um desastre e a receber críticas da ONU (por carta) e uma declaração do Chanceler alemão que mostra a ineficácia da gestão que nós, brasileiros, sentimos no dia-a-dia; as deficiências que percebemos ao necessitar de serviços médicos, o descaso sistemático com a Educação, no uso do transporte público, na organização do trânsito das cidades e, principalmente, no tocante a segurança pública.

A confusão em que vivemos, sem planos de longo prazo, sugere que na nossa gloriosa bandeira, deveria ter o dístico “Desordem e Atraso,”

É difícil viver em um país em que, a cada dia, explode um escândalo diferente; em que o povo convive e sofre as consequências das facções criminosas; em que o governo, visando seu projeto de poder, cria benesses a facilitar a vida dos mais pobres e os induz ao nada fazer. Com isto cria-se um círculo não virtuoso, onde o empresário quer empregar, mas não tem gente disponível que aceite trabalhar e abrir mão dos auxílios governamentais; isto faz o empresário automatizar operações e diminuir a oferta de empregos. O impasse me parece estar criado e, o problema não é sequer analisado pelos órgãos governamentais.

As revoltas recentes em que a população foi às ruas lideradas por gente jovem, parecem estar ligadas a percepção dos jovens da ausência de perspectivas de futuro. No Nepal os jovens derrubaram um governo; no México a mandatária está ameaçada por sua ligação com os carteis que controlam a produção de anfetaminas. Só pelos jovens, quando percebem que seu futuro está ameaçado, haverá mudanças estruturais nos governos; os políticos criados no atual sistema não têm interesse para produzir mudanças que ameacem suas sinecuras. Basta olhar para o Brasil e suas capitanias.

Se o futuro tem seu lastro no passado fica difícil visualizá-lo como promissor. Como já dizia Nelson Rodrigues: “Os idiotas dominarão o mundo, não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos!’.

Imagem: iStock

 

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