Uma das maiores editoras de quadrinhos de todos os tempos vai recomeçar suas histórias do zero. Mais uma vez. Dona de personagens icônicos como Batman, Superman e Mulher-Maravilha, a DC Comics vem mostrando dificuldade para se adaptar aos novos hábitos dos leitores. E eis que, depois de três tentativas mal sucedidas, surge o DC Rebirth, novo selo editorial que chega às comic stores norte-americanas a partir do fim de maio. Será a solução?
Para contextualizar, a primeira tentativa de salvar as vendas de quadrinhos aconteceu em 2011, quando a editora zerou a numeração de títulos que vinham sido publicados a mais de 70 anos. Além de recomeçar as histórias com novas origens para seus personagens, o selo ‘Os Novos 52’ propôs uma roupagem mais atual aos heróis. O resultado foi instantâneo. Vendas alavancadas e um sorriso no rosto dos executivos da DC Comics. O reboot fez com que o ano de 2011 fosse o primeiro a registrar aumento na compra de HQs desde 2007. O market share da editora subiu para 34%, ultrapassando sua maior rival, Marvel.
Mas a felicidade durou menos que um piscar de olhos – do Flash. A DC Comics voltou a se perder editorialmente, com sagas que não empolgaram o público e despencaram a venda de HQs nos EUA. A queda fez com que, apenas três anos depois, a editora anunciasse um novo reboot. Sob o selo editorial DC You (recém chegado ao Brasil como ‘DC & Você’) o recomeço não foi nada promissor. Ao contrário de Os Novos 52, que chegou a dar bons frutos no primeiro ano, a iniciativa começou muito mal.
Com histórias que traziam personagens considerados semi-deuses – como Superman, Aquaman, Lanterna Verde e Batman – para situações mundanas, além de personagens dedicados a públicos superespecíficos, a DC You buscava não só aumentar as vendas de quadrinhos junto ao público tradicional, mas também conquistar novos leitores. O resultado foi justamente o contrário: nem um, nem outro. Para se ter uma ideia, a DC registrou apenas uma entre as dez histórias em quadrinhos mais vendidas em 2015. A Marvel, por outro lado, emplacou sete na lista.
E a solução encontrada pela editora – adivinha… – foi um novo reboot. Próximo ao que a Sony vem fazendo com o Homem-Aranha nos cinemas, a DC Comics recomeça seu universo pela terceira vez em cinco anos. Anunciado nos primeiros meses de 2016, o DC Rebirth chega às bancas nos Estados Unidos no final de maio com objetivo de ir justamente na direção contrária do que era feito em DC You.
A ideia é ligar as histórias dos quadrinhos com o recém chegado universo expandido da DC Comics nos cinemas. Com isso, o Batman volta a ser Bruce Wayne que conhecemos. Superman volta a ganhar poderes e a utilizar seu tradicional uniforme. Personagens femininas populares como Mulher-Maravilha e Arlequina são praticamente redesenhadas com base nas atrizes Gal Gadot e Margot Robbie. São iscas para tornar o novo fã de super-heróis, que vem dos cinemas, em um leitor de HQs.
Mas, o que é isso? Mais um reboot? Sim. E dessa vez se faz necessário. Assim como tomou a decisão acertada ao criar Os Novos 52 em 2011, a DC Comics precisava de um novo gancho para alavancar as vendas de quadrinhos. E o exemplo não estava tão longe. Bastava olhar a relação entre HQs e o bilionário Universo Cinematográfico da Marvel para compreender como a concorrente atravessava tão bem o período. E é na aposta de dobradinha entre filmes e quadrinhos que a editora volta a sonhar com um futuro brilhante. Estou na torcida e, mais do que isso, acredito que é uma ótima jogada. Só não pode se esquecer do principal ingrediente na hora de criar um novo quadrinho: uma boa história.
