Ainda era 1958. Com 21 anos, depois de quase três anos de trabalho temporário como entrevistador de pesquisas, eu conseguira meu primeiro emprego passando seis meses na Emass, representante comercial das Emissoras Associadas em São Paulo, onde tive a inesperada oportunidade de coordenar uma pesquisa de audiência de rádio em Porto Alegre. Não era pouco, mas muito mais estava por vir rapidamente.
De novo meu protetor, Plínio Toni:
“A Grant está contratando um contato. Você vai lá e procura o Geraldo Santos. Já falei com ele, está te esperando.”
Geraldo Santos, que dirigia a agência em São Paulo, era um dos mais destacados publicitários da época, e trabalhar com ele seria mais do que eu podia desejar, um fator importante em meu currículo. Por isso me empolguei com a possibilidade que, no entanto, me parecia difícil. Mas se já tinha ido bem na entrevista com Lima Martensen, por que não iria nessa? Escolhi a gravata que mais combinava com o melhor terno e fui.
Lembro como ele foi acolhedor, fazendo perguntas para me conhecer, e ao mesmo tempo explicando como era a agência, seus clientes, o que esperava de um contato. Para minha surpresa e encantamento, saí de lá contratado.
Ao me despedir dos companheiros da Emass, ouvi elogios de Humberto Gargiulo que disse se sentir feliz por ter ajudado na minha formação. Foi tudo muito gratificante.
Mesmo tendo desistido do vestibular para engenharia, estava radiante – tinha conquistado meu segundo emprego com um salário bem melhor do que eu conseguia com as pesquisas, o que era prioridade naquele momento.
Comecei na segunda feira e fui sendo apresentado à equipe: Geri Garcia, diretor de criação, Amador Galvão, diretor de atendimento, Pedro, chefe do estúdio e outros, cujos nomes infelizmente me escapam. Depois, vindo do escritório de BH, chegou Décio Vomero para a Mídia. De alguns deles tenho uma lembrança mais forte gravada.
Geraldo Santos: para minha decepção, durou muito pouco tempo meu aprendizado com ele, que se transferiu para outra agência, frustrando não só a mim, mas a toda a equipe, pois era muito querido por todos.
Geri Garcia: o fato curioso é que alguns anos depois, em minha primeira viagem à Europa, estava caminhando por Veneza quando vejo ao longe, vindo em minha direção, um casal que, sem nenhuma dúvida, eu conhecia: Geri Garcia e Ivone, a secretária com quem ele havia se casado. Foi uma coincidência incrível e agradável. Por mais improvável que possa parecer, encontros assim acontecem. Muito mais tarde tive o prazer de voltar a trabalhar com ele na CBBA, da qual era um dos sócios.
Amador era o que se pode chamar de detalhista, seus relatórios de visita muitas vezes registravam o tempo de espera para ser atendido pelo cliente e quantos cafezinhos tomara. Ele também contribuiu para meu aprendizado.
Decio Vomero, que hoje é Diretor Executivo Nacional da Associação Brasileira de Agências de Publicidade, além de mostrar competente atuação profissional, recitava Navio Negreiro de Castro Alves de cor, o que nos deliciava nas reuniões de happy hour, que aconteciam todas sextas feiras no amplo estúdio.
O fato é que eu estava começando e numa agência multinacional, convivendo com profissionais renomados, o que era mais do que esperava. Como me saí é o que vou contar na próxima coluna. Espero você lá.
